Modalité d’interaction et Multimodalité Laurence Nigay
4.2 Contribution à cet axe de recherche
4.2.3 Exploration collaborative d'espaces d’information
Para entender a figura do(a) Prefeito(a) comunitário(a), é necessário entender a hierarquia de poder no Governo do Distrito Federal. No posto maior, temos o Governador do DF, em seguida as Secretarias de Estado. No âmbito comunitário, temos para cada uma das Asas Sul e Norte um Conselheiro comunitário, em seguida um Prefeito comunitário que representa cada superquadra do Plano Piloto e depois o síndico de cada um dos blocos da superquadra.
Em muitas superquadras do Plano Piloto, temos a presença de um prefeito comunitário. De acordo com dados conseguidos junto à Administração Regional de Brasília no ano de 2011, tem-se:
73% 11 PREFEITOS 53% 08 PREFEITOS 93% 14 PREFEITOS 66% 10 PREFEITOS
ASA NORTE
Figura 41Fonte: GDF – Administração Regional de Brasília – RAI / Conselhos Comunitários Sul e Norte / Francisco Ricardo Costa Pinto (Autoria própria) / Ediberto San Miguel.
Os prefeitos nem sempre são eleitos pela comunidade geral da superquadra, pois nem sempre ocorre disputa, por vezes é uma indicação de algum condomínio ou manifestação própria de alguém que deseja desenvolver um trabalho na superquadra.
Cabe a figura do Prefeito o papel de porta voz da comunidade junto ao conselho comunitário da Asa e junto à Região Administrativa de Brasília, conhecida como RA – I.
86% 13 PREFEITOS 80% 12 PREFEITOS 60% 09 PREFEITOS 66% 10 PREFEITOS
ASA SUL
Em algumas superquadras, de acordo com a Administração Regional de Brasília, existe inclusive uma sede para a prefeitura (Figuras 42 e 43), o que facilita a relação com a comunidade local, mas em geral essas sedes não são muito utilizadas em função da questão de segurança, normalmente a sede da Prefeitura fica no próprio bloco onde o prefeito reside, ou seja, na sala do condomínio.
Figura 42 Figura 43
Fonte: Francisco Ricardo Costa Pinto (Autoria própria).
É comum que esses conselheiros e prefeitos, pela presença efetiva junto ao poder público do DF, assumam outras lideranças no GDF, como deputados, outros.
O dever do prefeito comunitário é, junto com o conselheiro, levar ao conhecimento do poder público, no caso a RA I, as reivindicações da comunidade local, facilitando o trabalho do GDF.
Será que esse repasse de informação geralmente ocorre? Será que de fato o que chega até a RA I simboliza de fato as reivindicações dos moradores?
Nem sempre isso ocorre, nem sempre essa liderança comunitária é atuante e algumas vezes o que chega ao GDF em nada corresponde aos interesses da comunidade local, quando muito, representa os interesses de alguns síndicos.
Mas o que fazer para que essa participação seja efetiva? É necessário que o GDF incentive a criação de prefeituras nas superquadras, mas antes consiga de fato discutir com essas prefeituras as peculiaridades de cada superquadra, apresentando algumas das dificuldades enfrentadas no cotidiano, conscientizando essa prefeitura sobre a necessidade inicial de uma educação patrimonial, não simplesmente passando para as prefeituras os parâmetros gerais que fazem de Brasília Patrimônio Cultural da Humanidade, mas, sobretudo, da importância de valorizar a cultura presente em cada uma dessas superquadras, de valorizar não apenas o individual, mas também o saber coletivo.
É importante destacar que o prefeito de uma superquadra é uma espécie de mediador, de intermediário de demandas da comunidade junto ao GDF, em que conduz questões de melhoria do espaço da superquadra, como iluminação, segurança, calçadas, reformas de parquinhos e praças e outras questões.
No entanto, se faz necessário ressaltar que ao visitar algumas das prefeituras existentes no Plano Piloto, durante a fase de levantamento de campo da pesquisa, percebeu-se certo ar de descontentamento com o apoio do GDF às causas comunitárias, nesse sentido boa parte das prefeituras vem buscando, por meio de recursos conseguidos com a própria comunidade, prover a área de algumas reformas emergenciais, apontadas pela própria comunidade. Essa questão foi bastante abordada pelos prefeitos das superquadras ao longo da pesquisa.
Há algum tempo, no Governo Cristovam Buarque, participou-se de um projeto que visava a construção desse pensamento junto à liderança comunitária de cada superquadra, o trabalho intitulado “Brasília: uma paisagem em construção” visava propor um olhar mais específico sobre as superquadras, no intuito de buscar maior aproximação com as experiências vividas em cada uma dessas superquadras, assim, com base nesse conhecimento seria possível falar em uma linguagem compreensível sobre patrimônio. E também seria possível a melhor divisão de tarefas e consequentemente um maior envolvimento da comunidade nos projetos da superquadra, pois esses projetos não seriam apenas entregues, esses projetos teriam sua concepção compartilhada com a própria comunidade.
Atualmente, mesmo sem um trabalho direto do GDF com as prefeituras das superquadras, muitas dessas prefeituras têm desenvolvido intervenções nas áreas públicas internamente a sua área residencial, intervenções que visam de uma maneira geral tornar o espaço convidativo à comunidade local, como fez a SQN 313 com seu “Recanto da Amizade” e a SQN 111 com sua “Pracinha do Fuxico” e tantos outros exemplos que temos espalhados pela cidade.
Já essa relação com o espaço público não é percebido na SQS 213 e na SQN 205, superquadras sem prefeitos, onde apesar da existência de ótima área para uso da comunidade, não se percebe o uso concreto do espaço.
Evidencia-se, entretanto, que mesmo sem uso do espaço com áreas voltadas ao lazer e contemplação, é claro que de uma forma ou de outra o espaço público é utilizado, como trânsito, local de contemplação, local de passeio e caminhada e outros, mas não se nota a presença de espaços com o nível de cuidado percebido em outras superquadras, onde têm
parquinhos, quadras esportivas, pracinhas e outros espaços de uso da comunidade, ou seja, o espaço público existe, mas não foi assumido pela comunidade local.