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B. Les Technologies de l’Information et de la

I. Les Technologies de l’information et de la communication

1. Histoire

Os trabalhos que se dedicaram a estudar o comportamento do clítico “se” procuraram, em sua maioria, adotar um critério de classificação para o clítico, face à dificuldade dos autores de chegar a um consenso. Tal falta de consenso sustenta-se basicamente no próprio processo de variação, que propicia, simultaneamente, o apagamento e o uso do pronome. Desta maneira, diversos tipos de clítico foram classificados, a saber: reflexivo, ergativo, ex-ergativo, inerente, quase-inerente, enfático, recíproco, passivo, entre outros.

A seguir, verifiquem-se algumas ponderações a respeito da classificação do clítico “se”, tanto pela gramática normativa quanto por alguns pesquisadores.

1.4.1 A Gramática Normativa

Segundo Bechara (1982), o pronome “se” exerce três funções sintáticas, a saber:

1. Sujeito de infinitivo (com auxiliares causativos)

(28) Deixou-se ficar à janela. 11

2. Objeto direto (com verbo transitivo direto na voz reflexiva)

(29) Ele se feriu.

3. Objeto indireto (com verbo transitivo direto na voz reflexiva)

(30) Eles se correspondem frequentemente.

O autor acrescenta, também, que o pronome “se” pode juntar-se a verbos que indicam sentimento (indignar-se, atrever-se, admirar-se, lembrar-se, esquecer-se, arrepender- se, etc.) e movimento ou atitudes da pessoa em relação ao próprio corpo (ir-se, partir- se, sentar-se, sorrir-se, etc.). Em seguida, pondera que no primeiro caso, considera-se o se como parte integrante do verbo, sem classificação especial, uma vez que não é mais possível perceber o sentido reflexivo da construção. No segundo caso, “costumam os autores chamar ao se pronome de realce ou expletivo” (p. 256).

O autor menciona, ainda, o caminho traçado pela construção reflexiva, tomando-se como base as considerações de Martinz de Aguiar, que observa a seguinte gradação: reflexivo → passivo → indeterminador. Segundo o autor, essa gradação explica-se da seguinte maneira:

1º caso – Pronome reflexivo: A função inicial e própria do pronome se é a de reflexivo, isto é, faz refletir sobre o sujeito a noção que ele mesmo praticou. Ex.: O homem cortou-se. Indica, pois, ao mesmo tempo, atividade e passividade. (...)

2º caso – Pronome apassivador: É o segundo estádio de evolução. Sendo reflexivo, o pronome indica, como vimos, atividade e passividade, e esta nos impressiona mais do que aquela, pelo que pode chegar a ser índice de passividade. Ex.: Vendem-se casas. Fritam-se ovos.

3º caso – Pronome indeterminador do agente: Como no segundo caso o agente nunca foi expresso na linguagem comum, tendo-se tornado obsoleto o seu emprego até na linguagem literária, o pronome se acabou por assumir a função de indeterminador do agente. Ex.: Estuda-se. Dança-se.

4º caso – Pronome indeterminador do sujeito de verbos intransitivos: Como, no terceiro caso, e como o agente oculto, não se dá objeto aos verbos, apesar de transitivos, e como o agente oculto, se presente, seria o sujeito, o pronome se pode vir a determinar o sujeito de verbos intransitivos. Ex.: Dorme-se. Acorda-se.

5º caso – Pronome indeterminador do sujeito de qualquer verbo: Como no caso anterior o pronome se indetermina o sujeito dos verbos intransitivos, pode, por extensão, indeterminar o sujeito de qualquer verbo, transitivo, intransitivo ou atributivo (isto é, de ligação). Ex.: Está-se bem aqui. Quando se é bom. Vende-se casas. Frita-se ovos. (apud Bechara, 1982: 255-256)

Cegalla (2000), por sua vez, observa nove contextos de uso do pronome “se”, sendo que cinco deles referem-se às distintas classificações do pronome reflexivo, a saber:

(31) Se você está doente, trate-se. 12

2. Pronome reflexivo com função de objeto indireto de verbos reflexivos:

(32) Ela impôs-se uma dieta severíssima.

3. Pronome reflexivo, com função de objeto direto de verbos reflexivos recíprocos:

(33) Os dois amam-se como irmãos. [um ama o outro]

4. Pronome reflexivo e objeto indireto de verbos reflexivos recíprocos:

(34) Os dois jovens deram-se provas de profunda amizade.

5. Pronome reflexivo, sujeito de um infinitivo:

(35) O cego deixa-se levar pelo guia. [se: sujeito de levar]

6. Pronome apassivador. Forma a voz passiva pronominal, juntando-se a verbos transitivos:

(36) Sabe-se que as línguas evoluem.

7. Índice de indeterminação do sujeito:

(37) Aqui se vive em paz. Pode-se andar, sem medo, pela cidade.

8. Palavra expletiva ou de realce.

(38) As moças sorriam-se, agradecidas.

9. Parte integrante de verbos que exprimem sentimentos, mudança de estado,

movimento, etc., como queixar-se, arrepender-se, alegrar-se, converter-se, afastar-se e outros verbos pronominais. O se que se associa a esses verbos não tem função sintática.

1.4.2 Kury (2003)

Kury (2003) acrescenta à classificação dos gramáticos normativos a noção da voz reflexiva ou medial. Na página 38, lê-se:

“Quando a ação denotada por um verbo transitivo direto é simultaneamente exercida e recebida pelo mesmo ser, diz-se que o verbo, então acompanhado de pronome, está na voz medial ou reflexiva: ‘Narciso contemplava-se na água’. [O objeto direto de contemplava (o pronome reflexivo se) representa a mesma pessoa do sujeito (Narciso)]”.

O autor salienta que o termo “voz reflexiva” é genérico na gramática do português, e sistematiza, assim, outros casos:

a) Voz reflexiva: aparece exclusivamente com verbos transitivos diretos, que têm como objeto direto um pronome. Uma maneira de reconhecer um verbo na voz reflexiva é quando se pode acrescentar a expressão “a si mesmo”:

(39) Ele se penteia todos os dias de manhã.

b) Voz medial recíproca: o verbo é transitivo direto, tem sujeito simples no plural, e a ação expressa se distribui no pronome reflexivo objeto. Uma maneira de reconhecer um verbo na voz medial recíproca é acrescentar expressões do tipo “um ao outro”, “mutuamente”, “uns aos outros”:

(40) Os amigos cumprimentaram-se ao chegar na festa.

c) Voz medial dinâmica: acontece com verbos que exprimem ato material ou movimento que o sujeito executa em sua própria pessoa:

(41) Maria deitou-se na cama para descansar.

Em semelhança de:

(42) Maria deitou a filha na cama.

A voz medial dinâmica pode ocorrer também com verbos intransitivos (que também se usam sem pronome), sem qualquer idéia reflexiva, para exprimir movimento. Kury observa que “neste caso, o pronome é uma palavra expressiva, de realce, sem denominação especial na análise sintática” (p. 39):

(43) Foi-se embora tarde.

d) Voz média pronominal: neste contexto, o pronome aparece integrado no verbo, e encontra-se fossilizado, não possuindo nenhuma função sintática. O autor salienta que verbos desta categoria são considerados pronominais e nunca são conjugados sem o pronome:

(44) Arrependeu-se amargamente de sua decisão.

Outros verbos desta categoria citados pelo autor são: queixar-se, orgulhar-se, atrever-se e lembrar-se.