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Modales ou non ?

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A. La fiche : Composant "Form"

3. Modales ou non ?

Maximiano (2011) corrobora que existem tanto aspectos favoráveis quanto desfavoráveis em criar um negócio próprio. Ainda que um empreendedor não possua dependência de chefes, possa tomar as próprias decisões, inovar e experimentar novas ideias movido por sua criatividade, é preciso considerar o cenário de instabilidade no ambiente externo.

O autor ressalta que a carreira de empreendedor é uma das mais difíceis carreiras que se pode escolher, tendo em vista que, em detrimento das vantagens concebidas, empreender implica em fazer sacrifícios pessoais – como abrir mão de tempo para família, lazer e reflexão pessoal –, sofrer com a sobrecarga de responsabilidades e ter de conviver com o risco da não lucratividade e da falência (MAXIMIANO, 2011).

Santos e Acosta (2011) consideram vital que se reconheça que empreendedores desacreditados não são capazes de atingir seus objetivos. A concorrência, os clientes, os colaboradores e todo o sistema organizacional exigem que o empreendedor tenha a capacidade de equilibrar de forma polivalente a sensibilidade e a técnica, fazendo-o capaz de cumprir com seu papel. O empreendedor precisa, pois, planejar-se para resolver o que não estava planejado.

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barreiras na entrada. Degen (1989) afirma que quanto menores as barreiras à entrada, mais fácil é o aparecimento de concorrentes, e menor a probabilidade de sucesso. Conforme o autor, a combinação de alguns fatores chave acarreta na criação de barreiras no processo empreendedor. Tais fatores são:

a) Capital para instalações, equipamentos, capital de giro e despesas iniciais; b) Conhecimento técnico, de marketing, financeiro e gerencial;

c) Marketing decorrente de marcas, clientela estabelecida, canais de distribuição e imagem no mercado;

d) Exclusividade na obtenção de matérias-primas; e) Custos de produção;

f) Barreiras legais tais como licenças, contratos, patentes e marcas; g) Localização do ponto comercial, dos fornecedores e do mercado.

Ainda no que tange às barreiras à entrada, conforme o GEM (2017), uma das condições que afetam o empreendedorismo é o acesso ao mercado, de forma que são levadas em consideração o quão preponderante é o caráter inflexível e imutável dos acordos comerciais – impedindo que novas empresas possam competir e substituir fornecedores prestadores de serviço e consultores existentes.

Além disso, problemáticas como a falta de transparência do mercado (informação assimétrica, a falta de acesso a informações de mercado para alguns compradores e vendedores), as políticas governamentais para criar abertura de mercado (licitações públicas, redução de barreiras comerciais – tabelamentos, cotas etc.), a estrutura do mercado (facilidade de entrada, dominação por parte de algumas empresas, vantagens para propaganda, competição de preços etc.) e a extensão com que as empresas competem em igualdade de condições são também levadas em consideração como possíveis barreiras ao empreendedorismo (GEM, 2017).

No entendimento de Leite (2002), uma das principais problemáticas com a qual um empreendedor sofre sintetiza-se por meio da equação: grande concepção + fraca execução = morte do empreendimento. Com esta combinação, é possível denotar que a falta de objetividade é uma das barreiras ao empreendedorismo, atrelada a fatores como o desconhecimento do mercado em que se pretende atuar, os erros nas estimativas financeiras, a subavaliação de problemas técnicos, a falta de diferenciação dos produtos ou serviços em relação aos concorrentes, o desconhecimento dos aspectos legais do empreendimento, a escolha equivocada de sócios e a localização inadequada.

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Chiavenato (2012), defendendo a importância de antever as dificuldades que podem vir a surgir no processo de gerir o próprio negócio, propõe que sejam sabidas as possíveis causas de insucesso dos novos negócios, ao passo que, nestes novos negócios, a mortalidade prematura é elevada em decorrência/ do número de riscos e perigos. A seguir, elencam-se as causas mais comuns de insucesso nos negócios.

Quadro 7 - Causas mais comum de insucesso nos negócios

CAUSA CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS

Fatores econômicos Lucros insuficientes

Juros elevados Perda de mercado

Mercado consumidor restrito Nenhuma viabilidade futura

Inexperiência Incompetência do empreendedor

Falta de experiência de campo Falta de experiência gerencial Experiência desequilibrada

Vendas insuficientes Mercado parado

Recessão econômica Vendas insuficientes Dificuldades de estoque Localização inadequada

Despesas excessivas Dívidas e cargas demasiadas

Despesas operacionais elevadas

Outras causas Negligência

Capital insuficiente Clientes insatisfeitos Fraudes

Ativos insuficientes Fonte: Chiavenato (2012, p. 15)

Conforme observado no Quadro 7, as causas do insucesso nos negócios podem surgir por diversos fatores, sejam de ordem financeira, econômica, comercial ou relacionados às próprias competências do empreendedor. Por conta disto, Chiavenato (2012) sugere que a cautela e o “jogo de cintura” são indispensáveis.

Leite (2002) traz à tona, por outro lado, que ao mesmo tempo em que o fracasso se faz rotineiro no exercício do empreendedorismo, este pode ser um forte requisito para o sucesso, ao passo que se configura como uma fonte de referência para novos empreendimentos. Conforme o autor, muitos empreendedores chegaram ao sucesso através de lições obtidas de erros anteriores.

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As vantagens de empreender, conforme Maximiano (2011) estão atreladas, sobretudo, à liberdade de enfrentar situações difíceis tendo a possibilidade de testar as próprias competências, esperando por recompensas que não dependem de outros. Autonomia, independência e liberdade são, portanto, importantes palavras chave e provavelmente as maiores vantagens do empreendedor.

Maximiano (2011, p. 5) corrobora que “para muitos empreendedores, o desafio de iniciar um negócio é fonte de entusiasmo. A oportunidade de desenvolver uma ideia [...] produz um grande sentimento de realização”. Isto quer dizer que mover-se pelo desafio depende da iniciativa de cada empreendedor, de forma que o sucesso ou o fracasso do negócio são frutos de seu nível de esforço. Além disto, ao deter o controle sobre o negócio e sobre seus rendimentos, o empreendedor não corre o risco de sofrer com demissões inesperadas e ver sua situação financeira desestruturada. Com base no exposto, têm-se mais duas vantagens de ser empreendedor: o desafio e o controle financeiro.

Hisrich, Peters e Shepherd (2014), ao retratarem da estratégia de penetração para a exploração de um novo negócio, defendem o mérito daqueles que buscam ser os pioneiros no lançamento de um produto ou na criação de um mercado. Ser o primeiro pode ser vantajoso nos seguintes aspectos:

a) Os pioneiros desenvolvem uma vantagem de custo; b) Os pioneiros enfrentam menos rivalidade competitiva;

c) Os pioneiros podem garantir canais importantes, isto é, desenvolver relacionamentos sólidos com fornecedores e canais de distribuição mais importantes;

d) Os pioneiros estão em melhor posição para atender aos clientes; e) Os pioneiros adquirem conhecimento por meio da participação.

No que tange a identificação de oportunidades como forma de facilitar o ingresso no mercado empreendedor, Dornelas (2008) aponta a internet como um celeiro de oportunidades, bem como afirma que, tendo em vista a força dos canais de comunicação da rede, o seu crescimento exponencial e o baixo custo de se estar na internet, inúmeros modelos de negócios surgiram.

Dornelas (2008) ressalta, ainda, a importância do estabelecimento de uma rede de contatos, tendo em vista que, por meio dela, torna-se possível identificar os melhores profissionais e entidades para assessorar o ingresso no mercado empreendedor e seu consequente desenvolvimento, bem como identificar em quais aspectos do negócio se faz

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necessária a ajuda externa.

Para que isso torne-se possível, defende Dornelas (2008), existem uma série de meios de assessoria que devem ser consideradas no momento da criação do negócio ou em outros momentos críticos. São eles:

a) Incubadoras de empresas: trata-se de um mecanismo – mantido por entidades governamentais, universidades, grupos comunitários, etc – de aceleração do desenvolvimento de empreendimentos (incubados ou associados), por meio de um regime de negócios, serviços e suporte técnico compartilhado, além de orientação prática e profissional. No Brasil, é possível consultar a existência destas incubadoras por meio da Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec).

b) Incubadoras de Internet: tratam-se de incubadoras que abrigam empresas na rede de Internet. A principal diferença para as incubadoras tradicionais é que essas são privadas, visam o lucro e atuam como capitalistas de risco, de forma a entrarem com a infraestrutura, o suporte, o auxílio à gestão e o capital necessário para começar o negócio em troca de parte das ações da empresa. c) Sebrae: O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae)

é a principal entidade apoiadora dos empreendedores brasileiros. Esta foi criada por iniciativa do Poder Executivo, e, por meio de conselhos sobre a forma de abertura de empresas, consultorias, cursos em diversas áreas voltadas à gestão e diversas outras formas de apoio, a Instituição busca cooperar no atendimento dos anseios dos empresários. Está presente em todos os estados da Federação.

d) Assessoria jurídica e contábil: Este meio de assessoria é de grande importância para qualquer negócio, desde sua concepção até o posterior desenvolvimento. O trabalho de profissionais como advogados e contadores se faz necessário para auxiliar o empreendedor nos aspectos jurídicos, tributários e contábeis. e) Universidades e institutos de pesquisa: Apesar de não estar habitualmente

dentro das escolhas do empresariado, existem fortes iniciativas provenientes de universidades e institutos de pesquisa com o objetivo de solucionar, por exemplo, problemas de tecnologia ou promover inovação tecnológica. Um grande exemplo destas iniciativas são as Empresas Juniores, que acabam por ser uma alternativa de baixo custo e boa qualidade para as pequenas empresas.

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f) Endeavor: Trata-se de uma entidade internacional sem fins lucrativos que atua no suporte ao empreendedorismo em países em desenvolvimento. A missão desta entidade é eliminar os fatores limitantes do empreendedorismo, tais como dificuldade de acesso ao capital, desinformação e carência de serviços de suporte qualificados, bem como apoiar o desenvolvimento de modelos de empreendimentos de sucesso. A Endeavor atua ainda junto a investidores, mostrando-lhes o potencial de investimento em empresas em fase de start-up e em desenvolvimento.

g) Franchising: É um modelo de negócios que objetiva estabelecer uma estratégia para distribuição e comercialização de produtos e serviços. Para isto, existe uma relação entre o franqueador (empresa detentora da marca, a qual idealiza, formata e concede a franquia ao franqueado) e o franqueado (pessoa física ou jurídica que adere à rede de franquia, investindo recursos no próprio negócio, que será operado com a marca do franqueador e em concordância com os padrões e regras estabelecidos por ele) (DORNELAS, 2008).

Sumarizando os aspectos apresentados no decorrer desta subseção, o quadro abaixo enumera as principais barreiras e os principais facilitadores ao exercício do empreendedorismo de acordo com seus autores.

Quadro 8 - Principais facilitadores e barreiras do empreendedorismo por autor

AUTOR ASPECTO FACILITADOR/BARREIRA

Facilitadores

Leite (2012) Fracasso como referência para novos empreendimentos; Sucesso através de lições obtidas de erros anteriores. Maximiano (2011) Liberdade; Autonomia; Independência; Possibilidade de

mover-se pelo desafio; Controle financeiro.

Dornelas (2008) Existência de incubadoras de empresas; Sebrae; Assessoria jurídica e contábil; Iniciativas como institutos de pesquisa e empresas juniores; Apoio da Endeavor; Possibilidade de investir em Franchising.

Hisrich, Peters e Shepherd

(2014) Vantagem de custo; Menos rivalidade competitiva; Desenvolver relacionamentos sólidos com fornecedores e canais de distribuição; Melhor posição para atender aos clientes; Aquisição de conhecimento por meio da participação.

Barreiras

Degen (1989) Capital; Conhecimento técnico; Mercado; Exclusividade na obtenção de matérias-primas; Custos de produção; Barreiras legais; Localização geográfica.

Leite (2012) Falta de objetividade; Desconhecimento do mercado em que se pretende atuar; Erros nas estimativas financeiras, Subavaliação de problemas técnicos; Falta de diferenciação dos produtos ou serviços em relação aos concorrentes; Desconhecimento dos aspectos legais do empreendimento; Escolha equivocada de sócios;

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Localização inadequada.

Chiavenato (2012) Fatores econômicos; Inexperiência; Vendas insuficientes; Despesas excessivas; Negligência; Capital insuficiente; Clientes insatisfeitos; Fraudes; Ativos insuficientes. Maximiano (2011) Cenário de instabilidade no ambiente externo;

Sobrecarga de responsabilidades; Convivência com o risco da não lucratividade e da falência.

GEM (2017) Falta de transparência do mercado; Políticas governamentais para criar abertura de mercado; Estrutura do mercado; Competição.

Fonte: Elaborado pela autora (2018).

Conforme ilustrado no quadro, a decisão de empreender perpassa por vantagens e desvantagens, prós e contras que devem ser estudados e analisados pelos empreendedores. É fato que empreender incorre em desafios de grande relevância, portanto é concernente a cada empreendedor o dever de balancear os fatores facilitadores com suas respectivas dificuldades.

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