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Méthodes de traitement des gaz d’échappement

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Há muitos aspectos que ajudam a definir uma revista e seu jornalismo. Esse tipo de publicação traz consigo características peculiares, direcionadas para um leitor específico, como um texto bem elaborado, design cautelosamente pensado, conteúdo que pode ser definido como o reflexo de uma contemporaneidade apresentada a um público imaginado, tão bem idealizado nas mentes de seus editores e jornalistas que se torna uma “realidade sonhada” quando as matérias e reportagens são lidas. Há, no entanto, uma definição mais direta: publicação periódica que contém imagens, reportagens e artigos de interesse daqueles que a compram ou assinam.

Muitos são os autores e pesquisadores que estudam as revistas e, em sua maioria, quase todos chegam ao consenso de que os principais atributos deste veículo de comunicação são: segmentação, periodicidade regular, contemporaneidade, relacionamento próximo com o leitor, design e estética elaborados, texto analítico, interpretativo e mais aperfeiçoado que o de meios que demandam rapidez como o jornal diário, o rádio, a TV e a internet.

A revista é um meio de comunicação com algumas vantagens sobre os outros: é portátil, fácil de usar e oferece grande quantidade de informação por um custo pequeno. Entra na nossa casa, amplia nosso conhecimento, nos ajuda a refletir sobre nós mesmos e, principalmente, nos dá referências para formarmos nossa opinião (ALI, 2009, p. 18).

Complementando o raciocínio de Ali, Scalzo também enumera características que ajudam a definir esse meio:

Uma revista é um veículo de comunicação, um produto, um negócio, uma marca, um objeto, um conjunto de serviços, uma mistura de jornalismo e entretenimento. Nenhuma das definições acima está errada, mas também nenhuma delas abrange completamente o universo que envolve uma revista e seus leitores. A propósito: o editor espanhol Juan Caño define revista como uma história de amor com o leitor. Como toda relação, essa também é feita de confiança, credibilidade, expectativas, idealizações, erros, pedidos de desculpas, acertos, elogios, brigas, reconciliações (SCALZO, 2003, p. 12).

Justamente pela história de seu desenvolvimento como produto jornalístico, a revista vem tornando-se companheira de seus leitores. De origem amadora e forte ligação com a literatura, ela surgiu no século XVII com formato ainda muito semelhante ao de livros. Seu diferencial, no entanto, era trazer diversos textos sobre um mesmo tema assinados por diferentes autores e com ilustrações (TAVARES; SCHWAAB, 2013, p. 29-30). Ao longo de sua consolidação no mercado de comunicação ao redor do mundo, a característica de publicar textos com conteúdos similares entre si, levou a revista a estabelecer uma relação próxima com seu público, normalmente interessado em determinado nicho de temas.

Por sua natureza, a revista cria um vínculo de lealdade com o leitor. É como se houvesse uma espécie de contrato firmado entre ambos, no qual a publicação promete satisfazer necessidades e desejos (às vezes nunca imaginados) dos leitores, e esses, em contrapartida, após ter suas expectativas atendidas, juram fidelidade.

Uma revista é feita para um leitor, produzida em função das expectativas e interesses deste. É a partir das necessidades ou dos desejos dos leitores que as revistas se constroem, e é pelo refinamento das curiosidades e das potencialidades de consumo que se efetiva a lógica da segmentação. (STORCH, 2013, p. 132).

Devido a esta proximidade entre revista e leitor, Scalzo (2003, p. 12) afirma: “quem define uma revista, antes de tudo, é o seu leitor”. Pesquisas de mercado auxiliam na elucidação deste leitor real que, em paralelo ao “leitor imaginado” (STORCH, 2013)

– uma “figura conceitual” presente em diversos elementos do processo editorial –, apontam a linha editorial que conduzirá o produto final.

Por serem destinadas a leitores específicos, as revistas também são, por definição, segmentadas (MIRA, 2001). Ali (2009, p. 20) afirma que as revistas de consumo são divididas em três grupos: revistas de interesse geral (as semanais de notícias, televisão ou celebridades); revistas segmentadas por público (dirigidas a públicos determinados como mulheres, homens, crianças, professores etc); e revistas segmentadas por interesses (de assuntos específicos, como automobilismo, culinária, fotografia etc).

Apesar de a revista sempre ter estado intrinsecamente ligada a determinados públicos, a ideia de segmentação também está relacionada a questões mercadológicas (BUITONI, 2013, p. 107), afinal, como afirma Storch (2013, p. 132), “é pelo refinamento das curiosidades e das potencialidades de consumo que se efetiva a lógica da segmentação”. A revista, apesar de “companheira fiel” de seu leitor, é um produto e, como qualquer produto, é comercializada, enfrenta as lógicas do mercado, possui concorrência e precisa de verba para se manter em funcionamento:

A segmentação é elemento estratégico ao conjugar certos valores e “avalizar” escolhas e identificações de cada publicação com fortes reflexos mercadológicos. A especialização da revista também é fruto da periodicidade, um dos seus maiores fundamentos. Além disso, o serviço oferecido e a especificidade de seu segmento, que, apesar de ser tratado como grupo concreto, é imaginariamente definido, estão sempre inscritos na materialidade de suas páginas. A peculiaridade da periodicidade estipula que a revista, na totalidade de suas partes, mostre seu caráter uniforme (SCHWAAB, 2013, p. 67).

Ao expor a segmentação como uma das estratégias do negócio revista, Schwaab ainda associa essa característica a outra particularidade deste tipo de publicação: a periodicidade. Normalmente semanal, quinzenal ou mensal, a revista apresenta intervalos em suas edições, diferentes dos comumente utilizados na mídia impressa como um todo. Isso interfere na forma como é produzida e consumida, além de criar fidelidade por parte do leitor.

Com relação ao consumo, a periodicidade instiga o leitor a ficar esperando a publicação em datas pré-determinadas. No que diz respeito ao processo de produção, a revista impressa e seu jornalista têm mais tempo (que o rádio, a TV, o jornal e a

internet) para elaborar seu texto e construir interpretações direcionadas ao seu leitor, atendendo, assim, as suas expectativas. A distância de tempo entre o fato e a publicação da revista também possibilita uma diagramação bem elaborada, fotografias especialmente produzidas, assim como infográficos detalhados.

A periodicidade é fator determinante do estilo de texto de uma revista. As revistas de informação geral chegam às bancas do mesmo modo que um sabonete ao supermercado. Por isso precisam de atrativos que as diferenciem do jornalismo dinâmico e veloz de todos os dias. O texto das revistas de notícias é um desses atrativos. Utiliza recursos que, nos limites do posicionamento político-empresarial, são a conciliação da prática de noticiar com a de narrar (VILAS BOAS, 1996, p. 101).

Dessa maneira, enquanto um veículo de comunicação de característica imediatista está preocupado em apresentar um panorama do que acontece agora, a revista tem intenção de se mostrar como proprietária de um conhecimento especializado. Por esse motivo, o texto de revista se propõe a interpretar o fato (VILAS BOAS, 1996), ser analítico, claro, conter informações de qualidade, bem apuradas e, às vezes, exclusivas. Assim sendo, seu conteúdo também pode ousar e estar alinhado a um

design que agrade ao leitor e, ao mesmo tempo, integre o texto:

O leitor não separa texto de arte – para ele, a revista é uma estrutura única. A maioria folheia as páginas e detém-se ao encontrar algo que lhe interesse. Isso requer que as informações-chave sejam percebidas num olhar, para ajudá-lo a tomar sua decisão. Mesmo a matéria mais fantástica pode deixar de ser lida se o design falhar na sua função de emocionar, surpreender, encantar e – sobretudo – de apresentar as qualidade de seu conteúdo e convencer o leitor de que a informação contida no texto vale a pena ser lida (ALI, 2009, p. 96).

Não é à toa que renomados diretores de arte e fotógrafos se destacaram em sua profissão ao criar conceitos visuais de revistas conceituadas mundo afora. Alexey Brodovitch, por exemplo, foi durante quase 25 anos (de 1934 a 1958) diretor de arte da

Harper’s Bazaar e, nesse período, implantou os fundamentos do design da revista

moderna. Já a fotógrafa Annie Leibovitz é mundialmente conhecida por seus retratos. Foi ela quem praticamente estabeleceu a personalidade visual da revista Rolling Stone na década de 1970.

No que diz respeito à relação imagem-texto, Vilas Boas complementa o pensamento de Ali, ao confirmar os aspectos artísticos e possíveis narrativas literárias que uma revista permite:

Numa revista encontramos a fotografia, o design e o texto. Em termos de atualidade, apesar de permanecerem mais tempo nas bancas, as revistas são produtos mais duráveis que os jornais. É preciso lembrar novamente que a revista é mais literária que o jornal no que se refere ao tratamento dado ao texto. Admite usos estéticos da palavra e recursos gráficos de modo bem mais flagrante que os jornais. Além disso, a revista é mais artística quanto aos aspectos de programação visual (VILAS BOAS, 1996, p. 71).

Ao unir estética refinada a um texto que permite variadas formas e caminhos diversos, a revista cria mais um de seus diferenciais com relação aos demais meios de comunicação. Vejamos adiante um gráfico (gráfico 7) que reúne os principais atributos desse tipo de publicação:

Material elaborado pela autora.

Em sua pesquisa sobre revistas, Ryberg (2010) extraiu dos entrevistados outras características que os leitores de revistas atribuem à publicação: as propriedades físicas da revista são atrativas e funcionam como lembranças do que se quer ler, ver ou comprar; é um veículo de comunicação de fácil acesso; é fácil de carregar; não exige cuidados especiais em seu manuseio; dura bastante e é boa para se arquivar; é fácil de compartilhar com as pessoas de casa; estimula a criatividade principalmente por se tornar, após o uso, material para recorte de trabalhos escolares e manuais; constrói identidade e cria grupos de interesses em comum; ajuda a relaxar; entretém; educa; e inspira.

Como visto, muitos são os atributos das revistas. Mas o que acontece com elas quando “saem do papel” e entram no ciberespaço? Para compreender melhor essa transição, é preciso conhecer os aspectos do webjornalismo e a narrativa multimídia.

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