Neste ponto, pretende-se fazer uma distinção dos termos dados, informação e conhecimento, através de definições encontradas no levantamento bibliográfico. Esta distinção, tem como objetivo inicial analisar os conceitos, para depois facilitar na compreensão dos mesmos, propondo-se, posteriormente, uma definição clara, a partir das várias definições dos diversos autores.
DADOS
Para Davenport e Prusak (1998, p.2) dados são "um conjunto de factos discretos e
objetivos referentes a eventos". Considerando o contexto organizacional, estes referem-
se maioritariamente a registos estruturados de transações. Os autores consideram ainda, que os dados por si só, não traduzem nada sobre a sua própria importância ou relevância, apesar de serem importantes para as organizações na criação de informação. Segundo Laudon e Laudon (2002), dados são fluxos de "factos" não trabalhados antes de serem organizados e dispostos de modo a serem percetíveis pelos indivíduos e representam eventos que ocorrem nas organizações ou no ambiente envolvente.
Outra definição do conceito de dados, enquadrada numa perspetiva das TI e dos SI, pertence a Gouveia (2000) que afirma que "são os dados que constituem os elementos
atómicos que referenciam, qualificam e descrevem todos os itens necessários à operação do sistema." (2000, p. 18)
Silva (2006) define dado em 2 perspetivas, uma informática, outra na ciência da informação. Na perspetiva informática, dado, é definido como uma representação convencional, através de codificação, de uma informação de modo a permitir o tratamento eletrónico. Nesta perspetiva, dado e informação tomam o mesmo significado. Na perspetiva das ciências da informação, dado, significa o impulso, vibração física ou eletromagnética, que através de dispositivos tecnológicos específicos são convertidos em informação, sobe a forma de por exemplo, uma representação gráfica.
Os autores Ribeiro e Silva (2002), sobre dados, colocam afirmam, "se dado corresponde
a facto, noticia ou referencia concreta de algo cognoscível constitui, então, uma parcela muito reduzida do que é ou do que pode ser a informação como conjunto ou inverso lato de representações (mentais e afetivas ou emocionais) que não se esgota (...) daqui se infere a pobreza inaceitável do conceito de dado e a subjacente noção de processo porque a Informação produz-se, memoriza-se e recupera-se dinamicamente, isto é, em processo.“ (2002, p. 33)
INFORMAÇÃO
Davenport e Prusak (1998) descrevem a informação como uma mensagem, usualmente comunicada visual ou auditivamente. A informação tem como objetivo, fazer com que o recetor da mensagem mude a sua perceção de algo, cabendo a este fazer a avaliação do que realmente é informação. Neste sentido, a informação são dados que provocam, uma diferença.
Laudon e Laudon (2002) definem informação como dados que já foram trabalhados de forma a terem significado e utilidade para os seres humanos.
A informação é definida como um meio essencial para a criação de conhecimento e fornece perspetivas para a interpretação de acontecimentos ou objetos, cujos significados eram "anteriormente impercetíveis". Necessária para a formalização do conhecimento, pode ser vista a partir de duas perspetivas - sintática e semântica - sendo a perspetiva semântica a mais relevante para este enquadramento teórico - "visto que se foca no
sentido transmitido" Shannon e Weaver (1949) apud Martins (2010).
Para o autor Wilden apud Ribeiro e Silva (2002), o conceito de informação alarga-se a dois sentidos: o primeiro, mais técnico e tecnológico, relaciona-se com comunicação de
mensagens, em que a unidade de medida é o bit. O segundo, qualitativo e mais diverso cientificamente, refere-se à transmissão da informação.
Para os autores Ribeiro e Silva (2002), a informação "situa-se claramente entre a dimensão psicossomática do ser humana (onde se inscrevem o conhecimento, a inteligência, a memória, as emoções, etc.) e a comunicação social, ao mesmo tempo que realçado o papel do código (a língua, os gestos, os números, as imagens...) como elemento constitutivo essencial dentro da faculdade humana de articulação das ideias, sons e palavas (código sígnico)." (2002, p. 23). Estes definem informação como "conjunto estruturado de representações mentais codificadas (símbolos significantes) socialmente contextualizadas e passiveis de serem registadas num qualquer suporte material (papel, filme, banda magnética, disco compacto, etc.) e, portanto, comunicadas de forma assíncrona e multidireccionada." (2002, p. 37). No seguimento desta definição, Silva (2006) , considera esta definição "só por si, insuficiente para a caracterização da Informação como objecto" (2006, p. 25) pois considera existirem diferentes propriedades inerentes à caracterização da informação, são elas:
Estruturação pela ação (humana e social) - o ato individual e/ou coletivo estrutura a informação;
Integração dinâmica - o ato informacional está implicado ou resulta sempre tanto das condições e circunstâncias internas, como das externas do sujeito da ação; Pregnância - enunciação (máxima ou mínima) do sentido ativo, ou seja, da ação
fundadora e modeladora da informação;
Quantificação - a codificação linguística, numérica, figurativa é valorável ou mensurável quantitativamente;
Reprodutividade - a informação é reprodutível sem limites possibilitando a subsequente retenção / memorização;
Transmissibilidade a (re)produção informacional é potencialmente transmissível ou comunicável.
Para Gouveia (2000) a informação "consiste na agregação de dados através de relações
de complementaridade entre eles" (2000, p. 19). Refere também, que a informação é
O autor Martins (2010) refere que, embora sejam termos utilizados alternadamente, existe "uma distinção clara entre informação e conhecimento".
CONHECIMENTO
Para os autores Davenport e Prusak (1998), o conhecimento é uma mistura fluida de experiências, valores, informação contextual e inteligência profissional que providencia ferramentas para a avaliação e incorporação de novas experiências e informação. Referem também, que o conhecimento “surge e é aplicado na mente dos conhecedores.
Nas organizações, é embebido não só em documentos ou repositórios, mas também nas rotinas, processos, práticas e normas” (1998, p. 5). Para os autores, o conhecimento
deriva da informação como esta deriva dos dados - se a informação vai dar origem a conhecimento, esta transformação vai ocorrer devido ao trabalho humano. As atividades de criação de conhecimento ocorrem dentro e entre os indivíduos. Os dados podem ser encontrados em registos, informação e mensagens, mas o conhecimento advém dos indivíduos, grupos de indivíduos ou procedimentos organizacionais, através do meio de documentos, livros ou contactos entre indivíduos.
Nonaka e Takeuchi (1995) defendem uma visão de conhecimento, em que este não existe sem indivíduos, afirmando que "Uma organização não consegue criar
conhecimento sem indivíduos" (1995, p. 59). As organizações fornecem aos indivíduos
um contexto para a criação de conhecimento. Nesta perspetiva, a criação de conhecimento organizacional deve ser entendido, como um "processo que amplifica a
rede de conhecimento criada pelos indivíduos e cristaliza-a como parte da rede de conhecimento interno da organização" (1995, p. 59) tanto ao nível interno como externo.
Os autores defendem a existência de duas dimensões de conhecimento, o conhecimento tácito e o conhecimento explícito. Os autores apresentam conhecimento tácito como sendo "pessoal, especifico ao contexto e desse modo difícil de formalizar e comunicar". Por outro lado, o conhecimento explícito (ou codificado) é referido como "conhecimento
que é transmitido em linguagem formal e sistemática" (1995, p. 59).
Por outro lado, o conhecimento provém da aplicação e do uso produtivo de informação, numa relação interativa - "a criação de conhecimento está dependente da informação, e o
desenvolvimento de informação relevante requer a aplicação de conhecimento". Neste
seguimento o autor considera como conhecimento "um processo humano dinâmico
Gouveia refere que "o conhecimento permite a hierarquização da informação e possibilita
a avaliação das informações disponíveis para a decisão" (2000, p. 19). SÍNTESE
Os dados são factos discretos, sem significado e não trabalhados, referentes a registos ou a eventos. Devem deter algum significado, para serem qualificados uteis para a génese de informação.
A informação consiste num conjunto de dados agregados, que depois de trabalhados ganham utilidade e significado para o seu utilizador, podendo, ser transmitidos através de uma mensagem, cujo significado e interpretação está dependente do recetor. Pode ser vista a partir de 2 perspetivas - sintática e semântica - sendo a perspetiva semântica a mais relevante e foca-se no sentido transmitido.
O conhecimento é uma mistura fluida de experiências, valores, informação contextual, e inteligência profissional proveniente da aplicação e do uso produtivo de informação, numa relação interativa entre as experiências e valores do seu detentor, dependente de um contexto. Nas organizações, é embebido não só em documentos ou repositórios, mas também nas rotinas, processos, práticas e normas. O conhecimento tácito é pessoal, de difícil comunicação e depende de um contexto. O conhecimento explícito é transmissível através da linguagem formal e sistemática.