Com as inovações implantadas nos últimos anos, o Instagram deixou de ser um serviço voltado para o compartilhamento exclusivo de fotos. Imagens criadas a partir de aplicativos e softwares, bem como vídeos já têm uma parcela considerável de todo o conteúdo publicado na mídia social. Entretanto, as fotografias ainda constituem a maior parte das postagens no meio, tendo, ainda, melhores taxas de engajamento: dados recentes (PAUL, 2017) indicam que este tipo de conteúdo tem um desempenho, em média, 36% melhor quanto à interação, se comparadas aos demais tipos de publicações.
Essa estatística talvez possa ser explicada pelo propósito pelo qual o Instagram foi desenvolvido (compartilhar fotos), sendo a espécie de material favorito por quem utiliza o serviço. A questão de imagens tomarem menos tempo que vídeos para serem consumidas, ao lembrar que as mídias sociais apresentam a característica de imediatismo (OLIVEIRA, 2017), é um ponto importante a ser considerado. E uma outra hipótese levantada tem sentido técnico: por conta dos arquivos audiovisuais serem
comumente maiores que aqueles estáticos, consomem mais dados de Internet para execução, sendo um empecilho para pessoas com conexão lenta ou controlada, resultando em uma reprodução travada.
Seja pelas imagens (fotográficas ou não) ou pelos vídeos, o fato é que o Instagram é regido por elementos visuais, com grande ênfase aos de espécie não- verbal (SANTOS, 2010), sendo um meio de comunicação para temas de todo tipo. Figuram na mídia: fotos e vídeos pessoais, retratos de viagens, portfolios, obras de arte e objetos em geral, imagens artificiais e uma infinidade de outras categorias. Aliás, boa parte dos conteúdos gerados pelas pessoas, nessa e em outras mídias sociais, é uma demonstração do que Barthes já apontava há mais de 30 anos, ao dizer que “toda fotografia é um certificado de presença” (BARTHES, 1984, p. 129), tendo em vista que grande parcela são registros de locais visitados, eventos frequentados e pratos consumidos.
Os textos também estão presentes e não podem ser esquecidos. Normalmente relacionados às imagens, servindo de legenda para estas, as palavras variam de função, partindo das possibilidades de relação entre conteúdo visual e textual, apresentadas por Nöth e Santaella (1997). Os autores indicam que, diante da mensagem verbal, uma imagem pode ser: redundante, quando complementa o texto; informativa, quando é mais importante que o texto; complementar, quando ambos têm o mesmo valor; e discrepante, quando não há nenhuma relação entre o visual e o textual (NÖTH; SANTAELLA, 1997, p. 54).
Uma característica interessante é que, mesmo o que é veiculado com fins profissionais no Instagram, como campanhas institucionais e propagandas, há uma tendência de seguir uma linguagem mais sutil e menos invasiva (MESSA, 2011), ao contrário de meios tradicionais de comunicação, com TV, impressos e mobiliários. A intenção de persuadir ou informar normalmente estará embutida em uma mensagem sem aparência publicitária, com a legenda cumprindo função de redundância ou de complemento da imagem.
Apesar de todas as qualidades que apresenta, dentro daquilo que se propõe, é certo dizer que, como qualquer outro canal, o Instagram não está isento de críticas. A principal delas é que cerca de 70% dos conteúdos postados por perfis seguidos não aparecem para o usuário (GRIFFIN, 2016), o que é rebatido pelo grupo Facebook com o argumento de que, por conta do grande volume de posts diários, não seria possível, nem proporcionaria uma experiência agradável às pessoas visualizar tanta
informação. Assim, o algoritmo do sistema faz com que sejam exibidos os conteúdos mais relevantes, estabelecidos a partir de uma relação entre o padrão de publicações curtidas pelo indivíduo, a interação deste com outros perfis e a cronologia das postagens, valorizando as mais recentes.
Outro ponto negativo da plataforma é o fato de que, como é utilizada predominantemente em dispositivos móveis, que contam com telas pequenas, a visualização de uma imagem ou vídeo não é total. Segundo Lima (1988), para que um conteúdo visual, especialmente uma fotografia, seja observado corretamente, sendo possível notar os seus detalhes, “a distância que separa os olhos [do objeto] deve ser igual ao dobro da diagonal dessa imagem” (LIMA, 1988, p. 39), uma razão consideravelmente maior que aquela estabelecida ao se utilizar um smartphone de 5.5 polegadas a 40 ou 50 centímetros de distância da face, por exemplo.
Mas mesmo com suas imperfeições, diante de todas as estatísticas apresentadas aqui e muitas outras, pode-se afirmar seguramente que o Instagram conquistou pessoas e instituições. Ao se produzir conteúdo relevante, é possível aproximar-se do público e incentivá-lo a participar (QUALMAN, 2011), visando a mídia em questão não somente como um aparato de entretenimento e consumo, mas também como um catalisador para temas de relevância social e ambiental.
4 METODOLOGIA DA PESQUISA
Com o intuito de avaliar na prática os pontos desenvolvidos teoricamente até aqui, o presente trabalho adotou a metodologia de estudo de caso, definida por Yin (2015) como uma investigação empírica que aborda um fenômeno contemporâneo em profundidade e em seu contexto de mundo real. Para tal objetivo, diante das possibilidades de comunicação que o Instagram apresenta, o perfil do Greenpeace, a principal ONG internacional de ativismo ambiental da atualidade, na mídia social em pauta foi selecionado como objeto de observação.
Ao optar-se pela entidade que tem como atividade primordial a defesa da natureza, foi levado em conta, além do trabalho de comunicação realizado em escala global efetuado pelo grupo, a capacidade do Instagram em proporcionar um espaço para tratar também de questões de relevância social e ambiental (BARRETO, 2011), sendo adotado como um canal para documentar os fatos, coordenar ações e, principalmente, conscientizar a população acerca dos problemas que assolam o planeta, pondo em risco as formas de vida existentes.
Este estudo de caso contou com múltiplas fontes de evidências, conforme recomenda Yin (2015), partindo de uma coleta de dados que dividiu-se entre pesquisa qualitativa, com documentação de um período de seis meses do perfil do Greenpeace no Instagram e contato com a entidade, e pesquisa quantitativa, realizada com a participação do público usuário da mídia social.