3 EVALUER LES PUBLICATIONS SCIENTIFIQUES ?
2.3 Une initiative française : un opérateur nommé HAL
O domínio da ‘causalidade’ ocupa um lugar central neste trabalho, constituindo- se, mesmo, como objecto de análise e reflexão. Como já foi comprovado, no capítulo 3.1, a abrangência e influência da causalidade e das relações que implica é inquestionável. Trata-se de um domínio com grande expressividade, do ponto de vista filosófico, razão pela qual tem sido sujeito, ao longo dos tempos, a inúmeras reflexões e debates. Do ponto de vista do interesse desta investigação, o foco recairá, não tanto na vertente filosófica inerente ao conceito de ‘causalidade’, mas sim na análise dos efeitos linguísticos decorrentes da expressão de relações de causalidade em corpora técnicos. Inerente a todo o processo está, não só a análise dos efeitos sintácticos decorrentes da expressão de relações de ‘causa / efeito’, mas também a determinação da terminologia a usar, no domínio da causalidade. Este aspecto revela ser essencial, dado que, entre os vários autores referenciados relativamente a este assunto, nem sempre há consenso quanto aos termos usados.
Dos inúmeros conceitos abordados ao longo da leitura das referências bibliográficas sobre ‘causalidade’ serão aqui retratados, em primeira análise, aqueles considerados fundamentais para a percepção de relações ditas causais. Verifica-se que, apesar de, na generalidade, haver coincidência de termos, usados pelos vários autores, para os mesmos conceitos, nem sempre essa coincidência é total. O exemplo que se segue demonstra-o. Autores como Mateus et al. (2003: 711) e Vilela (1995: 284) optam pelo termo ‘causalidade’ para designar os domínios em que opera e todas as especificidades inerentes ao conceito que representa. Salmon (1998: 3) introduz o conceito de causalidade, através do termo “causality”, o que, de resto, é também feito por Shibatani et al. (1976: 57), quando se referem à noção de “causality of decision”. Constata-se que outros dos autores referenciados, nomeadamente, Collins et al. (2004) não mencionam, sequer, o termo “causality”. Em vez disso, optam pelo termo “causation” (2004: 39). À primeira vista, poder-se-ia considerar que “causation” é um sinónimo de “causality”, e que ambos os termos são usados para designar o mesmo conceito. Contudo, ao confrontar as obras referenciadas, facilmente se conclui que tal não é possível, já que Shibatani et al. (1976: 11) recorrem, para além de “causality”, ao termo “causation”, aplicando-o de forma ligeiramente diferente. É, precisamente, em Leung (2002: 3) que ficam esclarecidas as diferenças entre ambos os termos. O autor revela que “causation” é um termo do domínio da metafísica, enquanto “causality” é o
termo usado no âmbito da epistemologia. Em termos práticos, ambos os termos têm referentes comuns, apesar de se movimentarem em domínios ligeiramente diferentes, o que é visível nas palavras de Leung (2002: 3), quando refere o seguinte:
“Causation in reality is about the physicality of observed events in nature having the ‘power’ to cause or affect something else (…) causality itself is concerned with our prime understanding of how and what things or events are appointed as causes or effects in a necessary connection.”
Leung (2002: 3)
De forma simplista, poder-se-á concluir que “causation” é um termo que designa um processo, retratado do ponto de vista científico, pela metafísica. “Causality” designa o acto de percepção relativo à relação entre objectos e acontecimentos, e à constatação de causas e efeitos decorrentes dessa conexão, correspondendo, também, à noção de “causalidade”, abordada pelos autores portugueses referenciados. Ao longo deste trabalho será o termo do domínio da epistemologia, ou seja, “causalidade”, o mais usado.
Outros dos termos chave no domínio da causalidade são “causa” e “efeito”, os quais são referenciados, tanto por Vilela (1995: 284), como Mateus et al. (2003: 712) e cujos correspondentes, em língua inglesa, são “cause” e “effect”, tal como mencionam Salmon (1998: 298), Collins et al. (2004: 9) e Shibatani et al. (1976: 120).
De seguida, destaca-se o adjectivo “causativo”, o qual é usado por Vilela (1995: 73) como referência aos verbos que cumprem essa função, também designados pelo mesmo autor como ‘verbos factitivos’ ou ‘ergativos’. O adjectivo correspondente, em língua inglesa, é “causative” e é aplicado por Shibatani et al. (1976) a inúmeros contextos, nomeadamente, em “causative verbs”32, “causative constructions”33, “causative situations” (Ibid.), “causative sentences”34, entre outros.
A par de “causativo” ou “causative” há também o adjectivo “causal”, usado com frequência por autores como Salmon (1998: 196), Collins et al. (2004: 1), Shibatani et al. (1976: 78), Leung (2002: 4) e também por Mateus et al. (2003: 714) e Vilela (1995: 284). Os autores portugueses denominam de ‘causal’, as “construções” [causais], as “relações” [causais] e as “orações” [causais]. Em língua inglesa, Salmon (1998) aplica o termo “causal” a “causal concepts”35, “causal conception”36, “causal terminology”37,
32 Vide Shibatani et al. (1976: 2). 33 Vide Shibatani et al. (1976: 1). 34 Vide Shibatani et al. (1976: 4). 35 Vide Salmon (1998: 3). 36 Vide Salmon (1998: 127).
“causal processes”38,”causal explanation”39, “causal interactions” (Ibid.), “causal line” (Ibid.), “causal relations”40, “causal series” (Ibid.) e a “causal relata”41. Collins et al. (2004) optam por “causal facts”42, “causal theories”43, “causal dependence”44, entre outros, já mencionados. No caso de Shibatani et al. (1976) destaca-se o termo “causal core”45, para se referirem a uma situação causativa básica. Leung (2002: 5) designa, entre outros, “causal events”.
Entre os adjectivos “causativo” e “causal” verifica-se que o primeiro se aplica a um domínio de referência mais geral, nomeadamente a ‘construções’, ‘situações’, ‘frases’ ou ‘verbos’ com essas características, enquanto que o segundo incide em aspectos mais pormenorizados, no âmbito do domínio da causalidade, como o são os ‘conceitos’, a ‘terminologia’, as ‘relações’, as ‘interacções’ e os ‘factos’. De referir, ainda, os termos “caused” vs. “causing event”, usados por Shibatani et al. (1976: 53) para designarem os elementos “afectador” e “afectado”, implicados numa relação de causa / efeito.
Nas alíneas que se seguem procurar-se-á desenvolver alguns dos conceitos representados pelos termos chave do domínio da causalidade, aqui apresentados de forma sumária.
3.3 Conceitos-chave do domínio da ‘causalidade’