Segundo Hjørland e Albrechtsen (1995), o conhecimento humano ´e amplo e para ser dominado necessita ser dividido por ´areas, ou dom´ınios de conhecimento. Para Reddy e Jansen (2008), cada dom´ınio ´e composto por uma comunidade que compartilha os conhe- cimentos atrav´es de modelos que s˜ao elaborados e usados de forma colaborativa. Rittgen
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Figura 38: A Modelagem Conceitual dos Fatos Fonte: Adaptado de Dietz (2006)
(2007) lembra que, considerando os diferentes p´ublicos em um mesmo dom´ınio, um mesmo objeto pode ser modelado com v´arias vis˜oes com diferentes n´ıveis de abstra¸c˜ao, visando atender p´ublicos espec´ıficos dentro do dom´ınio. O m´etodo Archimate (LANKHORST, 2005), por exemplo, sugere dividir a organiza¸c˜ao em cinco dom´ınios, conforme a figura 39.
7.1.7
Metamodelos
Segundo Loucopoulos e Kavakli (1995), os componentes de uma linguagem de mo- delagem podem ser representados em um metamodelo. Para Gasevic, Djuric e Devedzic (2006), um metamodelo deve mostrar os construtos e regras necess´arias para construir um modelo espec´ıfico no dom´ınio de interesse. De acordo com Mylopoulos (2004), uma linguagem de modelagem conceitual ´e composta por tokens, classes e metaclasses que se relacionam, conforme demonstrado na figura 40. Os Tokens s˜ao as instˆancias dos objetos que possuem rela¸c˜ao entre si, as classes representam os conceitos dos objetos e suas re- la¸c˜oes em um determinado dom´ınio e as metaclasses indicam os grupos de classes adotadas na modelagem do dom´ınio.
Para Gasevic, Djuric e Devedzic (2006), um metamodelo v´alido pode ser conside- rado uma ontologia, pois seus construtos e regras indicam entidades e rela¸c˜oes em um dom´ınio de conhecimento. Por exemplo, quando desenvolvedores de software usam UML
Figura 39: Dom´ınios Organizacionais Fonte: (LANKHORST, 2005)
para construir modelos de sistemas, eles efetivamente usam uma ontologia, pois utilizam conceitos destas, como classes, objetos e rela¸c˜oes.
7.1.8
Frameworks
De acordo com Marley (2009), o conjunto de metamodelos comp˜oe um framework. Este provˆe um vocabul´ario comum para que as comunidades possam colaborar entre si para resolver um problema espec´ıfico. Um framework possui trˆes componentes: uma vis˜ao dos elementos e suas rela¸c˜oes, o m´etodo que prove a disciplina para coleta, organiza¸c˜ao dos dados e constru¸c˜ao das vis˜oes e a ferramenta que provˆe suporte para aplica¸c˜ao do m´etodo e constru¸c˜ao das vis˜oes.
A maior parte dos das abordagens para a Arquitetura empresarial se auto-denominam framewoks mas muitas vezes n˜ao cont´em todos os elementos sugeridos por Marley. O Framework Zachman (se¸c˜ao 5.9, p´agina 47), por exemplo cont´em apenas a vis˜ao dos elementos e rela¸c˜oes.
7.1.9
Ontologias
Segundo Gasevic, Djuric e Devedzic (2006), uma ontologia ´e um conjunto de termos de uma ´area de conhecimento, incluindo um vocabul´ario, interconex˜oes semˆanticas e algumas
Figura 40: Os n´ıveis Meta, Dom´ınio e Token Fonte: (MYLOPOULOS, 2004)
regras de inferˆencia e l´ogica. Uschold e Gruninger (1996) complementam, afirmando que as ontologias permitem o entendimento compartilhado de dom´ınio de conhecimento, formando na comunidade uma esp´ecie de vis˜ao do mundo ´unica. Nesta vis˜ao de mundo, ou conceitualiza¸c˜ao, as ontologias podem ter um n´ıvel superior de conceitos gerais que se aplicam a dom´ınios espec´ıficos dentro da mesma ´area de conhecimento, conforme a figura 41.
Guarino (1998) observa que as ontologias est˜ao presentes em diversas linguagens sem que isto seja percebido. Para ele, a modelagem de banco de dados ´e uma forma de ontologia, pois estabelece conceitos e rela¸c˜oes. Gasevic, Djuric e Devedzic (2006) afirmam que todo metamodelo ´e uma ontologia, mas os pr´oprios autores ressaltam que nem toda ontologia ´e expressa em metamodelos. Uma ontologia pode ser usada para comunicar conhecimento entre humanos e entre computadores. Para a comunica¸c˜ao entre humanos as ontologias s˜ao semelhantes a redes semˆanticas ou metamodelos, que podem variar em diferentes graus de formalismo (estrutura). Para comunica¸c˜ao entre computadores ou simula¸c˜ao e valida¸c˜ao em programas, a ontologia necessita de uma linguagem formal como a OWL5, um padr˜ao para ontologias do W3C6.
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OWL: Ontology Web Language
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Figura 41: Exemplo de Ontologia Fonte: (USCHOLD; GRUNINGER, 2004)
Rebstock, Fengel e Paulheim (2008) sugerem uma hierarquia considerando o n´ıvel de formalismo e expressividade nas diversas ontologias. As ontologias mais simples s˜ao vocabul´arios controlados e as mais completas s˜ao compostas por equa¸c˜oes matem´aticas ou declara¸c˜oes l´ogicas, como a l´ogica de primeira ordem.
Para Smith (2010), o grande interesse pela modelagem da informa¸c˜ao gera um grande debate sob o uso do termo ontologia, que em muitos autores se confunde com modelagem conceitual. A abstra¸c˜ao das coisas de um mundo particular, objetivo nas ontologias e na modelagem conceitual, ´e uma preocupa¸c˜ao da filosofia desde Aristoteles, e depois dele diversas correntes de pensamento estabeleceram formas de pensar as coisas do mundo. Para um dos fil´osofos contemporˆaneos, Bergmann (1992), o problema b´asico da ontologia ´e a busca por um invent´ario completo dos v´arios tipos de existˆencia.
Smith (2010) observa que a modelagem da informa¸c˜ao sobre as coisas do mundo, notadamente ap´os meados do s´eculo XX, com o advento dos computadores, deixou de ser um tema exclusivo da filosofia. Segundo o autor, a ontologia ´e tema de estudo tamb´em nas novas ciˆencias sociais aplicadas, notadamente a Ciˆencia da Informa¸c˜ao.
Figura 42: Tipos de Ontologias e a Expressividade e Formalismo Fonte: (REBSTOCK; FENGEL; PAULHEIM, 2008)
Raul Corazzon7 mant´em um site dedicado exclusivamente ao estudo da ontologia na filosofia, desde a antiguidade at´e fil´osofos contemporˆaneos, ainda vivos, mostrando que o interesse no tema da abstra¸c˜ao sobre as coisas ´e antigo e permanece vivo.
Com a prolifera¸c˜ao de ontologias em diversos dom´ınios de conhecimento, sem padroniza¸c˜ao, surgiram propostas com categorias universais que ajudam a modelar o n´ıvel superior das ontologias. Uma das propostas neste sentido ´e a Basic Formal Ontol- ogy (BOF), de Smith (2010) (figura 43).
Esta proposta considera que qualquer ontologia possui trˆes metaclasses: as “con- tinuantes independentes” que existem independentemente de outras classes, as “continu- antes dependentes” que existem apenas ligadas a outras classes (como propriedade delas) e “ocorrentes” que s˜ao as classes que acontecem no mundo, modificando as outras classes e suas propriedades.
As ontologias podem ser modeladas em ferramentas espec´ıficas, como as apresentadas por Sarraipa et al. (2008). Dentre as ferramentas mais populares, que implementam, entre outras, a linguagem OWL, est´a a ferramenta Proteg´e, um software livre desenvolvido
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Figura 43: Basic Formal Ontology (BOF) Fonte: (SMITH, 2010)
pela universidade de Stanford8. Os produtos de modelagem de ontologias atualmente dispon´ıveis s˜ao originados e destinados ao meio acadˆemico, pois as ontologias s˜ao formais e pela sua complexidade possuem ainda pouca penetra¸c˜ao nas organiza¸c˜oes.