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DIAGRAMS AND REFERENCE MATERIALS

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DIAGRAMS AND REFERENCE MATERIALS

O fluxo de água subterrânea depende da densidade, abertura e conectividade das fraturas através da rocha sã, de baixa permeabilidade primária. Trata-se de um meio descontínuo, já que algumas fraturas individuais ou zonas de fraturas estreitas exibem valores mais altos de condutividade hidráulica, possibilitando caminhos preferenciais para a circulação, além de funcionarem como entradas de água que podem levar a uma maior produtividade de poços. O tratamento como meio contínuo não corresponde à maneira mais apropriada, devido à necessidade de substituir a utilização do meio fraturado por um meio contínuo representativo, onde são definidos valores de condutividade hidráulica, porosidade e compressibilidade (Fernandes 2008). Para que estes parâmetros sejam determinados, necessita-se de um volume elementar representativo de rocha (VER), em que seja possível a aplicação da lei de Darcy sob fluxo laminar. O VER corresponde, portanto, ao menor volume amostral que pode ser representativo de toda a massa rochosa que compõe o meio fraturado (Singhal & Gupta 1999). Porém, Fernandes (2008) ressalta que em um contexto hidrogeológico fissural, caracterizado por rochas-reservatório fraturadas, o VER pode alcançar valores muito elevados ou nem mesmo existir.

Ainda em um cenário onde há a aplicabilidade da lei de Darcy, ou seja, sob fluxos lineares e laminares, Snow (1968 apud Freeze & Cherry 1979) desenvolve a equação da lei cúbica que expressa, por sua vez, a condutividade hidráulica do meio fraturado (Equação 3.3).

K = 𝜌g

12μNb

3 Equação 3.3

onde “ρ” (Kg/m³) e “µ” (N.s/m²) correspondem, respectivamente, à massa específica e viscosidade dinâmica da água; g, à aceleração da gravidade (m/s²); “N”, ao número de fraturas por unidades de distância (adimensional); e “b”, à abertura da fratura (m).

De acordo com a lei cúbica, a abertura das fraturas é mais importante do que a densidade de fraturas para a definição do parâmetro de condutividade hidráulica, já que este é proporcional ao cubo da abertura (Figura 3.3).

Figura 3.3 - Influência da abertura (b) e da frequência de fraturas na condutividade hidráulica (Hoek & Bray 1981 apud Fernandes 2008).

O mecanismo de propagação das fraturas determina a abertura de tais estruturas, podendo ocorrer de três formas distintas (Figura 3.4): (I) por separação normal dos planos de fratura em função de esforços de tração; em relação à superfície das fraturas, que pode levar a um deslizamento paralelo (II) ou perpendicular (III) (Lawn & Wilshaw 1975).

Figura 3.4 - Tipos de propagação de fraturas por extensão perpendicular à superfície da ruptura (I) e por deslizamento paralelo à superfície, podendo ocorrer de forma paralela (II) ou perpendicular (III) à frente de propagação (modificado de Lawn & Wilshaw 1975).

Há, consequentemente, uma dependência entre a disposição das fraturas de cisalhamento e de tração com o regime tectônico (compressivo, extensional ou transcorrente) atuante ou que já tenha atuado em uma determinada região (Figura 3.5).

Figura 3.5 - Regimes tectônicos e posicionamento espacial de fraturas extensionais de maior abertura (linha tracejada), e de cisalhamento (linha contínua e movimento apontado por setas): (i) regime extensional, (ii) compressivo e (iii) transcorrente (modificado de Ramsay & Huber 1987).

O sigma 1 (σ1) consiste na tensão de compressão máxima — eixo de maior esforço compressivo,

transmissividade seja, de uma forma geral, maior ao longo de tais estruturas quando se compara às fraturas de cisalhamento (Larsson 1972). Embora os estudos de Banks et al. (1996) concluam que a tensão in situ influencie na condutividade hidráulica de fraturas, bem como nos sistemas de fraturas, Odling (1993) ressalta que a permeabilidade atuante no meio aquífero fraturado também está relacionada ao grau de conexão dos sistemas de fraturas de diferentes orientações. Dessa forma, a atuação do campo de tensões pode não apresentar uma relevância tão considerável em alguns casos, dependendo da ação de outros fatores envolvidos, como as propriedades das fraturas preexistentes, bem como a orientação, conectividade, alteração e mineralização de tais descontinuidades. Entretanto, a magnitude absoluta da tensão in situ pode, de fato, apresentar um importante papel na locação de poços com maior potencial hídrico subterrâneo, a depender da área em questão (Neves 2005) (Figura 3.6).

Figura 3.6 – Influência de campos de tensões neotectônicos sobre a abertura de fraturas. As fraturas situadas em alto ângulo com o σ3, que correspondem àquelas paralelas e subparalelas ao σ1 são preferencialmente mais abertas e,

dessa forma, mais favoráveis em termos de capacidade hídrica, ou seja, tendem a apresentar maior potencial hídrico subterrâneo. Na figura, tem-se o exemplo de uma pequena área da região Nordeste do Brasil (que também pode ser ampliada para outras regiões do interior do país), onde a espessura do traço das fraturas é proporcional ao comportamento de dilatação recente (Feitosa et al. 2008).

As propriedades como densidade, conectividade, comprimentos e natureza de junções, são dependentes da escala. Embora, em geral, haja uma restrição de condutividades hidráulicas mais elevadas a poucas fraturas, o armazenamento e comportamento do aquífero é, a longo prazo, regido pela densidade e conectividade da rede de fraturas. Sabe-se que as descontinuidades associadas ao acamamento litológico e/ou a foliações em rochas-reservatório metamórficas também são muito relevantes, pois influenciam na configuração dessa rede, condicionando estruturas de ocorrência limitada ou não limitada, a estratos específicos, segundo a reologia (Fernandes 2008).

As Tabelas 3.2 e 3.3 sintetizam os principais fatores que condicionam o fluxo de água subterrânea, os métodos para locação de poços e os caminhos preferenciais de circulação.

Tabela 3.2 – Ação dos fatores controladores do fluxo de água subterrânea e suas limitações (modificado de Fernandes 2008).

Exerce controle sobre: Limitações

Tectônica

Direção das fraturas mais abertas, controlando a direção da maior K e transmissividade.

Densidade e direção dos grupos de fraturas

controlando a conectividade e

armazenamento da rede de fraturas.

Muitas vezes não é disponível em trabalhos anteriores, e a coleta e análise de dados estruturais pode ser demorada e exige profissionais especializados.

Lineamentos

Locação do poço próxima a zona(s) de fraturas ou sob a influência de zona(s) de fraturas.

Escalas pequenas (<1:25.000) não permitem correlação com fraturas que atravessam os poços.

Lineamentos de áreas de relevo suave muitas vezes podem não ser correlacionáveis a estruturas de subsuperfície e não apresentam correlação com a densidade de tais estruturas.

Manto inconsolidado Recarga de aquíferos.

É descontínuo e de difícil mapeamento. Análises regionais não permitem observação de correlação entre espessura de manto inconsolidado e valores de vazão específica (Q/s).

Litologia

Presença de descontinuidades prévias (acamamento, contatos, bandamento) e modo de propagação de fraturas.

O controle exercido pela litologia é subordinado à tectônica, no que diz respeito às fraturas de maior K.

Compartimento topográfico

Saturação de: fraturas superficiais (horizontais e verticais) e manto inconsolidado, pois nos vales o nível d’água é mais próximo à superfície.

Os vales devem ser associados a lineamentos, ou seja, o maior controle é exercido por estes últimos.

Profundidade

Transmissividade de fraturas verticais diminui muito a partir de 300 m de profundidade e das horizontais, a partir de 30 m.

A análise deste parâmetro é fortemente influenciada pelo fato de poços serem aprofundados somente quando produções adequadas não são obtidas com poços mais rasos.

Tabela 3.3 - Procedimentos para a identificação de situações mais favoráveis para a locação de poços e definição de caminhos preferenciais de circulação de água subterrânea (modificado de Fernandes 2008).

Aná lis e p re li min a r

Elaboração e comparação das curvas obtidas em gráficos de distribuição acumulada (Q ou Q/s X frequência acumulada de poços) para os seguintes fatores:

- proximidade a lineamentos

- proximidade a lineamentos com relação a diversas direções - proximidade a intersecção de lineamentos

- tipos litológicos

- espessura de manto inconsolidado - compartimento topográfico

Levantamento bibliográfico de:

- tectônica recente proveniente de dados geológicos

- direção do esforço horizontal máximo (SHmax) atual, obtido com base em dados de sismicidade e de ovalação (breakouts) de poços.

Aná lis e de det a

lhe Trabalhos de campo para coleta de dados estruturais e análise da tectônica recente.

Perfilagem acústica ou ótica para identificação de fraturas e de sua atitude ao longo do poço. Perfilagens de propriedades da água que permitam identificar as fraturas hidraulicamente ativas no poço, tais como: temperatura, condutividade elétrica e velocidade de fluxo com o uso de flowmeter. Testes de bombeamento de longa duração com monitoramento em poços de observação para a determinação da elipse de transmissividade.

Chilton & Foster (1995) propuseram um modelo de um perfil de alteração no embasamento cristalino localizado na região da África Tropical, que exibe o regime de fluxo subterrâneo (Figura 3.7). O nível da água acompanha, de uma forma geral, a topografia do terreno. Há um fluxo com componente descendente a baixas profundidades nas regiões de interflúvio, assim como fluxos ascendentes nas zonas de descarga — caracterizadas por depressões topográficas, em níveis de maior profundidade (Neves 2005).

Figura 3.7 - Modelo esquemático do sistema de fluxo da água em aquífero do embasamento cristalino alterado, realizado no Malawi, África (Chilton & Foster 1995, modificado de Neves 2005).

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