Pr´ esentation des mod` eles num´ eriques et des simulations
2.1 Entre AGCM et RCM : ARPEGE-Climat ` a maille variable
O livro concentra em um volume único o conteúdo destinado ao estudo da Língua Portuguesa no Ensino Médio e está dividido em 24 capítulos, com dois adendos ao final: ―Questão de estilo‖ e ―Linguística e Gramática‖. Os 24 capítulos regulares alternam o foco entre aspectos discursivos, como ―Imprensa‖ ou ―Fala e escrita‖, e literários, como ―Semana da arte moderna‖.
Cada capítulo é iniciado com a seção ―Ponto de partida‖, que visa a estimular o leitor sobre o assunto em questão através de textos verbais e imagens. Nessa seção há um texto principal, além de sugestões de leitura e perguntas introdutórias nos boxes ―Reflexão‖, ―Primeiras idéias‖ e ―Troque idéias‖. Apenas neste último já se percebe uma abordagem específica sobre o texto que abre o capítulo, enquanto os demais são mais genéricos, ainda que voltados para o tema. Esse texto principal para análise é discutido através do ―Estudo do texto‖; neste momento a autora de fato se debruça sobre a compreensão do texto e também
11 Heloisa Harue Takasaki , até 2005, tinha graduação em Letras português/espanhol, pós-graduação em língua
portuguesa pela Universidade Tuiuti do Paraná e em Linguística aplicada ao ensino de língua materna pela UFPR
sobre tópicos linguísticos: gramaticais, intertextuais, com referência ao gênero textual, ao seu propósito comunicativo, às estratégias de sua construção, etc. A próxima seção, ―Para confrontar‖, traz uma leitura complementar à primeira, geralmente com o mesmo tema em outro gênero, e da mesma forma analisado com um ―Estudo do texto‖. Dessas seções saiu a maior parte das atividades do nosso corpus, pois o perfil do exercício era justamente uma leitura dos vários níveis do texto, sem descartar o material linguístico como ferramenta para buscar os efeitos de sentido possíveis. Não havia, portanto, a ruptura entre a prática de leitura e a reflexão sobre a língua, tomadas em conjunto para o desenvolvimento das habilidades comunicativas do estudante. Entre esses momentos de leitura às vezes aparecem boxes como ―Para discutir‖ e ―Para pesquisar‖, que ampliam o debate suscitado pelos textos; além da seção de ―Atividades‖, com exercícios propostos sobre o tema ou subtemas da unidade, não necessariamente sobre o texto lido. Além das seções de leitura e interpretação citadas acima, há sequências de explicações didáticas; seleção de textos em ―Antologia‖; aspectos linguísticos em ―Estudo da Língua Padrão‖; e, finalmente ―Produção de texto‖. Na seção ―Estudo da Língua Padrão‖ apenas uma vez foi proposta uma atividade de leitura, sendo nos demais casos composta por sequências explicativas.
Essa estrutura básica não é seguida nos dois capítulos finais, os já citados ―Questões de estilo‖ e ―Linguística e gramática‖. O primeiro recapitula o conteúdo de história da literatura brasileira que foi desenvolvido ao longo do livro, aponta características, autores, obras, aspectos contextuais que nem sempre são contemplados nos 24 capítulos regulares. De alguma forma esse complemento parece redundante, mas de fato os capítulos dedicados à literatura não são muito completos, não é apresentada, por exemplo, a lírica árcade, apenas a poesia satírica. Esse complemento se dá no adendo ao final.
Quanto ao capítulo ―Linguística e gramática‖, divide-se em duas partes como o título já indica: a primeira aborda as concepções de linguagem e de gramática, principalmente
através da leitura e interpretação de textos acadêmicos; a segunda traz tópicos gramaticais, como um apêndice para consultas.
Percebemos que há um grande esforço da autora no sentido de basear o livro no trabalho com textos, tanto literários quanto não-literários. Quanto à abordagem desses textos, a perspectiva dos gêneros é levada em consideração durante sua análise, como no exemplo:
―1. Você deve ter percebido que o texto que leu é uma entrevista. Uma entrevista publicada em jornais e revistas, em geral, é organizada a partir de um formato fixo: o par pergunta-resposta, mesmo que a entrevista realizada oralmente não tenha sido tão organizada assim. Quem é o entrevistado? Quem é o entrevistador‖ (TAKASAKI, 2005: 14)
No entanto, na maioria dos casos o gênero em si não é o objeto de estudo, explicações breves são fornecidas sobre aquele que está sendo trabalhado, e suas características vão perpassando as atividades de acordo com a necessidade que a autora tem de explicá-los. Da mesma forma, os aspectos linguísticos não são organizados sistematicamente como se costuma ver nos LDP, com conceituações formais e exercícios de fixação. Como acontece com os gêneros, os conhecimentos linguísticos necessários para a resolução das atividades são brevemente relembrados quando há necessidade, outras vezes são considerados como conhecimento prévio do estudante. Desse modo, percebemos que a abordagem proposta para a língua está imbricada nas práticas de leitura, abandonando o modelo clássico de estudo das categorias gramaticais. Isso não quer dizer que a autora abra mão da gramática, como já discutimos no primeiro capítulo, mas cede apenas o espaço que julga necessário para um livro de Ensino Médio, onde muitos conhecimentos já podem ser esperados do estudante e não mais repetidos desde o início. A parte da gramática no apêndice ―Linguística e Gramática‖, atende a eventuais consultas e dúvidas do estudante no uso da língua padrão. Uma crítica que
fazemos à obra é que a seção ―Estudo da Língua padrão‖, que poderia contribuir para organizar conhecimentos linguísticos, só ocorre duas vezes, com abordagem baseada em textos não-autênticos ou usados como pretexto para exemplificação do conteúdo. Ela de fato destoa do resto do livro pela forma como foi elaborada, já que poderia suprir a necessidade de alguns aspectos normativos sem perder o viés teórico-metodológico das demais partes do livro.
Observando o Manual do Professor vê-se que alguns aspectos são explicitados sobre a abordagem prevista para os aspectos linguísticos. A autora se fundamenta nos PCN para o Ensino Médio e toma como competências esperadas para o aprendizado:
a) distinguir gramática descritiva e normativa, a partir da adequação ou não a situações de uso;
b) conceber a gramática como uma disciplina viva, em revisão e elaboração constante.
Em outro momento, a autora defende que o ensino gramatical deve ser ―um instrumento de apoio para a prática de produção e compreensão de textos‖ (p. 9 do Manual do Professor). Apesar de não ampliar o debate nem explicar como pretendia fazer isso ao longo do livro, encontramos atividades que proporcionam um trabalho com a AL junto aos gêneros do discurso, sobre as quais nos debruçaremos agora.