• Aucun résultat trouvé

3. Travail sur les données et les indicateurs

3.3 Lancement du Comité scientifique et technique (CST)

O sociólogo francês Pierre Bourdieu (2007), na obra “A distinção – Crítica social do julgamento” analisa o processo de diferenciação social visando à elaboração de uma teoria geral das classes sociais, fazendo a correspondência entre práticas culturais e classes sociais. Pretendemos entender como os indivíduos são distribuídos nos espaços sociais e simbólicos de Bourdieu, e quais os fatores determinantes para a classificação.

Segundo Bourdieu (2007), o real é relacional. Desse modo, para analisar as práticas de um grupo é preciso perguntar todas as questões históricas de cada individuo, e não fazer uma leitura do senso comum de um grupo e sua prática. Para compreender a relação entre a estrutura do espaço social e a posição que o indivíduo se encontra, Bourdieu (1996) cria um modelo de diagrama com o intuito de fugir do modo de pensar substancialista, que é o do sendo comum.

O diagrama proposto por Bourdieu demonstra a correspondência entre as “posições sociais (conceito relacional), as disposições (ou os habitus) e as tomadas de posição, as ‘escolhas’ que os agentes sociais fazem nos domínios mais diferentes da prática” (BOURDIEU, 1996, p. 18), por exemplo, na cozinha, no esporte, na música, na política, etc. Deste modo é possível observar e relacionar essas práticas sociais dos agentes à distribuição do capital econômico e cultural.

Portanto, quando Bourdieu (2007) fala da construção do espaço social, diz que este é construído de tal modo que os agentes ou os grupos estão posicionados em função da distribuição dos capitais específicos: o capital econômico e o capital

cultural. Sendo o capital econômico do indivíduo constituído por seus rendimentos e bens negociáveis, podendo ser transmitido como um título e nobreza.

Quanto ao capital cultural, Bourdieu (2015) aponta três formas: o incorporado (um processo de ensino e aprendizagem que implica um investimento de tempo, sendo parte da integrante da pessoa, não podendo ser trocado instantaneamente como uma mercadoria); objetivado (é materialmente transferível e detém qualidades que se define somente na relação com as capacidades culturais que permitem o desfrute de bens culturais, por exemplo, obras de arte); e o institucionalizado (o conjunto de títulos de educação que o indivíduo possui).

Estes capitais referenciam dois princípios de diferenciação pelos quais os agentes têm tanto mais em comum quanto mais próximo estejam nas duas dimensões do capital econômico e cultural, e tanto menos quanto mais distantes estejam delas.

Conforme Bourdieu (2007), as distâncias espaciais no papel são equivalentes às distâncias sociais. Por exemplo, no capital econômico, os possuidores de um grande volume de capital global, como empresários, membros de profissões liberais e professores universitários, opõem-se globalmente àqueles menos providos de capital econômico e de capital cultural, como os operários não qualificados. No entanto, Bourdieu (2007) também leva em consideração o peso relativo do capital econômico e cultural. Por exemplo, os professores (relativamente mais ricos em capital cultural do que em capital econômico) opõem-se de maneira mais nítida aos empresários (relativamente mais ricos em capital econômico do que em capital cultural).

3.3.1 As classes sociais e as práticas distintas e distintivas

Questionado se as classes existem, Bourdieu responde que a existência é de um espaço social, “(...) um espaço de diferenças, no qual as classes existem de algum modo em estado virtual, não como um dado, mas como algo que se trata de fazer” (BOURDIEU, 2007, p. 27). A posição que os agentes ocupam no espaço social, nessas distribuições de capital, pode ser transformada em armas, pois as representações desse espaço e as tomadas de posição nas lutas podem definir em conservá-lo ou transformá-lo.

Quando Bourdieu (2007) refere-se à posição dos agentes no espaço social, ele fala do sistema de variáveis, ao fato de não limitarmos as condições de existência a um nome de profissão, pois, os indivíduos trazem as propriedades pertinentes que se encontram na origem de sua classificação e outras propriedades que foram introduzidas. Logo, as frações de classes, não são só definidas por sua posição nas relações de produção (profissão, renda, nível de instrução), mas também pela proporção e distribuição entre homens e mulheres no espaço geográfico, carregado de princípios de seleção ou exclusão. Entre os demais elementos que influenciam nas frações do interior da mesma classe.

Para Bourdieu (2007) analisar as práticas culturais dos agentes distribuidores em determinados espaços sociais leva em consideração o sistema de variáveis independentes e dependentes. Sendo as variáveis independentes – profissão, sexo, idade, profissão do pai, moradia, etc. – estas que podem ter efeitos muito diferentes. E a variável dependente, por exemplo, a opinião política, pode anunciar disposições que variam fortemente segundo as classes separadas pelas variáveis independentes. Por exemplo, a diferença de opinião política entre empresários e operários.

Logo, sendo uma relação tão estreita quanta aquela que se estabelece, a fim de interpretar adequadamente as diferenças constatadas, entre as classes ou no interior da mesma classe. Por exemplo, o capital escolar – avaliado pelo nível de instrução – e o conhecimento ou prática em campos da música ou pintura, suscita um grau elevado na semelhança da relação entre frequência dos museus e o diploma.

Dentro da perspectiva de Bourdieu (2007) de fração de classes, vimos que a classe e o gênero estão interligados definindo o que tem de mais essencial pelo valor socialmente construído a cada sexo. Sendo assim, a divisão do trabalho entre os sexos assume formas completamente diferentes, tanto nas práticas quanto nas representações. Por exemplo, não é por acaso que as profissões de serviço e de cuidados pessoais, tais como os cabelereiros e esteticistas e, sobretudo, serviços domésticos que acumulam as duas dimensões da definição tradicional das tarefas femininas, ou seja, o serviço e a casa, são praticamente reservados às mulheres. Entretanto, essa divisão do trabalho sexual tende a enfraquecer segundo Bourdieu (2007), quando as mulheres aumentam o seu capital escolar ou cultural. Muitas

vezes o próprio gosto das mulheres e até mesmo a atuação física é modificada, do mesmo modo em matéria de política.

Conforme mencionado, além das classes serem construídas, elas também são classes de trajetórias. A relação entre o capital de origem e o capital de chegada é uma relação estatística de intensidade bastante variável, segundo Bourdieu (2007). Ao comparar as práticas de agentes que possuem as mesmas propriedades e ocupam a mesma posição social em determinado momento, mas separados por sua origem, é feita uma percepção comum de identificação dos novos-ricos ou os desclassificados.

Para o sociólogo, a passagem de uma trajetória para outra depende muitas vezes de acontecimentos coletivos, como guerras e crises, ou acontecimentos individuais, como encontros, ligações amorosas e privilégios. No caso, depende de pessoas que são detentoras de alto capital social, que tem o poder de modificar esse capital, ou a mudança é feita por organizações e intervenções institucionalizadas. A lógica do capital e do mercado para Bourdieu (2007) é a lógica específica do campo, é preciso possuir determinado capital para participar do mesmo, no caso, são as propriedades que estabelecem a relação entre a classe e a prática.

Bourdieu (2007) também tece algumas justificativas para a diferenciação das práticas e estilos de vidas, do fato do indivíduo gostar de determinada coisa e não de outra, de realizar certas práticas específicas. Entre tantas justificativas, uma delas é a distribuição do espaço geográfico socialmente hierarquizado. Por exemplo, para adquirir bens, sejam eles materiais ou simbólicos, o indivíduo depende do acúmulo de capital econômico, cultural e social.

O modelo de Bourdieu (1996) mostra a correspondência entre o espaço das classes construídas e o espaço das práticas sociais, como, por exemplo, o tênis ou o golfe já não sendo atualmente tão exclusivo e associado às posições dominantes da elite como eram antigamente. O sociólogo observa que uma prática inicialmente nobre pode ser abandonada pelos nobres quando ela é adotada por uma fração crescente da burguesia e da pequena-burguesia, de modo inverso, uma prática inicialmente popular pode ser retomada em algum momento pelos nobres.

De acordo com Bourdieu (2007) cada classe de posições corresponde uma classe de habitus (estruturas incorporadas). O habitus é esse principio gerador e unificador das características intrínsecas e relacionais de uma posição em um estilo

de vida único, isto é, em um conjunto unívoco de escolhas de pessoas, de bens e de práticas. Vejamos que os habitus são diferenciados, mas são também diferenciadores, configurando-se em princípios geradores de práticas distintas e distintivas.

Observamos que no exemplo comentado por Bourdieu (1996), o que o operário come, sua maneira de comer, o esporte que pratica e sua maneira de praticá-lo, suas opiniões políticas e sua maneira de expressá-las, diferem sistematicamente do consumo ou das atividades correspondentes do empresário industrial. Portanto, os habitus são esquemas classificatórios, princípios de classificação, princípios de visão e de divisão de diferentes gostos. Logo, Bourdieu (1996) ressalta que esses princípios classificatórios estabelecem as diferenças entre o que é distinto e o que é vulgar, etc.

Entretanto, Bourdieu (1996) observa que o princípio não é único, por exemplo, “o mesmo comportamento ou o mesmo bem pode parecer distinto para um, pretensioso ou ostentatório para outro, e vulgar para um terceiro” (BOURDIEU, 1930, p. 22). Do mesmo modo, as práticas populares têm como princípio a escolha do necessário, mostrando por meio de frases típicas, por exemplo: “isso não é para nós”, o sentido prático e funcional. Porém, ao mesmo tempo impõe-se uma necessidade econômica e social que condena as pessoas simples a um gosto modesto.

A teoria de Pierre Bourdieu sobre as classes sociais e as práticas distintas e distintivas dos agentes sociais, apresentadas neste capítulo, é a base teórica desta dissertação. Portanto, é por meio da articulação entre as posições sociais dos leitores, com a noção de seus habitus e as tomadas das práticas referentes à compra e leitura do jornal DG, que propomos construir a definição de classe popular deste grupo específico, de modo que desvie dos parâmetros das pesquisas econômicas.

O capítulo IV tratará dos procedimentos de pesquisa para o desenvolvimento da, ou seja, as ferramentas metodológicas.

Documents relatifs