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LISTE DE PAYS

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Consta no PLAMUS que, “em uma metodologia de planejamento integrado, as vias arteriais podem e devem se adensar, porém sua geometria precisa incorporar espaços para que todos os usuários 

(veículos motorizados, não motorizados e pedestres) se locomovam com segurança e conforto. Para tanto, seu projeto deve incluir calçadas largas, ciclovias e espaços exclusivos para circulação de transporte coletivo. Sua velocidade é determinada, não só pela sinalização, mas também pelo seu desenho e tipo de pavimento. O conceito prevê espaços para o trânsito de bicicletas, proporciona melhores condições de uso do transporte público e privado, permite um deslocamento a pé mais confortável, além de criar áreas de convivência para as 

pessoas. A esta concepção de via dá-se o nome de Rua Completa”.

Desta forma, é proposto uma rede de Ruas Completas baseada nas características de uso e potencialidades existentes nas localidades, considerando os usuários de sistema de transporte coletivo e não motorizados como prioridade. A rede de Ruas Completas proposta pelo PLAMUS é apresentada na imagem a seguir:

Intervenções no sistema viário motorizado e não motorizado. Fonte: PLAMUS

Nota-se que, segundo o Plano, a rua Lauro Linhares será uma Rua Completa, fato que será considerado também para dar embasamento à este trabalho e às escolhas de projeto subsequentes.

PERFIL DO

BAIRRO

A obtenção de grande parte dos dados sobre o perfil do bairro foi a partir site da Prefeitura Municipal de Florianópolis (PMF, 2018), censo do IBGE, além de visitas técnicas à região e percepção pessoal adquirida ao longo dos meus 18 anos morando, estudando e trabalhando no bairro.

O bairro Trindade, onde se situa a área em estudo, pertence ao distrito Sede e se desenvolveu sob a encosta do Morro da Cruz (vertente leste). Até a metade do século XIX, a localidade era denominada Trás do Morro, referência à sua localização geográfica. Durante a gestão do governador da província Brigadeiro José da Silva Paes, um caminho foi aberto até a Lagoa da Conceição, para que casais açorianos e madeirenses se fixassem na região que se conhece como Trindade e Córrego Grande (GUIAFLORIPA, 2018). As ocupações iniciais eram predominantemente agrícolas e de pastagens para o gado e por se transformar em uma região relevante ganhou independência passando a ser chamada de freguesia da Santíssima Trindade de Trás do Morro.

A paisagem começa a ser alterada na década de 1960, com a construção do campus da UFSC, desencadeando o processo de urbanização, transformando as características originais do lugar, através de construções de novas ruas e pavimentação de outras, e alterações no zoneamento de uso e ocupação da terra.

Com o passar dos anos o uso do solo do bairro transforma-se completamente, onde, para atender a demanda de estudantes vindos de diversas parte do Brasil para estudar na universidade, condomínios multifamiliares e a necessidade de um comércio que atendesse as necessidades básicas dessa população em expansão, foi crescendo, fazendo com que o bairro se desenvolvesse de forma plena, tanto residencial quanto comercialmente.

O bairro possui uma população de aproximadamente 19 mil pessoas de acordo com o Censo  2010 (considerar uma estimativa de crescimento populacional de 15,33% entre 2010 e 2017, como indica também o IBGE). Destas, cerca de 23% estão entre os 20 e 34 anos de idade e, de acordo com os dados sociais disponíveis na prefeitura da cidade de Florianópolis, o bairro da Trindade é majoritariamente habitado por pessoas de classes sociais média a média alta, contendo algumas zonas especiais de interesse social (ZEIS).  Boa parte da população é universitária, tornando o bairro fisicamente ativo e diversificado culturalmente.

Apenas parando alguns momentos na rua principal do bairro, nota-se a grande movimentação que tem o bairro tanto de pedestres como de ciclistas, veículos particulares e ônibus. Com a população sendo jovem, há grande potencial para se atingir a caminhabilidade. Observa-se que grande parte dos estudantes, professores e servidores da UFSC residem no entorno imediato ao campus, o que demonstra a grande necessidade de vias que priorizem o 

pedestre e os ciclistas, estimulando-os a adotar um dos modais ativos para seus percursos diários.

Definitivamente, o maior polo gerador de tráfego no bairro é o campus da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Sua comunidade é constituída por cerca de 70 mil pessoas, entre docentes, técnicos-administrativos em Educação e estudantes de graduação, pós-graduação, ensino médio, fundamental e básico, e público externo. (ESTRUTURA.UFSC, 2020). Os bairros adjacentes à universidade são em suma habitados por estudantes, porém muitos deslocam-se de grandes distâncias, vindo das cidades próximas, como São José, Palhoça, Biguaçu e Antônio Carlos.

A topografia da região é mista, com planícies e regiões elevadas, indo de locais a nível do mar até locais a mais de 80 metros acima do nível do mar. Quando comparados os traçados das ruas com o traçado dos morros, é possível perceber que muitas vias possuem inclinações elevadas, e que superam os 10% de inclinação. Este fator dificulta a mobilidade ativa num cenário onde não há infraestrutura adequada, mas não impede que se atinja esse resultado, pois cidades que apresentam topografia semelhante têm redes de pedestres e ciclistas de qualidade e muito utilizadas, como São Francisco, nos Estados Unidos.

Altimetria região do bairro Trindade, Florianópolis. Fonte: Geoprocessamento PMF.

De acordo com os mapas disponíveis no site da PMF, a maioria das ruas do bairro não se encontra em regiões alagáveis. Apenas uma pequena região à nordeste pode sofrer inundações. Logo, não é necessário avaliar possíveis projetos a serem implantados na região.

Existem áreas de proteção ambiental no bairro, classificadas como áreas de preservação permanente, de acordo com o zoneamento apresentado no Plano Diretor. Estas áreas caracterizam-se pelas altas declividades e algumas partes já sofrem com ocupação irregular.

O bairro é atendido pelos sistemas de saneamento básico de coleta de lixo separada em orgânicos e recicláveis, e encanamentos de água tratada e esgoto 

doméstico (CASAN, 2020). A poluição do ar foi medida em uma pesquisa da UFSC entre os anos de 2011 e 2014, sendo que, nesse período, a média diária de partículas por milhão ficou em 40 ppm, valor aceitável pelos padrões da OMS de 50 ppm (PORTAL DE NOTÍCIAS UFSC, 2020).

A cidade de Florianópolis já conta com um plano diretor, ele foi atualizado no ano de 2014 com a lei complementar 482/2014. Ele instaura que a região no entorno da rua Lauro Linhares é destinada a uso misto, permitindo adensamento médio com edifícios de até 12 andares. Não são previstos embargos de patrimônio histórico nos edifícios ali presentes. O afastamento mínimo entre a fachada frontal da edificação e a rua é de 4,00 metros medidos do final da calçada até a fachada frontal da construção, 

são observados diversos casos que não acataram os mínimos propostos.

Zoneamento Plano Diretor de Florianópolis. Fonte: Geoprocessamento PMF.

A ocupação do bairro concentra-se  na área plana entre o Morro da Cruz e o Manguezal do Itacorubi. A área é relativamente densa e existem poucos vazios urbanos. Alguns destes vazios fazem parte de instituições que estão presentes no bairro, como a Penitenciária , o Corpo de Bombeiros,a Academia da Polícia Militar e a UFSC. Mais ao norte no mapa, próximo ao Morro da Cruz, as edificações são menores, com 

residências pequenas de até dois pavimentos.

Já os serviços e comércios estão localizados principalmente na Rua Lauro Linhares, o que demonstra a importância da rua para a vivacidade do bairro. Há também pontos comerciais e de serviços em ruas como a Av. Madre Benvenuta, e em ruas de escala menor, pontos que endossam sua característica de centralidade.

A Rua Lauro Linhares é paralela à Avenida Beira-Mar e se inicia no CIC (Centro Integrado de Cultura) e termina na rótula da UFSC. É a principal via do bairro. Por ela circulam muitas linhas de ônibus até a universidade, além de um grande número de veículos, pedestres e ciclistas. Há um comércio já estabelecido e em crescimento, edifícios de escritórios, bares e serviços. O movimento é intenso durante o dia e um pouco mais fraco no período da noite.  No encontro da Lauro Linhares com a UFSC há uma rótula que constantemente causa lentidão no trânsito. Cinco ruas importantes e convergem neste ponto, são elas: Av. Desembargador Vitor Lima (pista dupla que liga à Carvoeira), Rua Lauro Linhares, Rua Prof.ª Maria Flora Pausewang (liga à Beira- Mar), Rua Delfino Conti (Liga ao Córrego e ao Pantanal) e a Rua Roberto Sampaio Gonzaga (uma das ruas de acesso ao campus). Além disso, a posição das faixas de pedestres na rótula contribui para a lentidão na região além de não proporcionar segurança aos pedestres. As faixas de pedestres são inseguras pois estão posicionadas logo na entrada da rótula, impedindo que os veículos possam avançar quando há oportunidade, o que faz com que a maioria dos condutores não respeitem a sinalização horizontal, pondo em risco os pedestres que decidem utilizá-las.

Ainda assim, por ser uma via com uso misto e adensamento médio há acesso a muitas lojas, restaurantes e edifícios residenciais e comerciais, tornando a via atrativa ao deslocamento a pé. As construções são em sua maioria simples e antigas, apenas alguns prédios mais novos aplicam obras de arte local em suas fachadas. A arborização da via 

é apenas aquela que se encontra dentro dos próprios lotes, sendo insuficiente para gerar sombreamento contínuo aos passantes. Não há parques municipais na extensão da via e há apenas uma praça, a Santos Dumont já em seu final. Os aparelhos urbanos se resumem às estações de embarque de ônibus, contando com bancos, lixeiros e proteção para a chuva.

Nota-se também que há poucas áreas verdes de lazer em uma área tão grande. As maiores manchas são as do Morro da Cruz e do mangue, que não tem grandes possibilidades de uso pela população, pois são áreas de preservação.

Dentre os quesitos de segurança, ao longo da Lauro Linhares foi observada a presença de 4 equipamentos de segurança remota por vídeo, que podem ser acessados inclusive pela população através da plataforma Bem-Te-Vi (SSP, 2018). Quanto à iluminação pública, é suficiente e satisfatória, com postes com afastamento médio menor que 30 metros, apenas de um lado da via. Parte do comércio local fecha durante o período noturno, porém a rua é um polo de restaurantes, bares e locais de entretenimento noturno, além dos muitos edifícios residenciais da região. Essa característica garante grande movimento de pessoas durante todo o ciclo diário, inclusive nos períodos após as 22 horas. Fato que colabora com a sensação de segurança ao se caminhar pelo local.

É fácil observar no local a intensa circulação de pedestres devido à atratividade da região. A Universidade, agências bancárias, shopping center, centros comerciais, lojas, 

farmácias, mercados e restaurantes, todos geram a atração de alunos e residentes na região, que pela dificuldade de estacionamento na área, podem muitas vezes preferir realizar as viagens a pé. As travessias de pedestres são todas ao nível do solo e podem ser encontradas em praticamente todas as esquinas além de outros locais estrategicamente localizados, como na frente do Shopping Trindade. Apenas uma travessia é semaforizada e falta sinalização na grande maioria.

Quanto à pavimentação, as calçadas são em sua maioria revestidas com lajotas ou em concreto. A Lauro Linhares é toda recoberta com pavimento do tipo asfáltico, e a grande maioria de suas perpendiculares são em pavimento intertravado hexagonal. A acessibilidade, em sua maioria, não é atendida, tanto pela falta de integridade do pavimento, quando pela dimensão diminuta em vários trechos, além da descontinuidade ou falta de piso táctil e a carência de rampas de acesso.

Observou-se que o uso da bicicleta como transporte no entorno do campus e ao longo da Lauro Linhares é comum, e por não existir infraestrutura cicloviária, as vias são compartilhadas entre os veículos automotores e as bicicletas. Esse compartilhamento da via gera uma situação de risco para as pessoas que utilizam a bicicleta como meio de transporte, visto que as vias são estreitas, além de que há o tráfego frequente de ônibus na região.

A mobilidade urbana em Florianópolis tornou-se um problema sério a partir dos anos 90 com o crescimento populacional, com a falta de planejamento urbano e com a inexistência de políticas de transporte público. Como ocorre na maior parte das cidades brasileiras, o crescimento do mercado automobilístico comanda o desenvolvimento urbano de Florianópolis. De acordo com dados do DETRAN/SC, de cada dez habitantes, aproximadamente 7 possuem um veículo particular.O crescente aumento dos carros nas vias e com a política municipal que prioriza o transporte individual, refletiu também na área de estudo, com constantes congestionamentos. A malha urbana no bairro se identifica pela denominação “espinha de peixe”, pois o bairro nasceu de uma via principal, a Lauro Linhares partindo dela suas ruas que se estendem em forma de espinha com poucas ruas interligando-as, formando quadras muito compridas.

O transporte coletivo por ônibus de Florianópolis é atendido pelo Consórcio Fênix, o qual é o responsável pela operação do Sistema Integrado de Mobilidade (SIM), transportando mais de 5,5 milhões de passageiros por mês. No SIM, o cidadão que tenha o cartão magnético de pagamento da tarifa, tem direito a fazer interligações gratuitas entre ônibus no período de até 30 minutos (SETUF, 2020). Em 2003 foram inaugurados os Terminais de Integração na cidade. As conexões dentro de terminais são gratuitas e sem tempo limite, facilitando e melhorando a mobilidade dentro dos bairros.

Além do SIM, a cidade também conta com o transporte executivo, o qual é feito por micro-ônibus com ar-condicionado que param em qualquer ponto do percurso de acordo com a vontade do passageiro.  De acordo com o Consórcio Fênix, são realizadas em média 9 mil partidas diárias em dias úteis, utilizando 437 veículos para o transporte convencional e executivo, que cumprem 184 linhas.

As distâncias entre as estações de acesso aos ônibus medidas no bairro são em sua maioria menores que o limite de 300 metros proposto pela normatização do ITDP. Porém, algumas regiões do bairro ficam muito distantes da Lauro Linhares, tendo residências a mais de 700 metros do eixo da via. Esse distanciamento gera dificuldade no acesso dos moradores ao transporte público de massa do bairro e acaba por segregar alguns usuários, em sua maioria moradores das regiões de baixa renda, como o Morro da Penitenciária e o Morro da Serrinha.

102 estacionamentos na UFSC, os quais ocupam uma área de 126.694 m². Destes estacionamentos, 78 foram classificados como formais, os quais ocupam uma área de 81.029 m², e 24 estacionamentos foram classificados como informais, os quais ocupam uma área de 45.665 m²; 4.676 vagas de estacionamento para automóveis, sendo 3.248 formais e 1.428 informais;

353 vagas de estacionamento para motocicletas, sendo 310 formais e 43 informais.

Os dados apresentados foram:

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