C. En terme d’adaptation thérapeutique 97
3. Instauration du THM 100
Segundo estudiosos sobre o assunto no Brasil, não existe uma data específica para datar o início desta atividade Para eles, o principal motivo é a dimensão territorial de nosso país.
Mas para Zimmermann (1996), o pioneiro é o município de Lages, no Estado de Santa Catarina, segundo o autor:
Esta região, antes de ser considerada a capital nacional desse tipo de turismo, era somente um local de parada na travessia do Planalto Serrano catarinense para o Estado do Rio Grande do Sul. A base de sua economia era a pecuária praticada nas inúmeras propriedades existentes e a exploração da madeira. Com a escassez da madeira nativa, foram necessárias mudanças e, em 1986, alguns produtores resolveram diversificar sua área de atuação, abrindo a propriedade rural para visitantes que vinham passar o fim de semana e vivenciar o dia-a-dia da fazenda. Inicialmente, o visitante chegava à propriedade pela manhã para tomar o café e nela permanecia até o anoitecer, participando das atividades como a tosa das ovelhas, a doma dos potros, inseminação artificial, entre outras atividades. Posteriormente, essa atividade foi denominada “agroturismo”, surgindo outras como as de fazendas-hotéis ou hotéis-fazendas, que forneciam pouso aos turistas.
Esta iniciativa deu certo e em pouco tempo foi implantada como um diferencial ao desenvolvimento das populações rurais em várias localidades do país.
No meio rural brasileiro, segundo Graziano da Silva e Campanhola (2000 p.145) a principal modalidade de turismo rural é o agroturismo, que esses autores definem como:
atividades internas à propriedade, que geram ocupações complementares às atividades agrícolas. Exemplos: fazenda hotel, pesque-pague, fazenda de caça, pousada, restaurante típico, vendas diretas do produtor, artesanato, industrialização caseira e outras atividades de lazer ligadas à vida cotidiana dos moradores do campo.
É de grande relevância observar que a exploração do turismo rural deve ter sempre o caráter de complementaridade. A atividade agrícola realizada nas propriedades não deve ser abandonada, além de ser mais um atrativo para o turista que pode participar ativamente do trabalho na agricultura e ficar sabendo que os alimentos consumidos nas refeições provêm do estabelecimento visitado é ainda mais estimulante. Também é fundamental esclarecer sobre a sazonalidade que pode existir na atividade turística. Não podendo ser o turismo rural atividade exclusiva dos pequenos proprietários.
Segundo a Embratur (Empresa Brasileira de Turismo), o turismo rural é uma atividade desenvolvida no campo, comprometida com a atividade produtiva, agregando valores a produtos e serviços e resgatando o patrimônio natural e cultural da comunidade. Isso significa que, para ser enquadrado como turismo rural, o empreendimento deve ser e não apenas "parecer" um sítio ou fazenda.
Ao elaborar o Manual operacional do turismo rural em (1994), a Embratur, definiu o turismo rural como:
atividade multidisciplinar que se realiza no meio ambiente, fora de áreas intensamente urbanizadas. Caracteriza-se por empresas turísticas de pequeno porte, que têm no uso da terra a atividade econômica predominante, voltada para práticas agrícolas e pecuárias. Silva, Vilarinho e Dale (apud ALMEIDA, FROEHLICH e RIEDL, 2000 p.19).
Com isso, o turismo rural envolveria as seguintes atividades/produtos:
• Caminhadas, visitas a parentes e amigos, visitas a museus, galerias e sítios
históricos;
• Festivais, rodeios e shows regionais, esportes na natureza, visitas a
paisagens cênicas/ fauna e flora;
• Gastronomia regional, artesanato e produtos agroindustriais, campings,
hotéis-fazendas, albergues, spas e outros.
Durante a década de oitenta, o turismo como atividade econômica foi amplamente criticada, por trazer conseqüências irreversíveis tanto para a população local quanto para os ecossistemas. Como críticas a essa situação, surgem as novas propostas de alternativas ecologicamente mais benéficas para satisfazer as necessidades do turismo de massa: o chamado turismo rural.
Para o caso brasileiro, Graziano da Silva e Campanhola (2000), apontam que o turismo rural pode ser considerado como uma alternativa promissora para o aumento nos níveis de ocupação e ganho da população rural, devido não somente ao próprio setor, mas também às alternativas relacionadas ao turismo, como é o caso do comércio e de outros serviços. Na realidade, toda comunidade rural acaba se beneficiando devido às melhorias na infra-estrutura e nos serviços públicos que são trazidos pelas implementações das atividades turísticas.
Nos últimos anos, o meio rural brasileiro passou por profundas mudanças, seja no que diz respeito a aspectos ocupacionais, seja na interpretação de sua noção ou significado contemporâneo. Fazem parte destas transformações as “novas definições” atribuídas ao meio rural (turismo, casas de segunda moradia, lazer, etc.), alterando muitas vezes não somente a paisagem, mas também as relações e os significados sociais no espaço agrícola.
De um lado, a necessidade de produtores rurais, principalmente os pequenos e médios proprietários, em busca de alternativas para diversificar, aumentar a fonte de proventos e agregar valor aos seus produtos. Por outro, os visitantes buscando novas experiências longe dos grandes núcleos urbanos, desejando conhecer outros modos de vida e culturas não corriqueiras. Assim, a promoção de atividades de turismo no meio rural pode propiciar a satisfação dos turistas, bem como a dos produtores rurais, firmando-se como alternativa para o desenvolvimento local e para a conservação dos aspectos culturais e ambientais.
Para Almeida (1999), o verdadeiro turismo rural tende a se desenvolver a partir de uma iniciativa local baseada nos recursos naturais e culturais existentes, criando rendimentos complementares e infra-estruturas terciárias de interesse da população rural, buscando manter o equilíbrio entre os sistemas ecológicos, socioeconômicos e culturais do espaço rural.
De acordo com Graziano da Silva e Campanhola (1999), a implantação do turismo rural e o diálogo com as comunidades devem ser intensos e abertos, que contemplem visões diferentes do mundo e encontrem caminhos não vislumbrados apenas por uma ótica, tendo que existir uma interação entre as diferenças e a valorização da diversidade. Isto é especialmente verdadeiro para o rural brasileiro, que possui reconhecida heterogeneidade socioeconômica e ambiental.