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Feu et ténèbres

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As políticas públicas devem garantir a todos, mesmo fora do ambiente escolar, não somente o acesso à informação, mas ao uso dos recursos tecnológicos para promover a aprendizagem, visto que a educação é direito básico de todos e deve ser objetivo constante dos governantes.

As NTIC ou TIC estão presentes em todas as esferas da vida pública e privada e permeiam os processos educacionais, bem como propiciam a inclusão digital dos alunos (CERQUEIRA, 2016). Assim, o direito de acesso à informação é um dos mais importantes em uma democracia, pois para se ter cidadãos conscientes de sua participação, no controle das atividades públicas, há que, primeiramente, torná-lo capaz de questionar atos estatais, de forma emancipada e independente. O governo deve publicizar seus atos e o cidadão deve estar em condições de acessar e entender as diversas fontes de informação, como documentos digitais, notícias, jornais, acervos de bibliotecas, repositórios, blogs, etc.

Para que se cumpra a ideia de emancipação, é preciso dotar a educação de meios adequados à modernidade. Hoje os ambientes virtuais são uma realidade, a educação transformou-se juntamente com o mundo. Somente uma educação adequada, a esse novo contexto, é capaz de formar integralmente os cidadãos (DINARTE, 2016).

É uma nova sociedade, novos alunos e nesse contexto, faz-se necessária uma nova escola. Nessa sociedade, o alto grau de inovações tecnológicas, inclusive na área educacional, tem exigido que o profissional de educação tenha capacidade de utilizar a tecnologia como apoio pedagógico. Portanto, o professor precisa adequar-se ou nas palavra de Cerqueira (2016), os professores precisam compreender, mais do que como trabalhar com as TIC, mas também, como articular os conteúdos das disciplinas com as ferramentas tecnológicas disponíveis.

O autor apresenta um exemplo bem sucedido do NTE de Fortaleza-CE, onde funciona um Centro de Referência do Professor. Neste exemplo, o professor é colocado no centro dos processos de ensino e de aprendizagem, pois é reconhecida a importância de o mesmo ser capacitado para melhor uso educacional das TIC, para promover as adaptações da escola ao processo de mudança social irreversível, promovido pela expansão da TIC.

O professor precisa desta formação para desenvolver competências para utilizar os recursos tecnológios, em todas as suas possibilidades, quais sejam, localizar, filtrar, avaliar, organizar, criar, utilizar e comunicar a informação, também em meio virtual (SILVA NETO, 2014). Para desenvolver essas competências, as escolas precisam possibilitar a professores e alunos, o acesso aos equipamentos e softwares, que surgem no mercado a todo tempo e que precisam ser adaptados à realidade escolar.

Rocha (2013) afirma que as TIC, quando apropriadas por professores e alunos, podem transformar o ensino e contribuir para a aceleração da disseminação do conhecimento. Podem

auxiliar os professores em sua prática pedagógica, acrescentar novos paradigmas, novas culturas e práticas sociais.

De fato, os jovens de hoje, sozinhos, já são capazes de desvendar o mundo, por meio das novas tecnologias. Imagine, este mesmo jovem, com a presença de um facilitador que possa direcionar o uso das TIC para a aquisição de conhecimento, o quanto poderá produzir e aprender de forma coerente com as necessidades individuais e coletivas.

Levy (1997), Dinarte (2016), dentre outros, conceituam esse movimento como inteligência coletiva, que seria uma forma de conhecimento que vai além do ser individual, passando a ser formada uma rede de conhecimentos dinâmica e multimidiáica, onde se valoriza o aprendizado em grupos, visando soluções de problemas diversos.

Em outras palavras, inteligência coletiva pode ser entendida como conhecimento da sociedade, de uma comunidade ou de um grupo social, facilitado pelas conexões em rede, portanto, as TDIC se prestam ao importante papel na difusão do conhecimento.

As TDIC possibilitam a democratização e a universalização do acesso à informação, diminuem a exclusão social e inserem o indivíduo no ciberespaço, o novo lugar de comunicação, de troca. A hipertextualidade e a interatividade, presentes no ciberespaço, propiciam o aumento da inteligência coletiva (SILVA NETO, 2014).

Há um crescente entendimento de que o investimento em conhecimento e sua difusão efetiva no campo produtivo e na sociedade são as chaves atuais do crescimento econômico e do desenvolvimento sustentado. E, ainda, que a educação é outro pilar nessa estratégia das transformações necessárias (WAISELFISZ, 2007).

A compreensão dessa equação informática⁄desenvolvimento leva a centrar as preocupações na informatização da sociedade desde a infância, a partir das escolas, em uma perspectiva de múltiplas intenções: melhorar a qualidade do ensino em geral; propiciar o ingresso, desde cedo, na cultura digital; dar aos indivíduos melhores condições de inserção futura no mercado de trabalho; tornar nossas sociedades mais engajadas no contexto internacional. Mas, tornar realidade essas intenções exige a mobilização de vultosos recursos, não só em equipamentos, mas também em infraestrutura (de comunicação, elétrica, construção de locais apropriados, como laboratórios de informática etc.), capacitação de recursos humanos, criação de conteúdos apropriados (portais e conteúdos educacionais, software educacional, etc.) (WAISELFISZ, 2007, p.17).

Para a fundamentar a afirmação sobre a necessidade de se conciliar o desenvolvimento econômico com a informática, o autor se baseia em pesquisas no Brasil e na América Latina comparando-as com os países da OCDE. Ressalta a importância de se prover educação tecnológica

desde a infância com intenções múltiplas, entre elas a melhoria da qualidade geral do ensino, a criação da cultura digital e a inserção desses indivíduos no mercado de trabalho. Destaca ainda, que, para alcançar os objetivos esperados, são necessários investimentos dos governos, pois propiciar tecnologias de informação e comunicação, exige vultosos recursos para compra de equipamentos, infraestrutura, laboratórios, além dos investimentos na formação dos recursos humanos. Também não pode ser esquecido o projeto de manutenção e reposição dos equipamentos. As escolas melhoraram sua estrutura tecnológica na última década, mas ainda está longe do ideal. O PROINFO deve ser mantido e realinhado para que possa evoluir ainda mais.

Segundo Rocha (2013), no Brasil, a gestão da educação sofreu significativas modificações na última década do século XX, sob a égide de uma nova base legal, formulada a partir da promulgação da Constituição Federal de 1988 e da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), Lei nº 9.394/96. A implementação do PROINFO foi um dos avanços ocorridos.

A educação liberta e emancipa, sendo instrumento de coesão social, que em última análise trata-se de uma inteligência coletiva, tratada anteriormente como o conhecimento de um grupo e que contribui para alavancar o desenvolvimento de qualquer nação.

Emancipado, informado, educado, o povo tem condições de opinar, votar e ser votado. Exercer seus direitos e deveres, expressão máxima da democracia. Daí o papel mais que importante da educação como instrumento de transparência e de motor da democracia. Tudo tem a ver com as mudanças propostas na educação, facilitada pelo acesso irrestrito às TIC.

Para finalizar, cabe reforçar que a educação sofreu grandes transformações nos últimos anos, novos aparatos tecnológicos, novos comportamentos e novas formas de conhecimento apareceram. Para ser, de fato, eficiente também faz-se necessária mudança de mentalidade, por parte dos governos e dos profissionais de educação. É preciso evoluir muito para atingir patamares de países que deram a importância adequada às exigências dos novos tempos para alcançar uma educação conectada.

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