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4.2 Foncteurs finis

4.2.3 Foncteurs simples et repr´esentations des groupes sym´etriques

Tabela 1

Valores de correlação entre o teste das Matrizes Progressivas Coloridas de Raven, o Teste de Memória Visuo-Motora e as classificações às disciplinas de português e de matemática.

Variáveis MPCR (Total) TVM1_nº erros Classificações de português Classificações de matemática Idade MPCR (Total) --- 0,271* 0,233* TVM1_nº erros --- -0,252* Classificações de português --- 0,700** -0,263* Classificações de matemática -0,252* 0,700** --- Idade 0,233* -0,263* ---

Nota: MPCR=Matrizes Progressivas Coloridas de Raven; TVM_1=Teste Visuomotor 1; * p< 0.05; ** p< 0.01.

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Não se constatou qualquer correlação significativa entre os parâmetros do Teste Visuo-Motor 1 e 2 e o teste das Matrizes Progressivas de Raven.

Observa-se uma correlação positiva e significativa de 0,271 entre os resultados no teste das Matrizes Progressivas Coloridas de Raven (Total) e as classificações à disciplina de Matemática indicando que melhores resultados totais na resolução das MPCR estão associados a melhores resultados escolares à disciplina de Matemática.

Verifica-se uma correlação positiva e significativa de 0,233 entre o resultado total obtido no teste das MPCR e a idade da amostra, apontando que crianças mais velhas obtêm melhores desempenhos nas MPCR relativamente a crianças mais novas. Também se constata uma correlação positiva e significativa de 0,700 entre as classificações á disciplina de Português e as classificações à disciplina de Matemática, indicando que crianças com bons desempenhos escolares a Matemática também demonstram boa realização escolar a Português.

Com a variável Teste Visuo-Motor 1 (número de erros) e a variável classificação à disciplina de Matemática os resultados indicam uma correlação negativa e significativa de -0,252, ou seja, crianças que cometam mais erros na execução do teste visuo-motor 1 apresentam piores classificações na disciplina de Matemática. Também se notou uma correlação negativa e significativa entre a classificação à disciplina de Português e a idade, sugerindo que crianças mais velhas apresentam piores resultados escolares a Português.

Os resultados também apresentam uma correlação positiva e significativa de 0,233 entre a idade e os resultados totais das MPCR e, em contrapartida, uma relação negativa e significa com o valor de -0,263 entre a variável idade e a variável classificação à disciplina de Português. É demonstrado que com o aumento da idade das crianças, se verificam melhores resultados totais na resolução do teste das MPCR, contudo, as classificações à disciplina de Português vão declinando.

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Tabela 2

Valores de regressão dos resultados do teste das Matrizes Progressivas Coloridas de Raven, do Teste Visuomotor 1 (nºerros), da classificação a matemática, da classificação a português e da idade.

V.Dependentes V.Independentes

MPCR TVM1_nºerros Idade

Β T Sig. β T Sig. Β t Sig.

Classificação_Matemática × Idade 0,265 2,464 0,016 0,225 2,095 0,040 𝒓𝟐 = 0,101 Classificação_Matemática -0,252 -2,285 0,025 𝒓𝟐 = 0,051 Classificação_Português -0,263 -2,388 0,019 𝒓𝟐 = 0,057 Nota: MPCR=Matrizes Progressivas Coloridas de Raven; TVM_1=Teste Visuomotor 1;

* p< 0.05.

De acordo com os resultados obtidos verifica-se um efeito principal da classificação à disciplina de matemática (p=0,016) e, principalmente, da idade (p=0,040) nos resultados no teste das MPCR, e consequentemente num bom desempenho cognitivo. Observa-se que as variáveis classificação_matemática e idade explicam 10,1% dos resultados do teste dasMPCR. As classificações á disciplina de matemática apresentam uma influência significativa (p=0,025) no teste visuo-motor 1 relativamente ao número de erros cometidos na execução do teste, explicando 5,1% desta variável; e para finalizar, constata-se uma relação de causa-efeito entre a variável classificação à disciplina de português e a variável idade (p=0,019).

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Discussão

Tendo em conta os resultados desta investigação não foi verificada correlação entre a variável Memória Visuo-Motora e a variável Desempenho Cognitivo. Contudo, atendendo os objetivos do estudo constataram-se associações significativas entre os resultados totais do teste das Matrizes Progressivas Coloridas de Raven e os resultados do Teste Visuo-Motor 1 (parâmetro número de erros) com a disciplina de Matemática, bem como uma correlação de valor significativo entre as classificações á disciplina de Português com as classificações á disciplina de Matemática. Também foram percebidas correlações significativas entre a idade (8-9 anos) e os resultados totais do teste das MPCR e entre a idade (8-9 anos) e as classificações á disciplina de Português.

A correlação positiva e significativa observada entre a pontuação total do teste das Matrizes Progressivas Coloridas de Raven e as classificações à disciplina de Matemática é corroborada pela literatura (Almeida & Lemos, 2005; Lemos, Almeida, Guisande & Primi, 2008; Lemos, 2007; Bacelar, 2009; Gomes, 2010). Estes autores sugerem ainda que a correlação referida é maior caso o conteúdo das tarefas exigidas nos testes de inteligência se assemelhe aos conteúdos abordados nas disciplinas em questão. Também Almeida (2009) verificou coeficientes de correlação entre 0,37 e 0,67 a Português e entre 0,36 e 0,70 a Matemática, relativamente às MPCR e em Mól & Wechsler (2008) está registado que o raciocínio fluido é uma habilidade essencial à matemática, e não ao português. Para explicar esta correlação, segundo Pasquali, Wechsler & Bensusan (2002) todos os itens constituintes do teste das MPCR exigem na sua resolução a perceção, espacial ou lógica de uma configuração e Simões (2000) afirma que o teste implica, para além da capacidade de raciocínio indutivo, capacidade de raciocínio visuo-espacial. Nesta linha de pensamento, estas capacidades de perceção espacial e raciocínio visuo-espacial são comuns á realização de tarefas matemáticas, nos quais é necessário eduzir relações entre os elementos do problema, recorrer ao raciocínio espacial e ao pensamento visual-espacial para, por exemplo, reconhecer que dois quadrados são geometricamente iguais e que um resulta da translação do outro (Costa, 2002; Gordo, 1993; Pires, 1992). Deste modo, a literatura apresenta relações que permitem explicar a associação positiva entre os resultados no teste das MPCR e as classificações de Matemática.

A correlação negativa entre o teste visuo-motor 1 e as classificações á disciplina de Matemática indica que as crianças que apresentam um maior número de erros na execução do TVM1 apresentam piores classificações à disciplina. Comparativamente ao

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teste das MPCR, o teste visuo-motor também exige determinadas capacidades intrínsecas à aprendizagem da matemática tais como a perceção das relações espaciais, coordenação visuo-motora, perceção da posição no espaço, visualização e orientação espaciais através da aquisição de informações visuo-espaciais (Gordo, 1993; Ferreira, 2009; Laboratório de Aprendizagem e Controlo Motor, 2008). Segundo Gordo (1993), dificuldades de perceção espacial (alocêntricas ou egocêntricas) podem ser associadas a inversões na grafia das palavras ou dos números, comprovando no seu estudo a importância do treino da visualização espacial para a aprendizagem da matemática. Para Thinus-Blanc cit.in. Ferreira (2009), a ausência de informações visuais no deslocamento propícia um acumular de erros. O número de erros cometidos na realização do Teste de Memória Visuo-Motora prende-se com as capacidades de perceção, orientação e codificação espacial. De acordo com Ferreira (2009), as capacidades visuo-espaciais assumem assim um importante papel na atenção motora das crianças. Para que a criança memorize os trajetos pretendidos e mantenha a sua posição em relação ao ponto inicial (ponto A) é necessário que esta integre as distâncias dos deslocamentos (distância do ponto A ao ponto B, etc.) e memorize a amplitude do ângulo (Ferreira, 2009). Mais uma vez a literatura permitiu relacionar as capacidades exigidas no Teste de Memória Visuo- Motora com as capacidades requeridas na aprendizagem da Matemática, permitindo, desde modo, compreender a correlação existente entre as duas variáveis.

Nos resultados obtidos constatou-se ainda uma correlação positiva e estatisticamente significativa entre as classificações das disciplinas de Português e de Matemática. Para Lorensatti (2009) a aprendizagem dos conceitos matemáticos processa-se através da linguagem. Segundo o autor, a língua portuguesa é a base da aprendizagem, sendo essencial na compreensão e interpretação do enunciado de um problema matemático. Torres (2010) enaltece o caráter transversal atribuído ao Português, sendo uma disciplina na qual as crianças desenvolvem capacidades que utilizarão tanto noutros domínios, como noutras disciplinas do plano curricular. Também Mollica & Leal (2008) defendem a relação entre a língua portuguesa e a matemática afirmando a inexpressividade da linguagem matemática em termos orais, sendo assim indissociável a aprendizagem da matemática com a aprendizagem do português. Deste modo, a correlação entre as duas disciplinas encontra-se associada à transversalidade da língua portuguesa.

Apesar de existir literatura que aponta uma influência da idade no nível da leitura, pressupondo que esta aumenta com o aumento da idade (Rodrigues, 2011), os

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resultados apontam para uma relação negativa e significativa entre a idade e a disciplina de português. Tal pode ser fundamentando pelo estudo de Gonçalves (2012), segundo o qual alunos do 3º ano de escolaridade apresentam melhores resultados escolares que alunos do 4º ano. Em relação à correlação positiva e significativa verificada entre a idade e o resultado total do teste das MPCR, a literatura aponta para estes resultados em crianças na faixa etária dos 6 aos 9 anos de idade (Flores-Mendoza & Nascimento, 2007; Gonçalves, 2012. Também foi observado um aumento progressivo das médias do teste das MPCR com o aumento da idade no estudo de Bandeira et al. (2004) com crianças dos 4 aos 12 anos de idade e de Simões (2000).

Relativamente aos resultados observados no teste da regressão linear, as variáveis idade e classificação à disciplina de matemática explicam 10,1% dos resultados obtidos no teste das MPCR. Este facto justifica-se pois, segundo Simões (2000), os dois aspetos subjacentes à realização do teste das MPCR são a capacidade de raciocínio e o acentuado processamento intelectual de dados visuo-espaciais (raciocínio indutivo, perceção espacial, aptidões visuo-espaciais, aptidões visuo-percetivas e aptidões de manipulação mental não rotativa) (Pasquali, Wechsler & Bensusan, 2002) - capacidades presentes, e de igual forma essenciais, em várias áreas da Matemática, principalmente nos primeiros anos de escolaridade (Gordo, 1993). Neste seguimento, no teste das MPCR, para além da utilização de capacidades comuns ao desempenho na disciplina de matemática, este teste também avalia a capacidade edutiva e a capacidade de resolução de problemas, nos quais o indivíduo deve descobrir operações que se apliquem aos padrões visuais apresentados, de forma a estrutura-los com um todo. No processo de aprendizagem da matemática, o “problema” é a ferramenta pela qual o aluno se desenvolve, funcionando como potenciadores da criatividade, do raciocínio, do conhecimento matemático, permitindo ao aluno questionar-se a si mesmo e recorrer ao raciocínio lógico para a sua resolução (Pereira, 2002; Barbosa & Carvalho, 2010; Nogueira, 2013).

A influência da classificação à disciplina de matemática no teste de memória visuo-motora, especificamente no TVM1 - variante número de erros, é justificada de forma semelhante á influência da classificação de matemática no teste das MPCR anteriormente mencionada. Ambos os teste utilizados nesta investigação são extremamente associados a capacidades visuo-espaciais, fundamentais na aprendizagem da matemática (Gordo, 1993; Ferreira, 2009; Laboratório de Aprendizagem e Controlo Motor, 2008). O número de erros execução destaca-se uma vez que é a variante que

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mais se encontra dependente das capacidades de orientação e codificação espacial (Ferreira, 2009).

Em relação à variável idade apresentada na tabela da regressão linear, Simões (2000), demonstra um aumento progressivo bastante notório dos resultados no teste das MPCR à medida que se avança na idade cronológica. Na aplicação individual, de acordo com os grupos etários, o autor apresenta valores médios dos resultados obtidos nas MPCR de 21,98 para o grupo dos 8 anos e um valor médio de desempenho de 24,68 para o grupo dos 9 anos (Simões, 2000) – crianças mais maduras apresentam melhores resultados académicos e cognitivos (Barrigas & Fragoso, 2012). Para finalizar, também se observou que a variável idade influência a variável disciplina de português. Como justificativas pode apontar-se que o sucesso escolar aumenta à medida que se avança no ano de escolaridade (Augusto, 2012), e mencionar-se o modelo desenvolvimental da leitura segundo Chall (1979). Segundo este modelo, as crianças dos 7-8 anos de idade encontram-se numa fase de consolidação, do que aprendeu anteriormente, e de fluidez da descodificação, sendo capaz de descodificar e ler com mais facilidade. Nesta fase, o vocabulário leitor é ampliado, e o domínio dos mecanismos básicos de leitura é completado. Por outro lado, crianças com idades entre os 9 e os 12 anos, encontram-se numa fase mais avançada, na qual a criança não aprende a ler mas sim, lê para aprender. Os mecanismos básicos estão completamente dominados, o que permite avançar para a aquisição de estratégias cognitivas de compreensão da leitura (Ribeiro, 2005). Desta forma compreende-se a influência registada da idade sobre a classificação à disciplina de português.

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Conclusão

Tendo em consideração o objetivo do presente estudo, foram observadas correlações estatisticamente significativas entre as variáveis, concluindo, deste modo: (i) que a capacidade de memória visuo-motora e o desempenho cognitivo influenciam fortemente os resultados escolares à disciplina de matemática; (ii) a idade apresenta-se como uma variável preponderante na disciplina de português e no teste das MPCR; (iii) as disciplinas de português e de matemática apresentam uma forte correlação estatística. O presente artigo demonstrou a existência de correlações entre as três variáveis investigadas, evidenciando a importância da associação entre as habilidades cognitivas, o complexo visuo-motor e o desempenho escolar, essencialmente à disciplina de Matemática no Ensino Básico.

Como principal limitação para este artigo salienta-se o facto de não existir bibliografia que associasse as três componentes investigadas: memória visuo-motora, desempenho cognitivo e sucesso escolar.

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