7.4 Construction de séries subissant une intervention
7.4.3 Estimation d’une intervention
fundamentado em sólidas bases metodológicas, indispensáveis para o desenrolar desta e de qualquer que seja a pesquisa. Assim, só foi possível analisar e compreender o novo momento
27 Entretanto, destacamos que isso também se aplica às antigas atividades, que continuam se desenvolvendo e
da produção brasileira de coco e seus rebatimentos diretos na organização socioespacial da produção cearense após mobilizarmos os elementos necessários que auxiliaram no desenrolar da pesquisa. Dessa forma, se faz importante indicar quais foram nossos procedimentos metodológicos tomados ao longo da consecução deste trabalho.
A respeito dessa importância de se atentar para questões de ordem metodológicas, Campenhoudt e Quivy (2013), em Manuel de recherche en sciences sociales, destacam que é “fundamental que antes de tudo o pesquisador seja capaz de conceber e executar um dispositivo de elucidação do real, ou seja, no seu senso mais largo, um método de trabalho” (p. 07, grifo nosso). Em outras palavras, os autores sugerem que por trás de todo estudo deve existir um importante esforço de compreensão da realidade a qual está sendo analisada, especialmente a partir de um “método de trabalho” suficientemente capaz de fornecer ao pesquisador os elementos necessários para atingir os objetivos de sua investigação.
Gumuchian e Marois (2000), em uma obra inteiramente dedicada aos procedimentos da pesquisa em Geografia, Initiation à la recherche en Géographie, também ressaltam essa importância do método e da metodologia28 para a construção do conhecimento geográfico. De acordo com os autores, “[...] a compreensão da realidade (ou de uma parte dela) supõe uma escolha do ponto de vista teórico ou filosófico. Essa escolha influencia a estratégia da pesquisa e as etapas a concluir” (p. 77). Inúmeros são, pois, os métodos que podem ser acionados, dependendo sempre dos objetivos da pesquisa e das próprias motivações teórico-filosóficas do pesquisador. E seja qual for esse método, é imprescindível que seja considerada a intrínseca relação entre espaço e sociedade, conforme assegura Santos (1985) em Espaço e Método.
Ainda acerca da noção de método, Santos (2009, p. 77) considera que a partir dele é que podemos construir um “[...] sistema intelectual que permita, analiticamente, abordar uma realidade, a partir de um ponto de vista”, não sendo um dado a priori, mas uma construção, no sentido em que a própria realidade social é intelectualmente construída através dos tempos (SANTOS, 2009). Dentro dessa perspectiva, Sposito (2004, p. 23) acrescenta também que o método deve ser tomado enquanto um “instrumento intelectual e racional que possibilite a apreensão da realidade objetiva pelo investigador, quando este pretende fazer uma leitura dessa realidade e estabelecer verdades científicas para a sua interpretação”.
28 Cabe salientar que, de acordo com F. Alves (2008), o método nada mais é do que um instrumento organizado
que procura atingir resultados, estando diretamente ligado a uma teoria que o fundamenta e a procedimentos metodológicos que facilitem a sua operacionalização. Dessa forma, a metodologia deve ser entendida como um componente inerente ao método, enquanto procedimentos tomados pelo pesquisador no intuito de guiar uma determinada investigação.
Desse modo, e partindo da compreensão de que não basta apenas saber o que será pesquisado, é imprescindível preocupar-se com o como pesquisar, segundo sugere Sposito (2004), as questões de método e metodológicas aparecem como basilares para o desenvolvimento de qualquer que seja o estudo. Assim, o método deve ser visto enquanto um instrumento fundamental no intuito de auxiliar no conhecimento do objeto estudado, uma vez que “que vai nortear a delimitação do tema/problema, possibilitando ao cientista selecionar o que é, e o que não é, importante a ser estudado” (FABRINI, 2005, p. 12). É através do método, com o auxílio dos procedimentos metodológicos, que conseguimos nos organizar, da melhor maneira possível, no intuito de apreender a realidade a qual estamos considerando.
Nesse sentido, nosso método de análise está centrado na identificação de importantes processos observados em virtude da reestruturação produtiva do setor do coco, tema que norteia todo o desenrolar deste trabalho. Destaca-se que estamos tomando os “processos” enquanto uma categoria que indica uma “ação contínua, desenvolvendo-se em direção a um resultado qualquer, implicando conceitos de tempo (continuidade) e mudança” (SANTOS, 1985, p. 50)29. A compreensão de como se organizam tais processos e o entendimento de como eles evoluem, tanto no tempo quanto no espaço, possibilita, sobremaneira, uma melhor apreensão do novo momento pelo qual passa o setor do coco, sobretudo em razão da grande quantidade de elementos que podem ser mobilizados ao mesmo tempo a fim de caracterizar esses processos. A esse respeito, Santos (1985, p. 14) considera que quando analisamos um certo processo, ou um dado espaço, “se nós cogitamos apenas um dos seus elementos, da natureza desses elementos ou das possíveis classes desses elementos, não ultrapassamos o domínio da abstração”. Assim, a compreensão do todo pressupõe a análise das particularidades que o compõem (SANTOS, 2009). Ainda segundo Santos (1985, p. 14), “é somente a relação que existe entre as coisas que nos permite realmente conhecê-las e defini-las. Fatos isolados são abstrações e o que lhes dá concretude é a relação que mantém entre si”. Nessa lógica, é fundamental atentar para os principais processos que configuram e dinamizam a reestruturação produtiva do setor do coco, no intuito de ampliar a compreensão de sua nova geografia.
Silveira (2010, p. 75) considera que “estamos face a novos problemas de método que indicam a necessidade de abandonar as abordagens mais preocupadas com os limites e adotar aquelas mais orientadas a entender os processos”. Para a autora, no atual período histórico presenciamos a emergência de novos paradigmas que nos levam também a novos problemas de
29 Santos (1985) apresenta quatro categorias de análise indispensáveis para a elaboração de um método
eminentemente geográfico. Além de processo, o autor, assim como Lefebvre (2000), considera ainda as categorias de estrutura, função e forma.
método e que abrem caminho para uma “epistemologia dos processos” (SILVEIRA, 2006). Já Lévy (2000, p. 334) afirma que “há pouca contestação sobre a existência de mutações no espaço das sociedades”, restando, no entanto, identificar e analisar os processos que indiquem essas mutações. É dentro dessa perspectiva centrada na apreensão dos processos que se baseia nosso principal método de análise, aqui apresentado.
Na nossa pesquisa estamos considerando três processos principais diretamente inseridos ao contexto da reestruturação produtiva do setor do coco, nos quais centraremos nossa análise com o objetivo de melhor compreender os seus mais significativos desdobramentos. Os processos que estamos considerando são: i) reconfiguração do circuito espacial produtivo do coco; ii) mudança na forma de uso e ocupação do espaço agrícola cultivado com coco; iii) reorganização das relações sociais de produção de coco. Na sequência, descrevemos as características de cada um deles, cuja elucidação permite avançar no desenrolar da pesquisa, tanto do ponto de vista operacional quanto analítico.
i) Reconfiguração do circuito espacial produtivo do coco
Com a reestruturação produtiva do setor do coco observa-se um intenso processo de modernização da produção do fruto, com uma substituição dos sistemas técnicos anteriormente utilizados e com a difusão de novos e modernos insumos, equipamentos e práticas agronômicas, responsáveis por alavancar a produtividade dos coqueiros. Além de reorganizar a produção agrícola do fruto, essa reestruturação também atinge as etapas de processamento industrial, com o desenvolvimento de novas técnicas e novos subprodutos e com o surgimento de empresas agroindustriais que passam a se especializar no processamento do coco. Nota-se, ainda, uma reorganização do consumo desse fruto, seja in natura seja processado, abrindo margem para a inserção do setor do coco nos circuitos globalizados da produção e do consumo. Com isso, assiste-se a uma significativa reconfiguração do circuito espacial produtivo do coco no país, a qual analisaremos com mais vigor no capítulo 2.
ii) Mudança na forma de uso e ocupação do espaço agrícola cultivado com coco
Um dos importantes processos observados com a reestruturação produtiva do setor do coco é a mudança na forma de uso e ocupação do espaço agrícola associado ao cultivo do fruto. Notam-se alterações nas dinâmicas de organização dos espaços de produção de coco, que passam a ser readequados com o intento de fomentar o desenvolvimento dessa atividade. Além disso, com a reestruturação em curso acentua-se a dispersão espacial do cultivo do fruto por todas as regiões do país, associada ao acirramento da especialização territorial produtiva,
acarretando significativas alterações na configuração espacial das principais regiões de produção do fruto. Modifica-se, ainda, a participação de empresas agrícolas e agroindustriais inseridas no setor, alterando, por exemplo, a estrutura fundiária nas áreas de cultivo de coco. Tudo isso acaba alterando a forma de uso e ocupação do espaço agrícola, conforme apresentaremos em partes dos capítulos 2, 3 e 5.
iii) Reorganização das relações sociais de produção de coco
A reestruturação produtiva do setor do coco é responsável também por promover uma reorganização das relações sociais de produção diretamente inseridas ao seu circuito espacial produtivo. Percebe-se que há uma importante reorganização das atividades realizadas pelos produtores do fruto, que passaram a ser inseridos nesse contexto de reestruturação e que tiveram de se adaptar a esse novo momento da produção de coco. Nota-se que as relações de trabalho, tanto o trabalho familiar como as formas de trabalho temporário e assalariado, também foram alteradas com a emergência desse novo tempo da produção de coco. Observa-se, ainda, que grandes e médias empresas agrícolas e agroindustriais passam cada vez mais a regular o setor, controlando as etapas de produção, processamento e distribuição de coco, associadas a uma modificação das formas de comercialização e de atuação dos agentes que dinamizam essa atividade. Esse conjunto de fatores favorece uma reorganização das relações de sociais de produção, como abordaremos com mais ênfase nos capítulos 4 e 5.
A partir da compreensão dos processos indicados, temos elementos necessários para responder à nossa questão central – como se organiza a nova geografia do coco diante da reestruturação produtiva que atinge o setor? – e para atingir os objetivos propostos com o trabalho. É importante destacar que todos os procedimentos metodológicos tomados na pesquisa foram pensados e estruturados a partir da indicação desses três processos, assim como a organização e subdivisão dos capítulos da dissertação. Dessa forma, são esses processos que dão a sustentação necessária ao percurso da nossa investigação.
E como apreender cada um dos três processos e as dinâmicas que os caracterizam? Após identificá-los, partimos para a construção de uma matriz analítica, uma ferramenta que possibilita uma visão total da pesquisa e que permite realizar uma articulação entre os distintos processos. Ressalta-se que foi a partir da indicação desses processos que chegamos ao formato em que essa matriz se encontra, isto é, o ponto de partida foi identificar e selecionar esses processos. Tomamos a construção dessa matriz analítica como um importante recurso