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4. Ispace and Rspace

4.3. Information Space (Ispace)

4.3.1. Ispace of a set of X

O estudo aqui apresentado teve como objeto os Trabalhadores nos canteiros de obras da UHE Belo Monte, no período de 2011, 2012 e 2013, tendo como foco principal a categoria trabalho e sua relação com o campo da saúde e das políticas públicas. Numa abordagem qualitativa e na perspectiva interdisciplinar, como sugere Minayo (2004), a pesquisa no campo da saúde-doença não é isenta de significados e intencionalidades e busca a compreensão e apreensão do fenômeno social.

Nesse sentido, o estudo fundamenta-se nos pressupostos epistemológicos qualitativos em que o conhecimento obtido no processo de construção dos acontecimentos da realidade é interpretativo e perpassa pela comunicação dialogada entre o pesquisador e os pesquisados (REY, 2005).

A metodologia para a construção do trabalho crítico possibilita a transformação dos sujeitos imbricados e o engajamento no trabalho permite uma compreensão e apreensão da realidade. Assim, o condicionamento histórico do pensamento engendrado reflete o determinismo e as ideologias, e o caminho percorrido fundamenta-se nos conhecimento científicos e metodológicos, tendo por base as concepções teóricas (MINAYO, 2004).

A trajetória percorrida para a elaboração do trabalho de dissertação foi realizada em duas etapas. Na primeira etapa, realizou-se pesquisa documental; na segunda, fez-se a pesquisa de campo.

Na pesquisa documental, buscou-se analisar, sistematizar e descrever as informações contidas em estudos de instituições públicas, acadêmicas e de comunicação, sendo organizadas em três dimensões:

1) Comparativa das ações estabelecidas no EIA, chamadas de condicionantes da saúde, contidas no Painel de Especialistas (2009), observando as falhas destacadas por pesquisadores no que tange às inconsistências relativas ao campo da saúde e políticas compensatórias, e ainda os processos judiciais por descumprimentos legais por parte dos empreendedores da UHE Belo Monte;

2) Sistemática das informações dos jornais, especialmente na internet, sobre as greves, denúncias e reivindicações dos trabalhadores da UHE Belo Monte nos últimos três anos, com um breve contraste com outras UHE construídas e/ou em construção na Amazônia;

3) Analítica dos relatórios de três fiscalizações do MTE nos canteiros de obras da UHE Belo Monte, com observações críticas das autuações sobre as construtoras, relativas às precariedades das condições de saúde e de trabalho nos canteiros de obras da UHE Belo Monte.

Após definição do objeto de estudo, do caminho em busca dos dados e os instrumentos a serem utilizados na pesquisa, foram realizadas visitas ao Departamento de Segurança e Saúde no Trabalho (setor de fiscalização) do MTE superintendência de Belém, por meio do contatado com o senhor Jomar Sousa Ferreira Lima, Auditor-Fiscal do Trabalho, responsável pelas fiscalizações das obras de infraestrutura. Em seguida, foi encaminhado documento formalizando o pedido de documentos relativos às fiscalizações realizadas nos anos 2012 e 2013. Esse órgão

disponibilizou os relatórios das fiscalizações realizadas nos períodos de agosto e dezembro de 2012 e março de 2013.

A pesquisa de campo realizou-se entre 09 e 24 de julho de 2013, com a coleta de dados por meio de entrevistas ao grupo de trabalhadores dos canteiros de obras da UHE Belo Monte, somando um total de 25 sujeitos entrevistados, selecionados de forma aleatória. Dos 25 entrevistados, 18 eram moradores de Altamira, dois eram moradores do município de Brasil Novo e cinco eram de outros Estados. Do total de entrevistas, apenas duas foram realizadas no Centro de Atendimento à Saúde do Trabalhador (CAT) do CCBM, no Sítio Belo Monte, devido o curto tempo da visita naquela unidade de saúde. As demais foram realizadas nos domicílios dos trabalhadores e na casa Roxa36

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Nas instituições públicas de Altamira, foram entrevistados sindicalistas, promotores e defensores públicos, fiscais do trabalho e líderes locais. Sendo que algumas entrevistas foram gravadas e posteriormente transcritas. O diário de campo também foi utilizado como registro das informações coletadas.

Durante a estadia em Altamira para a pesquisa de campo foram observados acontecimentos importantes como manifestações públicas dos movimentos sociais com denúncias e reivindicações. Na ocasião (11/07/2013), o Movimento Xingu Vivo Para Sempre recebia os membros da Comissão dos Direitos Humanos do Parlamento Europeu.

Para a realização das entrevistas foi utilizada como estratégia inicial uma visita à turma do Curso de Etnodesenvolvimento da UFPA - Campos de Altamira. Naquela oportunidade a professora Rosa Acevedo me apresentou aos alunos e informou sobre o objetivo da visita que seria iniciar formação de uma rede para possíveis contatos com trabalhadores dos canteiros de obras que pudessem e aceitassem conversar sobre as condições saúde dos operários da UHE Belo Monte com a finalidade de coleta de informações para a elaboração do estudo científico. A partir daí algumas alunas manifestaram interesse em colaborar, forneceram seus contatos e informaram alguns endereços de trabalhadores da CCBM para vistas e realização de entrevistas nos domicílios.

O fato de eu já ter um prévio conhecimento de pessoas da administração municipal e da sociedade civil altamirense facilitou significativamente os contatos e o

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Pousada onde os trabalhadores demitidos ficam hospedados enquanto aguarda para receber a os recursos de recisão de contrato com empregador.

acesso às instituições, cito como exemplo, na minha visita ao hospital Santo Agostinho o Diretor, Dr Francisco Canedo, ao me reconhecer, permitiu visitar as enfermarias, onde foi possível realizar entrevistas com os pacientes internados.

O acesso ao Sitio Belo Monte, foi possibilitado após contato com o Sr Avelino Ganzer, Representante do Governo Federal na Região de Altamira. Na ocasião da vista ao escritório de governo, após meus esclarecimentos acerca dos objetivos do estudo o Sr. Ganzer disponibilizou e colaborou para efetivação dos contatos com dirigentes do CCBM. A partir daí foi viabilizado, por parte da empresa, a visita ao Centro de Atendimento ao Trabalhador (CAT) do CCBM, no Sítio Belo Monte que aconteceu, na manhã do dia 24 de julho de 2013.

Por outro lado, também houve dificuldades para a realização das entrevistas, especialmente para encontrar os trabalhadores nos domicílios, muitas vezes no momento da visita o trabalhador não se encontrava em casa, e foi necessário retornar em outro momento. Também aconteceram casos em que alguns trabalhadores não se sentiam a vontade para informar sobre as situações de trabalho, certamente por medo de sofrer perseguições ou de ser demitido.

As entrevistas com os trabalhadores, em sua maioria, foram realizadas nos domicílios em horário de folga do trabalhador; algumas foram feitas no ambiente hospitalar (um total de oito) e duas foram feitas no ambulatório de saúde da CCBM, no Sítio Belo Monte. Todos trabalhadores entrevistados eram contratados pela Empresa CCMB, sendo que sete já haviam sido demitidos.

Os entrevistados selecionados aleatoriamente foram preferencialmente trabalhadores que tinham adoecido em algum momento do seu tempo de trabalho na construção da UHE Belo Monte. Alguns trabalhadores se recusavam a conversar, se mostravam preocupado com o que poderia acontecer com eles. Um trabalhador chagou a dizer: - “mas não vai pegar nada para mim”? No hospital Santo Agostinho alguns trabalhadores que estavam internados chegaram a cobrir todo o corpo, inclusive a cabeça, por medo de aparecer nas fotografias.

Muitas vezes, no momento da entrevista, os trabalhadores já indicavam outro trabalhador conhecido seu, que também tinha alguma situação de adoecimento ou sofrido acidente de trabalho.

Para o registro dos dados no trabalho de campo que serviu para a descrição dos casos de adoecimento e acidente de trabalho, bem como para conformação dos

riscos à saúde dos trabalhadores, adotou-se a técnica padronizada de coleta de dados, utilizando um formulário semiestruturado com perguntas abertas e fechadas; durante as entrevistas eram anotadas as respostas do entrevistado, o que facilitou a obtenção de dados para a análise da pesquisa. Fez-se o registro fotográfico daqueles trabalhadores que concederam autorização (SIMONIAN, 2006).

Sempre antes do início da entrevista, era informado ao trabalhador o objetivo da pesquisa e solicitado autorização após leitura e assinatura do Termo de Consentimento Livre Esclarecido (TCLE), como estabelece a Resolução 196/96 do Ministério da Saúde (MS) que trata dos requisitos para pesquisa com seres humanos. O projeto de pesquisa foi apresentado no sistema Plataforma Brasil37

do MS, o qual foi aceito e informado a autora, por e-mail, no dia 23 de dezembro de 2013.

A distribuição por sexo e faixa etária ficou assim: dos 25 trabalhadores entrevistados, seis são do sexo feminino e 19 do sexo masculino. A maioria, jovens, entre 21-31 anos, um total de nove; entre 32-42, um total de seis; entre 43- 53 um total de oito; e acima de 54 um total de dois (um com 56 anos e outro com 69 anos).

Na análise dos dados obtidos nas entrevistas verificou-se que os trabalhadores enfrentam riscos à sua saúde no ambiente laboral, pois ocorrem situações de adoecimento e acidentes de trabalho. Eles relataram ainda as situações de precariedade das condições de trabalho e as dificuldades no atendimento aos problemas de saúde, tanto da Empresa como do Sistema Único de Saúde (SUS).