PARTIE VI : CONSTRUIRE UNE BATTERIE RENOUVELÉE D’INDICATEURS
ANNEXE 3 : D IVERSITÉ DES FORMES D ' EMPLOI : LES ENJEUX DE LA QUALIFICATION ET DE LA QUANTIFICATION
A diretora pedagógica Izabel explica a sua impressão sobre a organização da supervisão e da orientação das atividades dos professores, expondo os critérios adotados para desempenhar tal tarefa.
São divididas por ano e pela supervisora. E aí, por exemplo, o professor é do primeiro ano, tem a supervisora do primeiro ano que faz essa orientação, essa supervisão, a partir da análise das provas, da análise dos materiais
(Izabel – diretora pedagógica).
A declaração de Izabel demonstra que, na prática, a tarefa de supervisionar e orientar os professores e alunos é desenvolvida apenas pelo SOESP. Todavia, conforme consta no artigo 28, incisos IV e V, do Regimento Escolar do CTPM/JF, compete também ao diretor pedagógico coordenar e supervisionar as atividades de ensino e aprendizagem, orientar e coordenar o trabalho dos docentes. E cabe ao vice-diretor pedagógico do turno “auxiliar o diretor pedagógico no desempenho de suas funções” (MINAS GERAIS, 2014, p. 18).
Mariana descreve a sua função mencionando que é
(...) olhar como que está o desenvolvimento dos alunos, acompanhar a questão de nota, disciplina. (...) Acompanhar a metodologia que os professores estão utilizando, acompanhar o planejamento de provas, de atividades, se alguma coisa estiver errada ou eu achar que não está legal, aconselhar o professor: “Olha professor, tem essa, essa e essa possibilidade, vamos tentar fazer de forma diferente?”. Reunir com os pais, chamar pai para conversar, para explicar, orientar. Incentivar grupos de estudo, fazer reuniões gerais (Mariana – SOESP).
Desta forma, as tarefas do SOESP envolvem articulações com os alunos, os professores e os pais, além dos aspectos pedagógicos da escola. De acordo com a professora Viviane, para supervisionar e orientar as disciplinas,
(...) tem um momento aqui na escola que a gente se encontra com a coordenadora - em que ela passa esse tipo de orientação e nós, na outra semana, retomamos os pontos discutidos na semana anterior, entregamos o material (Viviane – professora regente de turma).
Mesmo diante desse espaço, segundo a professora de Língua Inglesa, a disciplina sob sua responsabilidade não possui assistência.
No momento não, no momento não. (...) Porque acho que não está tendo tempo. A demanda do setor pedagógico, que é o SOESP, não está tendo tempo de ter condições de sentar com o professor e ver o que está sendo pedido, quais são os pré-requisitos e ver se eles estão realmente sendo trabalhados e se estão realmente consolidados. Eles não estão tendo tempo para fazer esse tipo de avaliação (Verônica – professora de Língua Inglesa).
Verônica aponta a falta de tempo como o maior entrave para o SOESP acompanhar as atividades da Língua Inglesa. A respeito disso, a professora Camila diz que
(...) a escola ela tem tanta preocupação administrativa de informações, que acaba que o pedagógico é relegado a um segundo plano. Apesar de ter uma administração pedagógica, uma direção administrativa, SOESP, que é para cuidar de questões pedagógicas, acaba que isso é levado para o segundo plano. Ou por questão disciplinar ou porque outras demandas vão desorganizando o trabalho (Camila – professora regente de turma).
Os relatos dos entrevistados indicam algumas deficiências no acompanhamento das ações docentes, como o não envolvimento da equipe diretiva nesse processo, a falta de tempo do SOESP para o cumprimento dessa função, o não atendimento a todas as disciplinas e o excesso de demandas administravas que interferem na execução das tarefas pedagógicas. Desta forma, é importante que o CTPM/JF efetive a supervisão e orientação da parte pedagógica, buscando soluções para os problemas citados pelos profissionais. Dada a existência da direção administrativa, esta deve ficar responsável pelas questões burocráticas e organizacionais que não estão diretamente ligadas à parte pedagógica.
Segundo a professora Simone, a supervisão e orientação do cotidiano da Educação Física é
Nenhuma. O que a gente faz, os professores às vezes, quando dá, porque o horário ainda é complicado, trocar informações, trocar ideia, conversar um com o outro, porque com coordenação e direção...é nenhuma. (...) Às vezes você precisa de alguma coisa e você não consegue. Às vezes você precisa de um respaldo, não tem ninguém para te dar esse respaldo e a gente, às vezes, fica meio perdido mesmo no contexto da escola (Simone – professora de Educação Física).
Isso demonstra que a Educação Física é desassistida pelos setores responsáveis por tal tarefa no colégio. Os obstáculos enfrentados pela disciplina são confirmados nas falas da diretora pedagógica e de uma das supervisoras, tornando evidente o distanciamento da equipe gestora no trato com a Educação Física.
E Educação Física é mais uma dificuldade que elas [SOESP] têm de fazer essa orientação, porque elas têm que observar suas aulas, presenciar as aulas e nem sempre a gente tem esse tempo de todas as aulas estarem lá passando (Izabel – diretora pedagógica).
(...) Por exemplo, Educação Física eu não posso chegar e falar para você sobre um conteúdo de dança, né? Não sei...de vôlei e falar, assim: “- Você está ensinando vôlei errado”. Eu não sei. Porque é um assunto específico da aula de Educação Física, mas às vezes eu posso te ajudar na questão de metodologia, né? Ou te pedir até apoio: “- A turma lá do quinhentos e tal, está com muito problema de noção espacial, eles não estão sabendo localizar limite, lateralidade. Você tem como ajudar em alguma aula sua? Vamos conversar”. Então eu sinto falta desse momento até junto com os professores do quinto ano (Lívia – SOESP).
presentes na disciplina de Educação Física, o colégio ainda não desenvolveu estratégias objetivas para desempenhar tal atitude. Declaro isso porque o CTPM/JF usa as diversas atividades impressas como critério para acompanhar as disciplinas. Devido à quantidade reduzida de materiais escritos produzidos pela Educação Física e graças a não aplicação sistemática dos mecanismos tradicionais de avaliação, como as provas e trabalhos em volume semelhantes aos demais conteúdos, a escola não possui parâmetros para estabelecer a forma de supervisionar e orientar essa disciplina. Contudo, conforme dito por Lívia, mesmo não dominando a teoria da Educação Física, o SOESP pode contribuir com o referido componente curricular, bem como o contrário, por meio dos depoimentos sobre a aprendizagem dos alunos durante as tarefas da disciplina.