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Em comunicação com utentes idosos, durante o meu período de estágio, fui-me apercebendo de muitos problemas relacionados com medicamentos e dosagens, assim como de adesão à terapêutica. Por diversas vezes, utentes idosos vinham levantar as suas medicações e comentavam que não se lembravam se já tinham tomado o medicamento da manhã e que, por isso, quando chegassem a casa o iriam tomar. Isto levava-me a questionar sobre o risco a que estes doentes estariam expostos.

Este problema constante, fez-me tomar consciência que é necessário adotar medidas para contornar a situação e para promovermos a saúde dos utentes, em especial dos mais idosos. Desta forma, após uma reflexão sobre o tema, surgiu-me uma possível alternativa, a da realização de um esquema de individualização terapêutica, que acabei por propor à FdC, a qual me deu total liberdade para, mediante os recursos que tinha disponível, pôr em prática a minha sugestão.

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4.2 Objetivos

Promover uma melhor adesão à terapêutica, bem como a administração do medicamento certo à hora certa e, ainda, diminuir os erros de dosagem.

4.4 Métodos

Dado que iria começar pela primeira vez a testar este modelo na FdC, e que o iria realizar de forma completamente autónoma, propus apenas a um casal de idosos, utentes de há vários anos na farmácia, a sua participação, tendo explicado todos os passos do projeto, que iria funcionar como piloto.

Após a aceitação do convite por parte do casal de utentes, combinei com os mesmos que trataria de todas as semanas proceder à individualização dos seus medicamentos em sacos, com as respetivas indicações de administração. Além disso, tratei de verificar nas suas prescrições médicas, quais as alturas do dia em que deveriam fazer a administração dos medicamentos, sendo que para ambos, as indicações eram referentes a manhã, almoço e noite.

Para cada utente, preparei então cartões com a indicação da altura do dia que deveriam realizar a toma (manhã, almoço e noite), sendo que tive o cuidado de inserir símbolos de modo a tornar essa informação inequívoca. Cada cartão continha o nome do utente, a medicação e a hora e dia da toma. Para medicamentos que não podiam ser individualizados, por estarem armazenados em frascos, foi colocada a imagem do medicamento no cartão de modo a funcionar como alerta. Após aderir os cartões aos sacos de plástico, verificava qual o medicamento e em que quantidade deveria colocar em cada um. Por último, procedia então ao fecho dos sacos através de um selador de plástico. As imagens referentes a um dos esquemas de individualização terapêutica de cada um dos utentes encontra-se no anexo 18.

Além disto, propus ainda a este casal que fossem devolvendo os sacos de plástico de modo a ser possível a sua reutilização ou até mesmo a sua correta reciclagem.

4.5 Fundamento teórico

O aumento do número de idosos tem representado um grande desafio para os serviços e profissionais de saúde [88]. Entre 1961 e 2001, a população idosa aumentou de 8 para 16%, havendo projeções que apontam para um valor de 32% até 2050 [89]. Em consequência disso, verificou-se uma alta prevalência de doenças crónicas que acabam por conduzir a esquemas terapêuticos prolongados e à chamada polimedicação [89].

A polimedicação é definida como o consumo de, pelo menos, cinco medicamentos diferentes e pode conduzir, se não for bem controlada, a consequências

40 severas [90]. A eficácia de uma terapia está dependente de um cumprimento dos esquemas posológicos, pelo que é importante que os profissionais de saúde adotem medidas para promover uma correta adesão à terapêutica [91]. Além disso, em pessoas de idade, o esquecimento de toma de um medicamento é um problema comum e é especialmente provável quando um doente toma vários medicamentos simultaneamente [92].

4.5 Resultados, discussão e conclusão

Após dar início ao esquema de individualização posológica, o feedback obtido quer por parte do casal de utentes alvo, quer por parte da equipa da FdC foi muito positivo. O casal confessou estar mais tranquilo relativamente à toma dos medicamentos e que o facto de a sua medicação se encontrar individualizada por dia, facilitava muito as tomas, pois assim não faziam trocas de caixas de medicamentos e não incorriam em esquecimentos. Relativamente ao facto de um dos medicamentos não poder ser individualizado, o utente revelou ter cumprido corretamente com as tomas, uma vez que a imagem do medicamento (Trausan®), inscrita no cartão, evitava o seu esquecimento. Ainda assim, é de salientar que para se aplicar este esquema a um maior número de utentes na farmácia, seria necessário aumentar o número de recursos humanos da equipa, dado ser um trabalho que envolve responsabilidade, organização e concentração para que não existam erros. Além disso, há ainda situações, que não se verificaram no caso deste casal, mas que se podem verificar noutros utentes. Para cada caso, há necessidade de se adequar as individualizações terapêuticas, nomeadamente no que diz respeito a alertas, em situações de medicamentos que não possam ser individualizados, em casos da toma de meio comprimido ou ainda em casos de toma de um medicamento algum tempo antes dos seguintes, por exemplo, protetores gástricos (figura 8).

A adoção de esquemas de individualização terapêutica pode assim levar a um melhor controlo de doenças crónicas e agudas, conduzir à diminuição de erros humanos associados à posologia e melhorar a adesão à terapêutica

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