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Etude dans le r´ ef´ erentiel g´ eocentrique : le terme de mar´ ee

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REVESTIMENTO DE GRÃOS DE CAFÉ CRU

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RESUMO

Com o objetivo de avaliar a incorporação α-tocoferol (TOC) em suspensões de amido e de quitosana, diferentes energias de agitação foram testadas, e, a partir dos resultado foi incorporada argila bentonita (BNT) nos melhores tratamentos para reforçar as propriedades mecânicas e de barreira ao vapor de água. Inicialmente foram aplicadas diferentes energias de agitação ultrassônica (960, 1920 e 3840 J.mL-1) para incorporação do TOC (10 %) em filmes de amido e de quitosana. Avaliou-se o diâmetro médio das partículas (DMP), índice de polidispersividade (IPD) e potencial zeta (ζ) das soluções poliméricas e os filmes foram caracterizados quanto à ação antioxidante (AA) e energia de superfície (ES). Posteriormente, o tratamento selecionado na primeira etapa foi utilizado para aplicação da BNT, com as variáveis BNT (0 e 2%) e TOC (0 e 10%). Estes tratamentos foram avaliados quanto à resistência à punctura (RP), à compressão (RC) e permeabilidade ao vapor de água (PVA). Os compósitos de amido e de quitosana apresentaram DMP e ζ médios de 255,5nm e -15,1 mV e 462nm e 29,1 mV, respectivamente. O IPD e a ES não apresentaram diferença significativa e a ES dos grão de café cru também não diferiu da ES dos filmes avaliados, o que indica boa interação entre as suspensões e os grãos de café durante o revestimento. O tratamento que se destacou quanto à AA foi o compósito de quitosana e TOC obtido com energia de agitação de 960 J.mL-1, o que é uma característica desejável para aplicação nos grãos de café, por isso este tratamento foi selecionado para incorporação de BNT. A incorporação de BNT no filme selecionado, diminuiu a PVA e a RP, e aumentou a RC, portanto recomenda- se o uso deste tratamento para revestir grãos de café cru para se ter ação antioxidante, com uma menor permeabilidade ao vapor de água.

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1. Introdução

Formas alternativas de armazenamento de grãos de café cru, vem sendo bastante estudados com o intuito de manter a qualidade do café por tempo mais pronlogado (Figueiredo et al., 2013). Dois pontos importantes durante o armazenamento são manter baixa a umidade dos grãos e evitar a oxidação lipídica. O aumento excessivo da umidade dos grãos durante o armazenamento favorece o crescimento de fungos. O ideal é que o teor de água não ultrapasse 14% durante o armazenamento (Bucheli, Meyer, Pittet, Vuataz, & Viani, 1998). A oxidação lipídica também é um ponto que deve ser observado. Os ácidos graxos saturados, incluindo aráquico, esteárico e palmítico estão relacionados com a boa qualidade sensorial da bebida (Figueiredo et al., 2015) e por isso devem ser preservados ao longo do armazenamento.

Embalagens frequentemente utilizadas para armazenamento e exportação dos grãos de café cru são os sacos de juta. Estas embalagens não oferencem barreira ao vapor de água e ao oxigenio, o que favorece o aumento da umidade dos grãos e a oxidação lipídica, respectivamente. Outra embalagem utilizada são os big bags, normalmente produzidos de polietileno, que podem ter capacidade de 1.200 Kg a 21,6 toneladas. O big bag facilita o manuseio mecanizado, o que diminui a necessidade de mão de obra (Borém et al., 2008). Entretanto, a alta capacidade destas embalagens pode danificar os grãos, devido ao empilhamento dos mesmos, causando defeitos que aceleram a perda de qualidade do café.

A incorporação de agentes ativos, como agentes antioxidantes, em biopolímeros para embalagens e revestimento de alimentos, geram novas alternativas para manter a qualidade dos alimentos acondicionados e prolongar sua vida útil (Cruz-Romero, Murphy, Morris, Cummins, & Kerry, 2013). Esta tecnologia é conhecida como embalagem ativa e vem sendo muito aplicada para manter ou até mesmo melhorar as características dos alimentos (Dias et al., 2014).

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A incorporação de α-tocoferol em biopolímeros, em filmes e revestimentos poliméricos tem sido vem bastante estudado, devido ao seu efeito antioxidante, com o intuito de prevenir a oxidação lipídica do alimento acondicionado (Georgantelis, Blekas, Katikou, Ambrosiadis, & Fletouris, 2007; Granda-Restrepo, Peralta, Troncoso-Rojas, & Soto-Valdez, 2009; Han, Hwang, Min, & Krochta, 2008; Marcos et al., 2014; Zambrano-Zaragoza et al., 2014).

Nanoemulsões podem ser geradas por uso de homogeneizador ultrassônico. O tratamento de ultrassom facilita a dispersão das cadeias poliméricas auxiliando na formação de uma suspenção homogênea (Cheng, Chen, Liu, Ye, & Ke, 2010). Partículas agregadas podem ser divididas e serem dispersas novamente em meio aquoso e assim obter a estabilidade a longo prazo (Wang, Wang, & Chen, 2005).

A argila bentonita (BNT) é uma argila com alta hidrofilicidade, que se dispersa facilmente na maioria dos biopolímeros, já que estes são hidrofílicos em sua maioria. A BNT têm atraído um interesse em particular devido ao seu bom desempenho em baixas cargas de enchimento, pois apresenta grande área superficial, alta resistência e rigidez, boa proporção de plaquetas individuais, abundância na natureza e baixo custo (Vartiainen, Tammelin, Pere, Tapper, & Harlin, 2010).

Com isso, objetivou-se com este trabalho avaliar suspensões de amido e de quitosana incorporados com α-tocoferol, submetidos a diferentes energias de agitação, quanto a estabilidade da emulsão, hidrofobicidade e ação antioxidante, para aplicação em grãos de café cru. E também avaliar a influencia da incorporação de BNT, na permeabilidade ao vapor de água, resistencia à punctura e à compresão.

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2. Material e métodos

2.1 Material

Quitosana, fornecida pela Polymar Ciência e Nutrição S / A, com grau de desacetilação de 85,9%. Ácido cítrico fornecido pela Pró-químios. Amido modificado de mandioca, fornecido pela Cassava S/A. Glicerol fornecido pela Sigma-Aldrich. α-Tocoferol fornecido pela DMS nutrition. Argila bentonita (Cloisite Na+) foi fornecida pela Southern Clay Products, Inc. Lecitina de soja fornecida pela Pró-químios. Grãos de café (Coffea arabica L.), provenientes de um único lote comercial, com nota entre 82 e 85 pontos, de acordo com a escala da Specialty Coffee Association of América (SCCA).

2.2 Delineamento experimental

Foi realizada uma experimentação sequencial em que os fatores estudados foram energia de agitação (960, 1920 e 3840 J.mL-1), e tipo de biopolíemro, amido (A) e quitosana (Q). O experimento foi conduzido, usando um delineamento inteiramente casualizado, com 3 repetições. Na Tabela 1 encontra-se a descrição dos tratamentos desenvolvidos.

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Tabela 1

Tratamentos aplicados para incorporação de α-tocoferol nas suspensões poliméricas e suas respectivas siglas

Tratamento

Polímero

Energia (J.mL

-1

)

A960

Amido

960

A1920

Amido

1920

A3840

Amido

3840

Q960

Quitosana

960

Q1920

Quitosana

1920

Q3840

Quitosana

3840

Para avaliação da incorporação da argila BNT foram estudados os fatores BNT em concentração de 0 e 2% e α-tocoferol (TOC) em concentração de 0 e 10% em delineamento inteiramente casualizado, com 3 repetições. Na Tabela 2 estão apresentados os tratamentos e suas respectivas siglas.

Tabela 2

Tratamentos para primeira etapa e suas respectivas siglas

Sigla

BNT (%)

TOC (%)

QUI

0

0

BNT

2

0

TOC

0

10

60

1ª ETAPA

2.3 Desenvolvimento dos filmes

As suspenções poliméricas foram obtidas nas mesmas condições do artigo 1. Foi realizada a dispersão de 10% (p/p) de α-tocoferol em 50 mL de solução em agitador Ultra-turrax (T 25, Ika-werke, Germany) por 45min a 1500 rpm e em seguida agitação ultrassônica em equipamento SonifierCellDisruptorBranson - Model 450D, Manchester, UK, com potência de 400 W por 15 min com amplitude de 20, 40 e 60% (Ren, Park, Kim, & Lim, 2016), que correspondem às energias de 960, 1920 e 3840 J.mL-1, respectivamente de acordo com a equação 1

(Christensen, 1985):

𝐸𝐴 =𝑃𝑥 𝑡

𝑉 (1)

Em que, EA é a energia ultrassônica aplicada à amostra (J.mL-1); P é a potência emitida

pelo aparelho (W); t é o tempo de agitação ultrassônica (s) e V é o volume de suspensão (mL).

Para facilitar a incorporação do α-tocoferol nas suspensões de amido, foi utilizado emulsificante lecitina de soja na proporção de 1:1 em relação ao tocoferol.

Para formação dos filmes biopolíméricos, as suspenções poliméricas foram vertidas em placas mantendo-se uma proporção de 25 mL de solução para 100 cm2.

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2.4.1 Diâmetro médio das partículas, índice de polidispersividade e potencial zeta As medições foram realizadas em um instrumento de dispersão dinâmica de luz (Zetasizer Nano ZS, Malvern Instruments, Malvern, Reino Unido), com um feixe de laser (633 nm) a um ângulo de 90°. Antes das medições, para evitar a multiplicação dos efeitos de dispersão e a fim de assegurar o livre movimento Browniano das partículas, as amostras foram diluídas (100x) utilizando uma solução tampão (pH 3,0). O diâmetro médio das partículas (DMP) e o índice de polidispersibilidade (PDI) foram calculados a partir da distribuição de tamanho de partícula e os valores de potencial zeta (ζ) foram determinados pela medição da mobilidade eletroforética, a 25°C e expressos em mV. Todas as medições foram realizadas à temperatura ambiente (Jadhav, Holkar, Karekar, Pinjari, & Pandit, 2015).

2.5 Análises nos filmes

2.5.1 Ângulo de contato e energia de superfície

As medidas de ângulo de contato foram realizadas nos filmes e na superfície dos grãos em equipamento Drop Shape Analyzer – DSA25. Para determinação da energia superficial, energia polar e dispersiva (mN.m-1), foram também medidos os ângulos de contato com o glicerol e com o tolueno e foi calculada pelo software através do método OWRK.

2.5.2 Ação Antioxidante

Para determinação da ação antioxidante do α-tocoferol foi utilizado o método de eliminação do radical livre estável 1,1-difenil-2-picrilhidrazil (DPPH), adotando a metodologia de Byun et al. (2010). Foram cortados 0,2 g de filme em pedaços pequenos e adicionados em 2 mL de etanol 80% (v/v) em tubos de ensaio revestidos com papel alumínio para evitar a entrada de luz. A mistura foi agitada

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em Vortex por três minutos e permaneceu em repouso a temperatura ambiente por três horas, em um ambiente escuro. Em seguida, foram agitadas novamente por três minutos em Vortex. Foi coletado 0,1 mL do extrato etanólico e adicionado em 3,9 mL de DPPH a 0,1 mM em etanol 80% (v/v) também em tubos de ensaio revestidos com papel alumínio e agitou-se em Vortex por um minuto. A mistura ficou novamente em repouso em um ambiente escuro por 30 min. Para quantificação da atividade sequestradora de radicais foi medida a absorbância das soluções a 517 nm em espectrômetro (SPECTROPHOTOMETER SP 2000UV), usando o etanol 80% com DPPH 0,1 mM como controle. A atividade antioxidante (%AA) foi calculada pela diferença entre absorbâncias medidas da solução DPPH com a amostra e o controle, dividido pelo controle.

2ª ETAPA

2.6 Desenvolvimento dos filmes

Para incorporação da argila BNT a 0 e 2% (p/p) e TOC a 0 e 10% (p/p), utilizou-se a mesma metodologia usada para incorporação do α-tocoferol no tratamento Q960. E o tratamento controle (QUI) não passou por agitação ultrassônica.

Para revestimento dos grãos de café as suspensões passaram por pré- secagem em estufa por 1 hora antes da aplicação. Os revestimentos foram aplicados pelo método de imersão e secos em secador com leito semi-fluidizado por 30 minutos a 30°C.

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2.7 Análise de punctura

A resistência à punctura foi avaliada nos filmes em analisador de textura (Stable Microsystems, modelo TATX2i, Inglaterra), seguindo a metodologia de Azevedo et al. (2015). A resistência máxima a ruptura foi dividida pela espessura, para eliminar o efeito de diferentes espessuras ao longo dos filmes confeccionados, e a deformação máxima antes da ruptura foi observada.

2.8 Permeabilidade ao vapor de água

As análises de permeabilidade ao vapor de água (PVA) foram realizadas em cápsulas com área de permeação de 21 cm² em câmara de umidade contendo água destilada pura, que manteve a umidade relativa externa a 90% UR e temperatura de 20° C ± 2°C. No interior das cápsulas foi colocada sílica, para manter umidade relativa interna sempre inferior a externa, induzindo o transporte de vapor de água para o interior das capsulas conforme o método E96 ASTM (1995).

Para determinação da taxa transporte de vapor de água, foram realizadas pesagens de 24 em 24h durante 7 dias. Foi gerada uma reta com os valores de ganho de peso em função do tempo e a inclinação da reta foi ajustada por regressão linear (R2> 0,9), e a taxa de transporte de vapor de água (TTVA, g/h/m2) foi calculada a partir da inclinação da reta dividida pela área de permeação dos filmes (m2). A PVA do filme foi calculada segundo a equação:

em que 𝛿 é a espessura dos filmes e ∆P é a diferença de pressão de vapor interna e externa da capsula: ΔP = S·(R1 – R2). Onde S é a pressão de vapor saturado na temperatura do

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teste (2809 kPa), R1 é a UR do lado externo da cápsula (90%) e R2 é a UR dentro da

cápsula que continha sílica (0%).

2.9 Difração de raios X

As análises foram realizadas nos filmes em difratômetro Philips modelo PW1840, usando como fonte de irradiação o cobalto (λ= 1.725 Å), operando a 35 kV e 25 mA. Os dados foram registrados ao longo de um intervalo 2θ de 2 - 35 °.

2.10 Compressão nos grãos de café cru revestidos

Com o intuito de avaliar o desempenho dos revestimentos quanto à proteção dos grãos durante o armazenamento, foi realizados ensaios de compressão nos grãos de café cru revestídos, em analisador de textura (Stable Microsystems, modelo TATX2i, Inglaterra) com probe de 314 mm² de área, velocidade de teste de 2 mm/s e com desencadeador de força 30g.

2.10 Análise Estatística

Para análise dos resultados dos testes foi realizado a análise variância e as médias foram comparadas entre si, pelo teste de Tukey, a 5% de probabilidade, pelo software SISVAR® (Ferreira, 2011).

3. Resultados e discussão

1a Etapa

3.1 Análise nas suspensões poliméricas

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Não foi observado diferença significativa (p>0,05) entre as amostras para IPD e o valor médio foi de 0,3. Segundo Lemarchand, et al. (2003), valores de IPD abaixo 0,3 indicam uma distribuição homogênea de tamanho das partículas dispersas na suspenção, o que é interessante para garantir ação antioxidante dos revestimentos de forma homogênea para todos os grãos (Park, Park, & Kim, 2015).

Não foi observada diferença significativa (p<0,05) para energia de agitação (p<0,05) no DMP e ζ.

Tabela 3

Medias de diâmetro médio das partículas (nm) e potencial zeta (mV) dos tratamentos de amido e de quitosana. Médias seguidas de mesmas letras minúsculas na coluna, não diferem entre si pelo teste de Tukey (p<0,05).

Polímero

DMP (nm)

ζ (mV)

Amido

255,5

a

(±58,4)

-15,1

a

(±0,05)

Quitosana

462,2

b

(±55,3)

29,1

b

(±0,11)

O ζ reflete as mudanças na interface das partículas quando em contato com meio dispersante, em razão da dissociação de grupos funcionais na superfície da partícula ou da adsorção de iôns presentes no meio aquoso. Assim, quanto maior o potencial na superfície das partículas, maior a repulsão entre as mesmas, e consequentemente, mais difícil de se aglomerarem. Portanto, a estabilidade da emulsão, está relacionada com o aumento do ζ em valores absolutos (Schaffazick, Guterres, Freitas, & Pohlmann, 2003).

Ren et al. (2016) observaram a redução dos valores DMP e ζ que foram de 1253 para 416 nm e -6 para -22,40 mV, respectivamente, com a aplicação de

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agitação ultrassônica variando de 0 a 700 J.mL-1, e conseguiram manter a

estabilidade por 28 dias do tratamento com maior estabilidade.

Aresta, Calvano, Trapani, Zambonin, & De Giglio, (2014) avaliaram emulsões de quitosana e α-tocoferol sintetizadas a partir de gelificação íonica. Estes autores encontraram valores de tamanho de partícula de 494 nm, IPD de 0,26 e potencial zeta de 28,6 mV para o tratamento com maior estabilidade.

Com base na comparação dos valores observados de potencial zeta cada polímero testado e os valores apresentados para emulsões consideradas estáveis, de acordo com os autores acima, pode-se afirmar que a quitosana teve maior estabilidade, já que o potencial zeta foi maior se aproximou mais do valor apresentado na literatura 29,1 e 28,6 mV.

3.2 Análise nas suspensões poliméricas

3.2.1 Atividade Antioxidante

A interação entre amplitude de agitação e polímero foi significativa (p>0,05) para atividade antioxidante. As médias para cada tratamento podem ser observadas na Tabela 4.

Todos os tratamentos apresentaram ação antioxidante. O tratamento com Q960 foi o que apresentou maior ação antioxidante.

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Tabela 4

Medias de atividade antioxidante (%) dos tratamentos de amido e de quitosana submetidos as diferentes amplitudes de agitação. Médias seguidas de mesmas letras minúsculas e maiúscula na coluna e na linha, respectivamente, não diferem entre si pelo teste de Tukey (p<0,05).

Polímero

Energia de Agitação (J.m

-1

)

960

1920

3840

Amido

39,3

aA

(±2,4)

37,0

aA

(±2,6) 38,0

aA

(±0,3)

Quitosana

50,3

bB

(±2,3) 39,3

aA

(±2,4)

36,2

aA

(±2,3)

O uso de ácido cítrico na elaboração dos filmes de quitosana, pode ter contribuído para maior poder antioxidante dos filmes. Bonilla et al. (2013) estudaram o efeito da adição de diversos antioxidantes, dentre eles α-tocoferol e ácido cítrico em bendas de amido/quitosana e observaram ação antioxidante do ácido cítrico, porém menor que a ação do α-tocoferol.

A agitação ultrassônica pode gerar temperaturas locais elevadas dependendo da intensidade (Wang et al., 2005), isso pode ter gerado uma degradação parcial do ácido cítrico presente nos filmes de quitosana, quando submetidos maiores amplitudes de agitação, devido ao ácido ser menos estável termicamente (Viviane Machado Azevedo, Silva, Gonçalves Pereira, da Costa, & Borges, 2015; Da Róz, Zambon, Curvelo, & Carvalho, 2011).

3.2.2 Ângulo de contato e energia superficial

A interação entre amplitude de agitação e polímero foi significativa (p>0,05) para ângulo de contato (Tabela 5).

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Tabela 5

Medias de ângulo de contato (°) dos tratamentos de amido e de quitosana submetidos as diferentes amplitudes de agitação. Médias seguidas de mesmas letras minúsculas e maiúscula na coluna e na linha, respectivamente, não diferem entre si pelo teste de Tukey (p<0,05).

Polímero

Energia de Agitação (J.m

-1

)

960

1920

3840

Amido

99,853

bA

(±0,4)

85,277

aB

(±0,7) 76,318

aC

(±0,9)

Quitosana

92,563

aA

(±0,6)

102,02

bB

(±0,3) 95,864

bA

(±1,6)

Todos os filmes de quitosana apresentaram valores de ângulos de contato maiores que 90°. Segundo Yuan & Lee, (2013), valores de ângulo de contato maiores que 90º podem ser um indicativo de hidrofobicidade.

O artigo 1 apresentou valor de ângulo de contato de 53,96° para filme de quitosana sem α-tocoferol, isso mostra a incorporação de α-tocoferol foi capaz de reduzir o ângulo de contato dos filmes. O aumento da hidrofobicidade de filmes de quitosana com a incorporação de α-tocoferol está relacionada com a natureza apolar do α-tocoferol (Dias et al., 2014), o que foi confirmado com a análise da energia de superfície dos filmes. A hidrofobicidade dos filmes é desejada para manter o teor de água dos grãos de café cru baixo durante o armazenamento.

O uso de α-tocoferol em filmes de amido, também aumentou o valor do ângulo de contato, quando comparado com o artigo 1, ângulo de contato de 79,09° para filme de amido sem α-tocoferol. O tratamento A960 foi o mais hidrofóbico dentre os tratamentos de amido, isto pode estar relacionado com o tipo de emulsão formado em função da energia ultrassônica aplicada.

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Para a energia superficial, a amplitude e o tipo de polímero não foram significativos (p>0,05) apresentando valor médio de 28,4 mN.m-1 (± 1,09). Já o grão de café cru apresentou energia superficial de 30,1 mN.m-1 (±4,69). A energia

de superfície dos filmes poliméricos e dos grãos de café cru não apresentaram diferença significativa (p>0,05).

Para os parametros componentes polar e dispersiva, os fatores avaliados (tipo de polímero e amplitude) também não foram significativos e apresentaram valores médios de 1,8 mN.m-1 (± 2,09) e 26,7 mN.m-1 (± 2,26), respectivamente. Já os grãos de café cru apresentaram valores de componentes polar e dispersiva de 7,1 mN.m-1 (± 2,92) e 23,0 mN.m-1 (± 1,8), respectivamente. O que é

interessante para uma boa aderência do revestimento ao grão.

A componente polar está relacionada com a fração polar da superfície, ou seja, a parte que tem boa interação com água. Os valores superiores da componente dispersiva em relação a componente polar, e também os baixos valores de energia superficial evidenciam que tanto o grão de café cru quanto os revestimentos apresentam caráter hidrofóbico (Casariego et al., 2008).

A energia superficial, tanto da superfície do alimento a ser revestido quanto do polímero que será aplicado, é um fator que influencia fortemente o processo de revestimento, pois a adesão está essencialmente relacionada com a energia de superfície do polímero (Casariego et al., 2008). Um material hidrofóbico estabelece forte interação com uma superfície hidrofóbica, assim como um material hidrofílico adere bem sobre uma superfície hidrofílica (Assis & Britto, 2011).

2a ETAPA

70

3.3.1 Permeabilidade ao vapor de água

A interação de BNT e TOC foi significativa para a permeabilidade ao vapor de água (PVA) dos grãos revestidos (tabela 6).

Tabela 6

Permeabilidade ao vapor de água (x10-10 g/m.s.Pa). Médias seguidas de mesmas letras minúsculas na coluna não diferem entre si pelo teste de Tukey (p<0,05).

BNT (%)

α-Tocoferol (%)

0

10

0

4,0

bA

(±0,5)

5,1

bB

(±2,2)

2

2,2

aA

(±1,0)

3,7

aB

(±1,4)

A incorporação de BNT promoveu a queda da PVA, para os tratamentos QUI e TOC, auxiliando para o desenvolvimento de filmes com maior barreira ao vapor de água. As camadas de argila dispersas pelo polímero, aumenta o trajeto para passagem de vapor de água através da matriz polimérica, o que reduz a difusividade do vapor de água no filme e, consequentemente, fortalecendo uma barreira ao vapor de água (Dias et al., 2014).

Já a incorporação de TOC causou o aumento da PVA. A incorporação de TOC reduz a quantidade relativa de estruturas cristalinas na película, levando a uma estrutura mais amorfa, que pode ser observado nos difratogramas no item 3.4,o que aumenta a mobilidade das cadeias, facilitando a difusão das moléculas de água pelo polímero.

Martins; Cerqueira; Vicente, (2012), avaliaram o efeito de diferentes concentrações de TOC em filmes de quitosana e relacionaram o aumento da PVA com a presença de TOC.

71

3.3.3 Punctura

A interação entre BNT e TOC foi significativa (p>0,05) para RP dos filmes (tabela 7).

Tabela 7

Medidas da resistência a punctura (N/mm) dos filmes. Médias seguidas de mesmas letras minúsculas e maiúscula na coluna e na linha, respectivamente, não diferem entre si pelo teste de Tukey (p<0,05).

BNT (%)

α-Tocoferol (%)

0

10

0

102,3

aA

(±33,5)

277,6

bB

(±87,6)

2

223,8

bA

(±14,2)

114,1

aA

(±42,9)

A incorporação de BNT/TOC diminuiu a RP em relação ao tratamento TOC e se manteve o mesmo em relação ao tratamento BNT. Porém, todos os tratamento aumentaram a RP em relação ao controle (QUI).

Para deformação, houve diferença significativa (p<0,05) apenas para adição de BNT (tabela 8). A adição de α-tocoferol não interferiu na deformação dos filmes.

Tabela 8

Medidas da deformação (mm) dos filmes antes da ruptura. Médias seguidas de mesmas letras minúsculas na coluna não diferem entre si pelo teste de Tukey (p<0,05).

BNT (%)

Deformação (mm)

0

9,85

a

(±0,33)

72

Rhim, Lee e Hong (2011) testaram a incorporação de argila bentonita (closite Na+) em filmes de ágar e observaram a queda no deformação com a

presença de argila bentonita em relação ao controle.

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