Várias questões podem ser colocadas em relação à energia empregada para a dinamização e a gestão das redes sociais. Isso porque uma rede não é uma entidade, uma associação, e sim um espaço de troca e construção coletiva, onde se recebe e se emite informações, ideias, apoio, incentivo. Mesmo existindo atores que sinalizam prioridades, não existe um centro de controle e comando, sendo que a rede só funciona enquanto rede se todos os seus elos se engajarem nesse processo. É o seu dinamismo que a move, por isso a importância da comunicação na articulação da rede principalmente para poder atuar no espaço público, na disputa de encaminhamentos, de projetos, de políticas públicas, sendo a fragmentação um dos seus principais desafios. A fim de evitar esse problema é importante a existência de uma estrutura mínima de coordenação. Assim como a vigência de um modus operandi em que a rede não seja um peso para o seu membro, mas um local em que possa socializar seu trabalho, experiências, e que contribua para sua autonomia e empoderamento (PRAZERES, 2004). Dessa forma, a fim de pensar a gestão da rede, de modo a melhorar sua performance, é preciso uma visão ampliada da sua estrutura e funcionamento, não se limitando aos aspectos positivos. Devem também ser considerados os aspectos negativos, as dificuldades, de modo a poder compreender sua dinâmica. Para isso é fundamental a descrição dos indicadores da rede como nós, vínculos, centralidade, fluxos, densidade, mas também entender as forças em tensão, os custos, as competências, enfim a complexidade da rede.
Para a dinâmica e ampliação da rede, um conceito fundamental é a colaboração, podendo ser compreendida como resultante da atuação conjunta dos nós com vistas a alcançar objetivos comuns. Pode ser definida como
la articulación entre organizaciones sociales orientada al intercambio de recursos - tiempo, conocimientos, contactos, afecto, dinero etc -, a la realización de actividades compartidas, y/o al desarrollo de acciones colectivas de incidencia en el entorno (BERGER et al 2008, p. 43).
Com o passar do tempo as redes passam a ter uma integração e coordenação maior, com distintos níveis de colaboração visando alcançar um propósito comum, a qual compreende as seguintes etapas.
Quadro 7 – Etapas da colaboração
Interação Iniciam as trocas de informações.
Ajustes Além das trocas de informações passam haver ajustes nas ações de cada ator, de modo a facilitar a concretização dos objetivos da rede.
Cooperação Possibilita o compartilhamento de recursos, além de incluir as duas fases referidas.
Colaboração Fortalece as organizações e/ou atores em sua ajuda mútua e na obtenção de um propósito comum.
Fonte: Berger et al, 2008.
No entanto, na prática os fatos não ocorrem da forma como posto, pois nem todo processo de articulação propicia a formação de ações conjuntas, havendo diferentes acordos, formas de atuação. Além disso, as articulações e desarticulações são permanentes, de forma que os processos de colaboração não funcionam de forma linear. As tensões são comuns, pois há discordâncias, fraturas, perdas de nós, o que muitas vezes desestimula os membros a investirem tempo na construção de melhores vínculos. Com isso, pode haver nós que permanecem na rede mas de forma ´desativada`, ou seja, sem atuar de fato para o fortalecimento do conjunto.
Para descrever a dinâmica das redes é importante compreender e analisar as forças em tensão existentes, as quais podem gerar custos ocultos, principalmente, quando se efetivam acordos em que não há uma probabilidade certa de que serão efetivados. Nesse caso são investidos energia na troca de informações, negociações, monitoramento, sem ter um retorno garantido. Além disso, a própria tomada de decisões exige custos, sendo que deve ser participativa, com a definição de pautas, normas, contratos, para que a rede de fato funcione.
Admitir la necesidad de invertir recursos para el trabajo conjunto y asumir lo que por ahora permanece como ´costos ocultos` de la articulación y colaboración en red posibilitará elaborar parámetros, contabilizarlos e iniciar un análisis realista con la intención de disminuirlos y mejorar la inversión que realizan las redes en su próprio desarrollo y en el impacto en su contexto (BERGER et al 2008, p.46).
No entanto, não se trata de ver os conflitos como negativos, pois as forças dissonantes também podem ser complementares. O desafio consiste em equilibrar essas diferentes forças de modo a evitar rompimentos na rede. Essas dicotomias são comuns nos processos
colaborativos e na vida em geral, mas ao invés dos apostos serem vistos como bons ou maus, podem ser vistos como complementares. Trata-se de colocar em prática a lógica dialógica, “isto e aquilo”, não se limitando a lógica linear “ou isto, ou aquilo”.
Neste sentido, as redes têm sido vistas como a solução adequada para administrar políticas e projetos onde os recursos são escassos, os problemas são complexos, existem múltiplos atores envolvidos, interagem agentes públicos e privados, centrais e locais, há uma crescente demanda por benefícios e por participação cidadã. No entanto, a gestão de redes, está longe de ser algo simples, o que tem implicado, muitas vezes, no fracasso de programas e projetos sociais, apesar das boas intenções dos atores envolvidos (FLEURY, 2002, p. 224).
As principais tensões que dificultam a gestão da rede podem ser elencadas conforme a síntese a seguir.
Quadro 8 - Principais tensões existentes nas redes Manter a rede ou
dedicar-se aos objetivos específicos.
Tensão entre investir energia no interesse particular ou na rede, em termos de conhecer os demais nós, auxiliá- los, fortalecer os vínculos de confiança e o trabalho em conjunto. No entanto, para o bom funcionamento da rede não se trata de eleger um ou outro, mas de equilibrá-los, de forma que possam coexistir paralelamente.
Abrir a rede a novos membros ou
mantê-la fechada.
A entrada de novos membros na rede pode desestabilizá- la, em função das diferenças que podem existir, dos novos membros não conhecerem a estrutura da rede etc. Distribuir ou
concentrar o poder.
Embora se pressupõe que as redes sejam horizontais não há uma equitativa cota de poder entre os atores o que contribui para gerar tensões. Muitos atores atuam com certa superioridade em relação aos demais, em função das experiências, informações, contatos, vínculos etc. Se limitar aos
iguais ou incluir a diversidade.
É comum que a diversidade seja geradora de assimetrias, a fim de evitar essa tensão é importante que a rede incorpore o conceito de subsidiariedade em que cada membro contribuirá com suas experiências e possibilidades.
Trabalho coletivo ou individual (cooperativo e/ou
competitivo).
Dilema entre manter-se restrito aos interesses próprios e/ou contribuir para os objetivos estratégicos da rede. Contato presencial Com as novas tecnologias informacionais as redes tem
ou a distância (internet, telefone,
fax).
se utilizado dessas ferramentas para facilitar a interação entre seus membros. No entanto, o mais importante são as relações de confiança, sendo fundamental o trabalho de modo presencial.
Estabelecer normas e pautas ou deixar que cada
um se organize.
Em geral devem ser estabelecidas com o conjunto da rede, de forma clara a fim de que todos entendam e, a partir disso, possam incorporar inovações, mas sem alterar os acordos básicos.
Fonte: Adaptado de BERGER et al, 2008
A fim de fortalecer esses processos como a gestão da rede, a avaliação de suas atividades, o seu desempenho, é preciso desmistificar a ideia de que as redes são em si colaborativas, pois a colaboração é decorrente da dinâmica da rede em favorecer a interação, o que contribui para converter a competição em cooperação. Isso por que nas estruturas reticulares há maior liberdade, não sendo a rede um meio para fortalecer o poder de um elo, excluindo os demais do processo.
Em relação aos nós da rede, pode-se diferenciar os hubs, os netweavers, os inovadores, os intermediários, entre outros, conforme melhor explicitado na parte referente a metodologia de Análise de Redes Sociais. Os hubs são os nós da rede mais conectados, que podem ser acessados com mais facilidade, e por isso tendem a contribuir mais para o trabalho na rede social. Os inovadores, mesmo tendo uma posição periférica na rede, têm a capacidade de proposição, de emissão de mensagens que contribuem para a mudança de comportamento na rede. Os netweavers atuam como animadores, como articuladores, sendo essenciais para a organização em rede, para articular os elos entre si e não apenas a um nodo central (coordenador). Os fatores que dificultam o netweaving na rede são: a construção de redes de entidades, instituições, ao invés de pessoas; a monopolização da liderança, dificultando a formação de uma diversidade de lideranças; a organização de reuniões, a fim de decidir o que os outros devem fazer, desconsiderando a participação e integração dos demais nós (FRANCO, 2008b).
Como a rede nasce do apoio, do compartilhamento de projetos existentes em determinado grupo, é a interação e a participação de seus membros, ou seja, o ´networking` que constitui a rede. No entanto, o networking não se restringe a troca de informações, mas pressupõe a interação mútua, o diálogo, enfim o empenho em fortalecer as interações por parte dos integrantes da rede, pois é através disso que emerge condições propícias para a cooperação e a sinergia. Se não existir
networking a rede será uma estrutura sem conteúdo, tendo pouco significado para os seus componentes. Em relação a outras formas de organização, o propósito da rede é a troca de informações, a aprendizagem, a criação de significados, a inovação, a articulação de interesses, a capacidade de influenciar políticas públicas, a troca de ideias, experiências, maior visibilidade. Dessa forma, cabe a rede facilitar as comunicações, os intercâmbios mútuos, sendo o mais importante a constituição de uma visão compartilhada. Em geral os problemas são decorrentes do fraco networking na rede, pois a prioridade são as atividades para a qual a rede foi criada, ficando a atuação em rede em segundo plano (ADULIS, 2011).
Face ao exposto, percebe-se que a construção e o trabalho em rede não é uma tarefa simples, sendo inúmeros os desafios, tais como
falta de foco e clareza sobre o propósito da própria rede; nutrir a participação e assegurar o compromisso dos membros; promover o empoderamento de outras lideranças; a baixa memória institucional, decorrente da rotatividade de membros e participantes; a baixa legitimidade da rede junto a instâncias formais; assegurar os recursos necessários para a sustentabilidade da rede; existência de desconfianças ou disputas internas; desenvolver mecanismos adequados de governança; monitorar e avaliar resultados; prestação de contas (accountability) (ADULIS, p. 139-140, 2011).
Segundo Marcon & Moinet (2001), para o bom funcionamento da rede é preciso a combinação de três elementos: recursos para trocas (informações/tempo/habilidade), infra-estrutura (orçamento, material, internet) e info-estrutura (conjunto de regras de funcionamento definidos pelos membros da rede). Contudo, para iniciar a articulação de uma rede é preciso que as pessoas, ou o grupo inicial se disponham a se organizar dessa forma, tendo autonomia e protagonismo, sendo importante uma capacitação sobre netweaving em redes sociais. A fim de animar a rede é necessário uma pauta de ações regulares que precisam ser sistemáticas, tais como encontros/reuniões/campanhas e metas em torno de alguma ação coletiva. Quanto mais pessoas aderirem, mais sucesso a iniciativa obterá e mesmo existindo um propósito comum, as decisões, as atividades e os resultados dependerão do processo de construção vigente, sendo que as ações, os seus resultados, devem ser repassados à rede, se possível semanalmente. Assim como, pelo menos até que a dinâmica da própria rede se estabeleça, é
importante uma ampla divulgação das informações, seja através de um boletim ou comunicado (FRANCO, 2008a).
Para a organização e expansão da própria rede é importante que a informação circule por todos os nós da rede, que exista distribuição do poder. Para isso é aconselhável que cada um dos clusters da rede disponha dos dados do conjunto da rede, de modo a facilitar a sua reestruturação em caso de alguma catástrofe que paralise determinados nós. Assim como a internet, os blogs podem ser utilizados para demonstrar como os produtos são feitos, quais pessoas participam, que técnicas são mais apropriadas, que sonhos e projetos essas pessoas alimentam. Dessa forma, no momento que novos grupos se inserem à rede, eles mesmo podem gerar uma nova página na web com frequentes atualizações sobre as suas atividades, tais como produção/consumo/comercialização. Também poderia constar nessa página a avaliação pública de seus produtos efetuados por outras células (certificação participativa), as suas parcerias com a devida caracterização e importância para a efetividade do trabalho, entre outros (MANCE, 1999). Entretanto, essas ações não deveriam se restringir à esfera mais formal do trabalho em rede, mas também envolver uma preocupação com o outro, em termos de fortalecer as interações sociais de modo a construir novas parcerias. Contribuem para esse processo os e-mails, telefone, blogs, desde que nestes as mensagens sejam atualizadas periodicamente.
A articulação da rede é permanente, tendo pessoas que saem, outras que entram. Além disso, as soluções encontradas não são definitivas, pois é preciso que a rede se adapte as aceleradas mudanças nas sociedades atuais (MARCON & MOINET, 2001). Desse modo é a densidade da rede, seu grau de conectividade, que irá propiciar o empoderamento dos seus membros sendo o papel dos mediadores, animadores da rede semelhante a
[...] empurrar um carro que está sem partida. Mas a rede só vai “acontecer” se existir de fato, independentemente do ativismo articulador e animador do grupo inicial; quer dizer, ela só vai “acontecer” se o carro “pegar no tranco”, deixando para trás a turma que está tentando empurrá-lo (FRANCO, 2008a, p. 149).
Os principais “dilemas” das redes podem ser elencados através dos seguintes pontos: 1) Estrutura x dinâmica – os mecanismos, estruturas que visam organizar e formalizar a rede contribuem para limitar a dinâmica da rede, sua maior fluidez, informalidade e
flexibilidade; 2) Coordenação x participação – quanto mais fortes e centralizados forem a coordenação, menor é a participação, o poder dos integrantes e a formação de novas lideranças; 3) Dependência de recursos x autonomia – a captação de recursos com doadores que tem interesses específicos não é muito adequada. Assim como, se o doador for membro ou fundador da rede, pois se estabelece uma assimetria maior de poder que irá impactar na autonomia dos participantes; 4) Processo x resultados – em razão da autonomia e da ausência de hierarquia é difícil mensurar os resultados tangíveis da rede. Outros desafios que podem ser elencados são: a) Identidade (parte x todo) – equilíbrio entre os interesses individuais e do conjunto da rede; b) Governança (liberdade x controle) – propicia que os membros possam agir individualmente e, ao mesmo tempo, cria mecanismos que favoreçam o agir coletivo; c) Adaptação (continuidade x mudança) – equilíbrio entre manter o propósito comum e a necessidade de inovar/mudar. Essas tensões podem ser melhor conduzidas quando há protagonismo, quando os próprios membros da rede decidem como será a rede. Devido à complexidade, a diversidade, a fluidez, a informalidade, a atuação em rede exige a adoção de uma perspectiva sistêmica, a fim de existir maior compartilhamento de responsabilidade, sinergia e perspectiva de longo prazo. Nesses termos, contribui para o fortalecimento da rede um tipo diferente de liderança, mais informal, facilitadora, que saiba lidar com a complexidade, que incentive a participação, que favoreça a existência de sistemas de informação, comunicação e gestão. Enfim, uma liderança que contribua para a obtenção de acordos compartilhados, de modo a fortalecer as conexões, e com isso empoderar os atores da rede (ADULIS, 2011).
Em geral, devido a suas especificidades as redes podem ser classificadas como ´caórdicas`, pois operam entre o caos e a ordem. O caos decorre da flexibilidade surgida com as inovações e a criatividade na rede, e embora essa instabilidade que muitas vezes origina tensões, conflitos, ainda assim a participação nas redes agrega valor a seus membros, sendo os benefícios maiores que os prejuízos (JONES, 2009). Do mesmo modo que as demais organizações sociais, nas redes existem tensões/conflitos, mas também reciprocidade e solidariedade. O fundamental é o meio termo, o equilíbrio entre essas tendências, a fim de que possam contribuir para o fortalecimento da rede e, principalmente, para o empoderamento do sujeito social. Em termos de auto-reflexão sobre o andamento da rede, seu nível de democratização, é importante que exista o questionamento de como ocorrem as trocas no interior da rede; como os conflitos vem sendo negociados; como
circulam as informações e qual sua abrangência e relevância; como animar e incentivar a ampla participação dos membros da rede, considerando os atores mais periféricos nesse processo. Além disso, devido as inevitáveis centralidades de poder que acabam se estabelecendo no interior da rede, é importante para sua dinâmica interna que ocorra renovação e alternância das mediações. Assim como, para se constituir numa estrutura, de fato, distribuída, com garantia de democracia interna e com sujeitos engajados é necessário que existam vínculos de reciprocidade e de reconhecimento do outro (SCHERER- WARREN, 2006).
Face ao exposto, deve-se destacar que embora as redes venham caracterizando as sociedades contemporâneas, é importante diferenciar os propósitos dessas redes. Enquanto nas redes empresariais a lógica subjacente é de maximização da performance, do lucro, nas redes de solidariedade, de organizações da sociedade civil, é de minorar os efeitos perversos e excludentes do sistema econômico vigente. Desse modo, há um perigo no tratamento desse conceito de forma generalista, o que pode contribuir para facilitar ainda mais a colonização do “mundo da vida” pela lógica instrumental (MINHOTO & MARTINS, 2001). 2.5 A METODOLOGIA DE ANÁLISE DE REDES SOCIAIS (ARS)
Não obstante a sua importância, a metodologia de análise de redes sociais é relativamente recente, tendo origem nos anos cinquenta com a Sociometria de Moreno e com a Antropologia Britânica (NÚÑEZ-ESPINOZA, 2008). Segundo Scott (1998 apud MINELLA, 1999, p. 02): ´a análise de rede social descreve agentes – individuais ou coletivos – como inseridos em uma teia de conexões, e a tarefa dos sociólogos é descrever e explicar o padrão existente nessas conexões`. Ou seja, a ARS visa entender a dinâmica dos nós através da descrição formal da estrutura social.
A análise de redes entende a estrutura social como um sistema de relações que influenciam a regulação e organização de outros aspectos da vida social, uma vez que os indivíduos atuam, conforme a posição que ocupam na estrutura social. Diferente das análises tradicionais que se centram nos atributos dos elementos (sexo, classe social, idade) a ARS visa entender as relações entre eles, ou seja, os contatos, os vínculos que os atores mantém entre si, tendo por foco as formas e atributos que possuem as relações em determinado local, e não os atributos individuais. Entende que as relações podem oferecer oportunidades, assim como limitar a ação dos indivíduos (NÚÑEZ-
ESPINOZA, 2008). Nesse sentido, os indivíduos não têm sua trajetória totalmente determinada pela estrutura, ou por suas decisões particulares, pois possuem certo grau de liberdade nas escolhas de suas ações. Assim como, a depender de sua posição na rede, terão maior ou menor possibilidade em acessar recursos.
Os primeiros estudos sobre redes iniciados na Antropologia com Radcliffe-Brown, e na Sociologia com Simmel, na década de 1950, compreendiam as redes como metáforas. Isso porque ainda não tinha surgido a sociometria e a teoria dos grafos, as quais representam a análise formal das conexões entre os nós. Em princípio, o conceito de rede social visava superar as limitações do estrutural-funcionalismo, de modo a explicar as mudanças nas sociedades tradicionais e suas conexões às sociedades complexas. Mas aos poucos a análise de redes foi obtendo métodos, técnicas e proposições teóricas, tendo seu crescente avanço contribuído para a criação, em 1978, da Associação Internacional para Análise de Redes Sociais (INSNA), a qual dispõe de publicações periódicas como, por exemplo, o Social Networks e Connections. Em língua Espanhola destacam-se a lista de redes ([email protected]) e a página da Universidad Complutense de Madrid (www.ucm.es/info/pecar/index.html). Atualmente o interesse dos estudos sobre redes tem se voltado para as comunidades virtuais, as migrações, a saúde, a ação política e, principalmente, para softwares de visualização de redes sociais (MOLINA, 2001).
A despeito de ser um tema relativamente recente, é importante destacar que alguns instrumentos utilizados pelos analistas de rede já haviam sido construídos como, por exemplo, o ramo da matemática denominado teoria dos grafos, o qual tornou-se a base do pensamento acerca das redes. O precursor desse campo foi o matemático Euler que em 1736 criou o primeiro grafo. Após dois séculos o interesse dos matemáticos se deslocou da análise das propriedades dos grafos para a compreensão de como se formam os grafos ou as redes, sendo pioneiros Paul Erdós e Alfred Rényi, os quais construíram a base da teoria das