Em decorrência da revolução informacional vivida atualmente, surge também a economia da informação. A qual gera diversos produtos que, conforme cita Stewart (1999, p. 152), “desde 1985, o valor do comércio internacional cresceu duas vezes mais rápido do que o valor da produção de bens e serviços mundiais”. O mercado financeiro cresce com o volume de informações disponíveis e, neste meio, a informação sobre o dinheiro acaba por se tornar mais valiosa do que o próprio dinheiro. Denota-se, desta forma, a importância do produto das organizações baseadas em conhecimento.
É possível verificar a coexistência entre a economia baseada em tangíveis e a baseada no intangível, como resultado há uma existência e interação constante entre estas conforme a afirmação:
Os ativos intangíveis – o capital intelectual em suas manifestações humana, estrutural e do cliente – podem apoiar muito o trabalho de prospecção de petróleo, bem como o trabalho de comercialização de instrumentos financeiros que não são encontrados na natureza; por outro lado, os proprietários e funcionários do negócio menos concreto sabem que não é possível se alimentar de bytes. Stewart (1999, p. 152)
Ao evidenciar essa interação em larga escala é possível verificar os impactos causados na economia globalizada. Dessa forma, torna-se importante conhecer o contexto e as características da economia atual porquanto ela pode ser vista como uma base sobre a qual a estratégia organizacional se expande, não obstante a qualidade do processo decisório organizacional depende da compreensão da conjuntura global.
Ainda, é possível destacar que, a convergência tecnológica tem impulsionado a produção e a distribuição de bens e serviços, o que torna ainda mais relevante o fator competitividade. Neste sentido, a produtividade de uma empresa pode ser influenciada por condições externas da organização, que são muitas e variadas e, de acordo com Milkovich e Boudreau (2000, p. 30), “as mais importantes seriam, talvez, a crescente pressão da competição, tanto local como global, e o dramático desenvolvimento tecnológico”. Isto tem
afetado as empresas, tem impulsionado-as para mudanças, neste sentido Rocha-Pinto et al. (2007, p. 17) comenta que “a diferenciação que tem ocorrido entre as empresas tradicionais e as novas organizações são as respostas que estas têm dado às pressões das mudanças no macro- ambiente organizacional”.
Além da qualidade da reação que as organizações demonstram em função das pressões competitivas, para Kelly (2001), a empresa tem que se adaptar internamente para competir num cenário de constantes mudanças, ela também tem que refletir acerca da “imagem do futuro cliente e do futuro funcionário”, pois para o autor haverá uma plena interação em um modelo de empresa que agir conforme uma rede. Sendo assim,
essa idéia implica muitas peças interligadas, ninguém ocupando posições privilegiadas ou um posto central e todos na periferia. A essa descrição sucinta da futura reformulação da empresa devem-se acrescentar as tendências que definem o funcionamento de cada rede em particular e da economia em geral. Kelly (2001, p. 24)
Neste cenário, permeado por redes, verifica-se que a tecnologia exerce um papel importante nas mudanças vividas. Entretanto, elas são originadas a partir da reflexão de pessoas envolvidas num processo lógico, onde há além de um envolvimento de capital humano, o uso de tecnologias, como microprocessadores, chips entre tantos outros que adquirem valor em função da interconexão existente. Além disso, o advento e melhoramento referentes à internet potencializaram as interconexões, portanto conforme Kelly (2001), “hoje vivemos a revolução das comunicações, que no ambiente interligado já descrito representam o cimento da nova cultura e da nova sociedade”. É válido destacar que, atualmente, quando se fala em melhoria contínua de comunicações, trata-se não apenas de uma questão de infra- estrutura, mas sim de interconectividade uma questão fundamental, básica e essencial.
Nessa interação constante, destaca-se o papel das novas tecnologias de informação e comunicação (NTICs) e as diversas novidades que estas introduzem na vida social deste início de milênio. Para Martins e Imasato (2008, p. 11), neste universo “estão as poderosas ferramentas de armazenamento, processamento e transmissão e interação multimídia de dados, em níveis, velocidade e alcance espacial jamais conhecidos”.
É nesta visão, de interconectividade, que está um dos destaques da nova tecnologia digital, a possibilidade de se utilizar em organizações, escolas e em lares, por exemplo, a interatividade, acessível pela televisão digital. Pois, de acordo com Tapscott (2001, p. 21) antigamente estes meios eram vistos como de mão única, onde não havia controle por parte do usuário. No entanto, uma das principais conseqüências da revolução digital é o impacto da
digitalização e da interconectividade, que acabam por exceder limites e não influenciam mais apenas pessoas e organizações, ela vai mais além e alcança o conceito de nação. Para Negroponte (2001, p. 15):
os países nasceram e se desenvolveram, em geral, com base no fator geográfico, ou seja, um fator diretamente relacionado com os átomos, tal como os acidentes topográficos ou as demarcações naturais produzidas por montanhas, rios, vales ou oceanos. Hoje as demarcações digitais passam por outro vetor e são tanto locais como universais.
Em virtude do exposto, é possível entender um mundo tecnologicamente sem barreiras, o que possibilita uma série de ações, nos mais diversos campos, seja cultural, social, científico ou organizacional. Não obstante, além da convergência tecnológica, há também expressões como “economia do conhecimento” e “sociedade da informação” que refletem mudanças do campo da ciência e tecnologia, neste sentido para Amaral (2003, p. 83)
a digitalização da informação, conjugada à relativa democratização dos meios de comunicação e transmissão de dados, com reduções drásticas nos custos e nas barreiras de acesso a esse novo mundo em rede, altera tudo de uma só vez, produzindo o fenômeno da convergência.
Verifica-se então que não há mais barreiras para a informação, desde que ela seja combinada aos meios de comunicação e transmissão de dados. Conseqüentemente o conhecimento poderá ser partilhado por uma organização estando ela reunida sob o teto de um escritório local ou dispersa pelo mundo, assim como também pode estar disponível para uma dada cadeia de valor. Dessa forma, torna-se tarefa econômica de grande valor para indivíduos, empresas e países, organizar e gerir o conhecimento. Neste sentido, Stewart (1998, p. 12) argumenta que o conhecimento “tornou-se o principal ingrediente do que produzimos, fazemos, compramos e vendemos. Resultado: administrá-lo – encontrar e estimular o capital intelectual, armazená-lo, vende-lo e compartilhá-lo”.
Em virtude disto, verifica-se que é cada vez mais evidente o uso intenso da informação. Seja em um setor, empresa ou organização, que não tenha passado a fazer uso ou que não tenha se tornado dependente do conhecimento, como fonte de atração para consumidores e clientes, e da tecnologia da informação, como instrumento gerencial. Porquanto, o recurso conhecimento é um bem fundamental às organizações, e, em virtude disto deve ser valorizado e utilizado, de forma apropriada.