7.3 Une version hi´erarchique continue et bivari´ee du mod`ele LOL
7.3.2 Le processus interne : un champ gaussien bivari´e r´egit la r´epartition
O publico participante do projeto, como descrito anteriormente, foi formado por adolescentes e jovens, moradores do Subúrbio, sendo que para o núcleo central foram selecionadas 15 mulheres e 15 homens, em sua maioria negros. Os 30 agentes passaram por um processo seletivo dividido em duas fases principais: Inscrição e Ação Educativa. Foram inscritos 200 jovens, em junho de 2008, entre os quais foram selecionados 80 para participarem da Ação Educativa, que consistiu na realização de dinâmicas de grupo e atividades individuais, que permitem melhor avaliação do perfil dos jovens, sua atuação em coletivo, a escrita, análise crítica, criatividade, liderança, entre outros fatores.
Dos 80 selecionados para a Ação Educativa, 70 participaram do processo e destes 30 foram selecionados para compor a turma do projeto Agentes de Comunicação para o Desenvolvimento. Entre os critérios de seleção mais subjetivos estavam a capacidade de liderança, facilidade de trabalhar em grupo, criatividade, experiência com ações comunitárias, experiência com tecnologias da informação e da comunicação, clareza nos textos e habilidades de expressão. Buscou-se a equidade de gênero e etnia, este último mais difícil, pois a população do Subúrbio é principalmente negra.
Os 250 jovens que participaram da etapa de implantação dos Planos de Ação, em 2009, também eram alunos de escolas públicas, oriundos de famílias de baixa renda, moradores de diversos bairros do Subúrbio Ferroviário, com idade entre 14 e 21 anos. O grupo mobilizado por meio das atividades realizadas, cerca de 900 pessoas, incluiu prioritariamente o público adolescente e jovem.
2.2.2.1 Recorte da realidade do jovem morador do Subúrbio
Muitos dos jovens que vivem na região abandonam a escola para ingressar no mercado de trabalho. Outros tantos estão sempre em busca de alternativas que preencham o tempo ocioso, especialmente o turno oposto a escola, pois em geral os bairros não oferecem opções de lazer, esporte ou qualificação. Muitos se engajam nos grupos culturais ou cultos religiosos. Aqueles que não se envolvem com nenhuma das duas opções tornam-se alvo preferido do narcotráfico, que assedia continuamente esse público com promessas de dinheiro
―rápido‖ e ―fácil‖.
Assim como em outras regiões de Salvador, o Subúrbio possui índices alarmantes de violência(15). Segundo o Relatório Rastro da Violência em Salvador - produzido pelo Fórum Comunitário de Combate a Violência (FCCV), iniciativa gestionada pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) que agrega organismos acadêmicos, civis e comunitários para monitoramento e análise da violência em Salvador - a violência é um problema de saúde pública na cidade, pois figura como principal causa de morte, atingindo principalmente regiões como o Subúrbio.
Dados da Secretaria de Segurança Pública demonstram que, em 2006, 1.223 pessoas foram assassinadas na Região Metropolitana de Salvador. Em 2007, o número cresceu para 1.665, e, em 2008, eram 2.189. Um incremento de 56% em dois anos. Entre as primeiras horas de 2009 e o dia 05 de janeiro, já eram mais 50 homicídios. As vítimas são em sua maioria negros, pobres e moradores da periferia (JORNAL A TARDE, 06 jan. 2009, p.A4). O crescimento da violência na Bahia foi tema de reportagem na edição do Jornal Nacional exibido durante a noite de 7 de fevereiro de 2011. Segundo o texto, nos últimos quatro anos, o número de homicídios cresceu 50% na Bahia e a taxa de homicídios em Salvador - 61 por 100 mil habitantes - ficou cinco vezes maior da que a ONU estabelece como limite para grandes cidades: 12 por 100 mil. Os números no estado também são altos: 36 por 100 mil habitantes.
O FCCV (PESQUISA…, 2010) denuncia que historicamente de todos os homicídios registrados 67,4% dos mortos têm entre 15 e 39 anos; 68,5% estudaram só o primeiro grau da educação básica e oito de cada dez residiam em bairros como os do Subúrbio Ferroviário. Agregue-se a esse cenário a Taxa de Mistério, em que 93% das mortes não têm conhecimento oficial da autoria (ESPINHEIRA, 2004).
A soma de todos estes índices converteu a cidade entre as mais violentas do país. Para o Fórum, a situação revela ―um processo sistemático de extermínio das novas gerações de negros pobres, que ocorre diária e silenciosamente, sem despertar nenhuma reação da cidade e de seus governantes‖. ―Eles são o ápice da negação sub-urbana, que se manifesta em toda sua crueldade e plenitude na ação dos grupos de extermínio, na repressão policial arbitrária e na explosão do tráfico de drogas com seus episódios de zonas de guerra‖ (MOREIRA, 2009).
15 Por violência estamos chamando qualquer ação intencional realizada por um indivíduo ou grupo, dirigida a outro, que resulte em óbito, danos físicos, psicológicos e/ou sociais. Também podendo ser entendida como uma construção política, decorrente do jogo de interesses em confronto na vida social (ESPINHEIRA, 2000).
A questão é que enquanto participantes dos inúmeros programas de educação para a cidadania surgidos nos últimos anos, jovens de diferentes idades e condições socioeconômicas foram estimulados e preparados para atuar em organizações e iniciativas de caráter social e/ou comunitário. Mais recentemente, alguns desses indivíduos e grupos também têm sido convocados a participar de articulações que buscam realizar esforços mais consistentes no sentido de garantir a participação dessa faixa etária na elaboração e no monitoramento de políticas, principalmente aquelas que afetam suas vidas, como é o caso dos Conselhos Nacional, Estadual e Municipal de Juventude.
Esta geração estará influenciando os resultados da luta contra a pobreza nos próximos 50 anos. Portanto, investir no capital humano nessa faixa etária pode significar um importante bônus demográfico. Outras razões para o investimento na juventude relacionam-se aos aspectos intergeracionais, uma vez que as transformações produzidas nos jovens de hoje repercutem agora, no futuro próximo e nas gerações seguintes, favorecendo a quebra do ciclo da pobreza e das desigualdades sociais. Esse público também representa um ativo estratégico importante, pois carrega características que favorecem a constituição de novas lideranças capazes de transformação social, como vontade de aprender, disposição, ousadia e criatividade (ROCHA, 2007).
Apesar de todas essas experiências, a sociedade brasileira ainda percebe os jovens mais como problema ou destinatário, do que como co-promotor de ações e soluções. Poucos são os fóruns do governo e/ou da sociedade civil em que a sua presença é formalizada ou mesmo permitida. Para que as políticas se efetivem de forma democrática, é preciso reconhecer que os jovens são atores importantes nesse processo e plenamente capazes de participar da vida social e política, desde que as oportunidades lhes sejam apresentadas. Dessa forma se podem criar condições para subverter a teoria sociologia que foca a juventude como um problema social específico (ESPINHEIRA, 2006, p. 54).
Apresentados de forma resumida, o trabalho da Cipó, do projeto Agentes de Comunicação para o Desenvolvimento e o seu contexto de atuação, o sub-capítulo a seguir traz um pouco do histórico de atuação da ALER.