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Dans le document Note de cadrage Mali (Page 37-42)

São um grupo de infeções zoonóticas causadas por parasitas trematódeos, adquiridas durante a ingestão de alimentos contaminados com as larvas dos parasitas, que se caracterizam por sintomatologia e lesões no fígado e pulmões (101). A sua existência relaciona-se com a produção, processamento e preparação dos alimentos e são transmitidas diretamente dos animais aos humanos, ou vice-versa (102). Em 2005, a OMS estimava que existissem cerca de 56 milhões de pessoas afetadas, sendo a prevalência maior no Este da Ásia e na América do Sul (102). O impacto económico destas doenças é considerável, não são pela severa morbilidade e considerável mortalidade associadas, como também pelas consequências na indústria pecuária. A sua prevenção pode ser feita através de intervenções veterinárias e práticas de qualidade e segurança alimentar e o tratamento através de fármacos anti-helmínticos, como o praziquantel e triclabendazol (102). Um estudo de 2012 estima que, a nível global, se atribuam 665.352 DALY a este grupo de doenças (103).

Existem quatro tipos principais de doença:

Clonoquíase, causada pelo Clonorchis sinensis, é uma infeção adquirida pelo

consumo de peixe infetado, cujos reservatórios finais mais comuns são os cães e peixes carnívoros (102). Conhecem-se reservatórios animais na China, Coreia do Norte, Coreia do Sul e Vietname (102). Nos humanos o parasita aloja-se nos ductos biliares do fígado, causando inflamação e fibrose nos tecidos adjacentes e eventualmente colangiocarcinoma (101).

Fasciolíase, ou fasciolose pode ser causada pelo Fasciola hepatica ou Fasciola gigântica, é adquirida pelo consumo de vegetais aquáticos, cujos reservatórios

finais mais comuns são as ovelhas, bovinos e outros herbívoros (101). Nos humanos afeta principalmente o fígado, alojando-se nos ductos biliares e causando inflamação, fibrose e anemia, entre outros sintomas. De acordo com a OMS ocorrem casos na Europa, nas Américas, na Oceânia, em África e na Ásia (102). No continente Americano, a espécie existente é a Fasciola hepática, e estima-se que seja muito endémica na Bolívia, Equador e Peru (104).

Opistorquíase manifesta-se de duas maneiras distintas, conforme seja causada

pelo Opisthorchis felineus comum na Europa, Ásia Central e Sibéria (101). Ambas são adquiridas pelo consumo de peixe e os reservatórios finais mais comuns são os gatos e peixes carnívoros (102). Nos humanos, à semelhança do que acontece na Clonoquíase, o parasita aloja-se nos ductos biliares do fígado, causando inflamação e fibrose nos tecidos adjacentes e eventualmente colangiocarcinoma (não está estabelecida relação causal para a infeção com Opisthorchis felineus) (101,102).

Paragonimíase pode ser causada por várias espécies diferentes de parasitas,

pertencentes ao género Paragonimus. Na América do Norte, Central e Sul as espécies mais frequentes são P. caliensis, P. kellicotti e P. mexicanus (102). É adquirida pelo consumo de crustáceos, nomeadamente caranguejos e lagostins, cujos reservatórios finais mais comuns são os gatos, cães e outros crustáceos carnívoros (101). Nos humanos alojam-se nos pulmões, causando hemoptise, dores no peito, dispneia e febre, sendo por vezes os seus sintomas confundidos com tuberculose. Podem eventualmente chegar ao tecido cerebral, provocando a forma mais grave da doença (101).

Verificando os dados sobre a prevalência das quatro doenças, as existentes na América do Sul são a fasciolíase e a paragonimíase. Apesar de não existirem muitos dados sobre a prevalência destas doenças, foi possível encontrar várias referências de estudos ou páginas oficiais no Brasil e na Argentina.

De acordo com o Boletim “Deteção de casos humanos de fascíola hepática no

Estado do Amazonas”, publicado pelo Ministério da Saúde Brasileiro, em 2005, sobre um

surto de fasciolíase no Estado do Amazonas, conhecem-se casos de fasciolíase hepática em humanos nos Estados do Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Bahia, Rio Grande do Sul e Santa Catarina (38). Um estudo de 2007 refere, também, que teriam sido identificados ovos de Fasciola hepatica em produtos agrícolas nos Estados de São Paulo e do Paraná (105). Os vários estudos relatam que os hospedeiros intermédios, caracóis do género Lymnaea, podem ter um papel importante na existência da doença no país. Outro estudo de 2014, sobre a prevalência em bovinos, concluiu que a prevalência mais elevada dos 11 Estados observados era nos Estados do Sul do país, nomeadamente no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, com uma prevalência de 0,08, 4,5 e 14,39 por 10.000 habitantes, respetivamente (106).

Na Argentina, a fasciolíase é endémica e encontra-se distribuída por todo o país, afetando principalmente bovinos (107,108). Um estudo de 2012 do Instituto Nacional de Medicina Tropical, de Puerto Iguazú, relativamente ao gado bovino, menciona que a fasciolíase está distribuída por uma grande área geográfica da Argentina e predomina na Província de Buenos Aires, e na região do rio Paraná, incluindo Entre Ríos e Corrientes e na cordilheira de Neuquén, Río Negro e Chubut (108). Refere que é endémica por todo o país, inclusive da Província de Misiones, sendo a quarta doença com mais relevância do gado bovino, também mencionando o papel dos hospedeiros intermédios género

Lymnaea nos ciclos de transmissão (108). Outro estudo de 2013 refere uma possível

importância negligenciada dos caprinos como reservatórios animais (107).

Relativamente à paragonimíase foram encontrados estudos publicados em 1986 e em 2000 a referir não haver relatos da doença humana autóctone no Brasil (109).

Considerações finais:

Atendendo a que:

As quatro doenças se encontram distribuídas por diferentes zonas geográficas do mundo, sendo as existentes na América do Sul a fasciolíase e a paragonimíase; O Paraná e Misiones são considerados endémicos de fasciolíase em bovinos; Existem relatos de fasciolíase em humanos no Estado do Paraná;

Não foi possível encontrar dados suficientes sobre a prevalência de paragonimíase nesta zona, apesar de, aparentemente, a doença não existir no Brasil;

Podem existir mais estudos publicados sobre a prevalência das doenças nos animais, o que constitui um risco indireto e iminente para surtos em humanos; Existem evidências de subnotificação e falta de conhecimento sobre a real epidemiologia da doença;

A revisão sistemática pode clarificar a presença, ou não, em humanos, destas doenças na região geográfica em estudo, ou apontar para uma possibilidade da sua ocorrência.

Conclui-se que pode ser relevante estudar este grupo de doenças e que deverão ser incluídos termos de pesquisa relacionados, tais como “Fasciolíase”, “Paragonimíase”, “Fasciola hepatica”, “Paragonimus” e “Lymnaea”.

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