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45 Les deux forfaits ne peuvent pas être cumulés

Um trabalho em representações sociais não se constrói em partes, e talvez seja exatamente por isso que que TRS é, ao mesmo tempo, uma teoria e uma proposta metodológica para compreensão dos dados. Dizemos isso, pois, embora comecemos a apresentar agora o quadrante de Vergès, todas as outras pontuações anteriores são fundamentalmente importantes para compreendê-lo.

Figura 15 – Núcleo Central das representações sociais | Primeiro quadrante 1° Quadrante

Núcleo Central

Aprendizagem 16 1,938

Exposição 8 1,625

Práticas 17 1,706

Em relação ao núcleo central, obtivemos três palavras, sendo que a mais evocada foi

práticas, que apareceu 17 vezes, com média de 1.706. A segunda, aprendizado, teve 16

evocações e média de 1.938. Por sua vez, a terceira palavra, exposição, possui 8 evocações e uma média de 1,625. Destacamos as palavras de Sá (2002, p. 118) que nos esclarece que nesse quadrante estão os vocábulos que englobam “[...] as cognições mais suscetíveis de construir o núcleo central da representação, na medida em que são aquelas mais frequentes e prontamente evocadas pelos participantes”. Desse modo, partimos para as justificativas a fim de observar de que maneira essas palavras eram descritas pelos participantes da pesquisa e qual a importância que eles atribuíam a elas.

A palavra práticas, que, como já dissemos, foi a mais evocada e, de acordo com as justificativas dos participantes e sinônimos, pôde demonstrar representações positivas dos professores iniciantes em relação às suas práticas pedagógicas. No entanto, acende um alerta para uma visão utilitarista do ensino/conhecimento, e a interpretação da palavra prática apenas como aquilo que se faz de maneira concreta. Tal questão pode ser evidenciada nas transcrições dos participantes em que negritamos alguns pontos para reflexão.

A prática é uma das atividades mais importantes, onde a teoria é executada/aplicada é ela que auxilia na formação dos profissionais. (LINO,

grifo nosso).

A prática é a realização de uma teoria concreta. Só a prática dará segurança durante a execução de uma determinada proposta. Só a prática poderá levar a perfeição. (LEI, grifo nosso)

Aplicação: o aprendizado em sala de aula deve ser ensinado aos alunos de maneira que ele possa aplicar na vida profissional e até mesmo em suas relações cotidianas. (FISIOTERAPEUTA, grifo nosso)

Acredito que as aulas práticas utilizadas são construídas ao longo da convivência com a turma. E também são construtoras de mentes pensantes.

(KELCE, grifo nosso)

Os fragmentos que apresentamos anteriormente revelam a importância da prática nas aulas, sobretudo relacionando-a aos atos concretos desenvolvidos pelos estudantes; como, por exemplo, desenvolver um programa de computador, realizar uma atividade de acompanhamento em obras, ou mesmo auxiliar na vacinação de animais. As práticas elencadas anteriormente compõem, no ideário dos professores, função primeira da aprendizagem.

Embora reconheçamos que a prática é importante para o ensino, acreditamos que ela, por si só, não se sustenta e, por isso precisa da teoria para embasá-la e promover um processo

de reflexão próprio ao ensino superior. Nessa dinâmica, Morais, Souza e Costa (2017, p. 114), ao falarem sobre a importância da relação entre a teoria e prática dos profissionais da educação, advertem que:

A união das propostas teóricas e práticas na formação de profissionais não correspondem apenas aos aspectos metodológicos de aprendizagem, mas consiste em uma posição política que assume a finalidade educacional da formação humana integral, que se encontra subjacente na defesa de uma sociedade igualitária, de valorização dos que pensam e dos que fazem. Uma formação crítica, de análise da relação entre educação e sociedade e de evidências das propostas educativas dicotômicas, que estão a serviço da continuidade das divisões de classes sociais.

Os autores nos apresentam a ideia de que não podemos nutrir uma visão dicotômica de teoria e prática, sobretudo porque isso não corresponde aos próprios objetivos do ensino superior, que, a priori, forma não apenas mão de obra, mas também seres que possam refletir sobre o trabalho e suas condições. Ao contrário da separação, o que Morais, Souza e Costa (2017, p. 114) nos informam é uma unidade que deve ser “compreendida na vinculação e integração entre teoria e prática, assim, a teoria depende da prática, que é a finalidade da teoria”. Percebemos que os professores constroem representações sociais positivas em volta da palavra práticas, pois consideram ser ela uma oportunidade do aprender\fazer; o que, por conseguinte, segundo eles, motiva mais os estudantes a estudarem. Tal questão pode ser observada na citação “embora seja impossível resolver sem que haja identificação, análise e desenvolvimento. Considero a resolução mais importante por justificar o ato de ensinar em sim que é resolver a demanda por educação do outro” (JOVE).

Para Jove, a questão da prática é mais importante, pois consegue atribuir sentidos ao que ele nomeia de “educação do outro”. Dessa maneira, é possível compreender os apontamentos já realizados em que discutimos o empenho do estudante para atividades realizadas por ele mesmo.

Nos sinônimos atribuídos à palavra prática, é possível encontrar respostas que considerem, por exemplo, seminários, aulas e debates como atividades práticas, no entanto isso não é recorrente. Em um dos sinônimos, no lugar de escrever uma palavra, a participante Maria Laura redigiu um curto texto, explicando que prática é “Dar significado útil ao conteúdo ministrado”.

Na segunda palavra com maior frequência de evocação, aprendizado, observamos um número maior de sinônimos em detrimento à escolha primeva da palavra, ou seja, a palavra foi evocada muitas vezes, mas marcada como a mais importante menos vezes que a primeira.

Ao mencionar aprendizado, observamos que os participantes construíram representações sociais positivas, pois suas práticas pedagógicas estavam voltadas a esse intento. Assim, quando desenvolvem práticas de ensino não as fazem de forma protocolar, mas com foco no aprendizado dos estudantes. Essa afirmação é possível ser compreendida se repetirmos a frase indutora: as práticas pedagógicas realizadas por mim no ensino superior. Dessa feita, ao serem convidados a refletir sobre as três palavras que lembravam ao ler a frase, aprendizado aparece evocada 16 vezes, apenas uma evocação abaixo daquelas com maior número e já analisada anteriormente. Duas justificativas nos chamaram a atenção:

Aprendizagem porque é o objetivo fazer com que o aluno adquira o conhecimento da melhor forma possível. (JOÃO, grifo nosso)

Provocação do conhecimento. Penso que provocar os acadêmicos para buscar o porquê das coisas do que estão aprendendo é importante para estimular os mesmos a buscar a investigação. (AGRÔNOMO, grifo nosso)

Percebamos que João demonstra interesse de que suas práticas pedagógicas possibilitem ao aluno aprender da melhor forma possível, ou seja, pressupõe pensar no outro e em suas possibilidades de aprender e apreender os conteúdos. Já Agrônomo, ao dizer que suas práticas visam provocar os conhecimentos, indica também a possibilidade da pesquisa em sala de aula, onde o estudante, ao se sentir provocado, é convidado a investigação, ponto assumido na própria fala. Ambas as falas reconhecem o aprendizado como um ponto importante, mas o que mais nos chama a atenção é o fato de haver uma preocupação com ele, ou seja, os professores iniciantes mobilizam suas práticas pedagógicas em volta do aluno e em favor de seu aprendizado.

Como nesse caso os sinônimos foram mais do que as justificativas já que só eram justificadas as palavras marcadas como mais importantes, buscamos apoio em uma contagem, a fim de observar quais palavras, ou frases33 eram mais evidentes e, por isso, com demarcação mais frequente. Dessa maneira, as palavras conhecimento e significativo tiveram mais visibilidade.

Ao fazer uma ligação entre as três palavras – aprendizado (2ª palavra mais evocada no 1° quadrante), conhecimento (1° sinônimo mais evocado) e significativo (2° sinônimo mais evocado no 1° quadrante) –, compreendemos uma rede semântica sequencial que nos permite observar uma estruturação positiva das representações sociais. Portanto, para os professores

33 Embora o questionário pedisse sinônimos, alguns participantes optaram por escrever textos curtos e não apenas palavras como era de se esperar

iniciantes, suas práticas pedagógicas estão voltadas ao aprendizado dos estudantes; e isso está intimamente ligado à produção de conhecimentos significativos.

Ainda no primeiro quadrante, temos a última palavra – exposição – ligada à questão da aula como procedimento didático, e que já comentamos anteriormente, onde também observamos sua prevalência. Ao reaparecer por meio da frase indutora, a palavra exposição confirma o que já dissemos em relação aos procedimentos para elaboração da aula, ou seja, uma representação forte, ligada ao professor como transmissor de conhecimentos e, por isso, partem dele as exposições de conteúdo. Corrobora essa afirmação a transcrição de todos os sinônimos, onde, das oito evocações, cinco vêm acompanhadas do substantivo aula:

Quadro 06 – Sinônimos evocados para o vocábulo exposição

Fonte: Dados da pesquisa.

O quadro nos possibilita confirmar as afirmações que fizemos quando tratamos da aula como procedimento de ensino, mas também aponta para outra questão importante: a centralidade da figura do professor em relação aos aprendizados. Embora em menor frequência, a palavra exposição nos permite dizer que a representação social do professor ainda está ligada à ideia de um professor que ensina e um estudante que aprende.

Sobre essa questão Masetto (2010), elucida que a ideia do professor como centro do ensino tem sido substituída por uma outra concepção, que atribui a ele um papel mediador e, por conseguinte, acredita mais nas potencialidades dos alunos. Assim, o autor afirma que, dentre as competências pedagógicas do professor universitário, mediar está em um papel privilegiado.

Expositiva (MARCOS REIS) Expositiva (ANTÔNIO 2) Participativas (ENFERMEIRA) Aula Prática (João José) Aula Expositiva (ED) Aula Expositiva (B)

Aula Expositiva (UNIVERSO) Aula Expositiva (ANTÔNIO)

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