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ECHANTILLONNAGE ´ Sampling

Dans le document Dictionnaire encyclopédique Statistique (Page 170-173)

O Canto de intervenção em Espanha exprime as várias características culturais das diversas regiões geográficas da Estremadura, da Andaluzia, de Aragão, do País Basco, da Catalunha e da Galiza.

Se, por um lado, os cantores da região da Catalunha atingiram padrões elevados quer a nível musical, quer a nível poético, a região autónoma do País Basco, por outro, é a menos divulgada, por razões linguísticas. Contudo, é a que revela uma maior importância política na luta da sua ambicionada independência. Também a da Catalunha partilha razões de identificação cultural própria, desenvolvendo uma acção cultural representativa próxima da população. Foram estas razões, acrescidas às de economia de trabalho, que condicionaram a escolha destas duas simbólicas e históricas regiões de Espanha.

Em meados dos anos sessenta o Grupo “Voces Ceibes” que significa vozes livres, desenvolveu a sua actividade junto dos estudantes, por um lado, dos trabalhadores, por outro.

O grupo adoptou a estratégia de musicar temas dos poetas de maior divulgação na Galiza: Celso Emílio Ferreira, Rosália de Castro entre outros. A poesia de autores de renome aliada à música de Bibiano Moron, de Benedicto e Miró Casabela deram origem ao aparecimento de temas musicais que contribuíram para o enriquecimento cultural da Galiza. Receando a importância de que as manifestações culturais pudessem mobilizar a população para uma pretensa subversão, as autoridades fascistas do governo de Franco proibiram espectáculos e apreenderam discos e demais material. As canções versavam de temas relacionados com a emigração, a oposição à língua castelhana nos órgãos de informação, a luta dos trabalhadores pela melhoria das condições de trabalho quer no campo quer na cidade.

41 No caso de Bibiano Moron, influenciado pelo Maio de 68,pelas reivindicações estudantis e laborais, começará a sua militância política galeguista e de esquerda sob as siglas do Partido Comunista em 1972. Antes desse ingresso no partido referido Bibiano Moron entrará a formar parte das vozes do grupo “Voces Ceibes” em 1971, um movimento cultural e musical nado na raiz dos acontecimentos no Maio de 68 em Santiago. “Este era um movemento que aglutinava a um grupo de pessoas, cantautores a maioria que, através da cancion, faciam unha enraizada defensa do idioma galego e loitabam pela defensa da cultura de sua terra Galícia” segundo Bibiano.11

Bibiano Moron, após a mudança de regime político em Espanha e terminado o grupo por razões profissionais continuou a gravar LPs defendendo basicamente o aparecimento de uma Galiza rejuvenescida baseada na justiça da luta dos seus trabalhadores.

A participação de Miró Casabellla no “Vocês Ceibes”, porque vivia na Catalunha, limitou-se a realizar um espectáculo com o grupo durante uma temporada. Contudo, prosseguiu a sua carreira musical com recitais a solo ou com nomes conhecidos de canto de intervenção, casos de Georges Brassens, Paco Ibañez, Luís Cília entre outros.

Por seu turno, Benedicto gravou, segundo Letria (1981:117) “com excelentes músicos o seu primeiro LP intitulado “Pola Union” disco de combate que fala dos anos de resistência, da luta pela liberdade e pela democracia e que funciona como um apelo constante à unidade do povo trabalhador. ”

Saliente-se ainda, o seu carácter popular apoiado por uma sonoridade construída a partir de instrumentos galegos. Benedicto participou inclusive, antes do 25 de Abril na gravação do disco de José Afonso: “Eu vou ser como a Toupeira”.

A Catalunha, por sua vez, região mais próxima de França destaca-se pela sua relevância económica e social. O progresso desta região incentiva a população a uma forte tendência autonómica, reforçada pela língua e, consequentemente, pela cançó catalã. Esta vertente artístico-musical responde às expectativas autonómicas do povo catalão. Os agentes culturais catalães procuram na nova cançó a valorização de uma

11 -Moron, Bibiano (2010)cap .II : “ O nacemento da cancion galega”.Internet disponível em

42 língua e genericamente a afirmação de identidade de um povo que aspira à sua autonomia. Contudo, a nova cançó, segundo Letria (1981:89),

(…) nunca constituiu um movimento de canção revolucionária, sendo-o apenas na medida em que orientou toda a sua acção no sentido de dinamizar o processo autonomista e de aglutinar em torno dele as classes que tradicionalmente se opõe do maciço processo de castelhanização da cultura e da vida institucional.

A nova cançó catalã sofreu significativos impulsos graças a várias influências designadamente da pequena burguesia. Destaque-se o papel do cantor de voz forte e sui

generis Raimon Pelegero Sanchis com o seu grito de existencialismo rebelde ao longo

de uma carreira com 38 álbuns no período compreendido entre 1964 e 2006. Salientemos ainda os cantores comerciais Joan Manuel Serrat, Salomé e Nuria Feliu.

A utilização do catalão por Raimon como desafio ao castelhano contribuiu para a emancipação e respectivo respeito da cultura da região. Segundo Letria (1981:91)

(…) significa que esta língua pretende valorizar uma sociedade sem repressão, sem exploradores, sem miséria, uma sociedade democrática. Ideologicamente a obra de Raimon vem dar corpo e sentido a uma forma de expressão até aí relativamente dispersa e desorganizada.

A Cançó da Catalunha evoluiu a ponto de se tornar nítida a divisão em áreas fundamentais: a canção de intervenção com Raimon, Pi de la Serra e Ovidi Montlor, a canção comercial de qualidade com Joan Manuel Serrat, a canção de texto de Luís Llache, Guilhermina Mota Euric Barbat, Pau Riba e Maria del Mar Bonet.Com influências não só do Folk americano como também de Georges Brassens, Léo Ferré e Jacques Brel, surgiu o grupo “Els Setze Jutges” (Dezasseis Juízes) que iniciou a sua actividade, sempre na linha catalã cantando, para além de temas próprios também canções de cantores franceses já referidos. O grupo valorizava a componente pedagógica de música a ponto de explicar os temas, e estabelecer diálogo com os espectadores.

É através da canção que os espanhóis, e mais precisamente os catalães, acompanham a denúncia da realidade opressiva e sugestões para uma sociedade democrática. Para tal, as intervenções peculiares tanto de Raimon como de Pie De La Serra foram cruciais para a consolidação da sociedade catalã. Como exemplo, segundo Letria (1981:91), “Francesc Pi De La Serra, um catalão de Barcelona com um humor

43 ácido e impiedoso, contribuiu para dar uma dimensão inovadora à nova cançó: a dimensão do riso, da caricatura, da festa, do escárnio.”

Posteriormente surgem dois cantores que sobressaem pelo valor poético que atribuíram aos poemas cantados: Ovidi Montlor e Luís Llach. Eles reflectem genericamente o desejo da queda do franquismo e a aposta numa sociedade democrática. Em meados da década de 70, também contribuíram para a mudança Joan Isac, Ramon Muntaner e o grupo “La Trinca”. Pela sua originalidade e pelo seu espírito crítico, estes novos valores da música catalã concorreram para o conceito de se considerar o fenómeno catalão como “sui generis, adequado ao seu contexto geográfico, linguístico, social e político.

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Parte II

Portugal no Período entre 1960 a Abril de 1974

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