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O presente estudo investigou a possibilidade de existência de prémios salariais associados aos indivíduos graduados em áreas STEM, relativamente aos graduados em áreas Não-STEM, pela Universidade de Aveiro e que concluíram os seus cursos entre 2009 e 2011, tendo sido entrevistados em 2012. Para este estudo recorreu-se ao método OLS e, para avaliar a regularidade ou irregularidade destes efeitos ao longo da distribuição salarial recorreu-se à Regressão por Quantis.

Após a análise da literatura existente, foram identificadas alguns aspetos importantes a ter em conta na construção dos modelos associados ao cálculo dos prémios salariais por área de estudo, nomeadamente o tipo de controlos utilizados. Foram tidos em conta os efeitos associados ao percurso educativo dos indivíduos, à situação de emprego e à relação entre estas duas componentes. De seguida, tomou-se então a decisão de calcular os prémios salariais horários para os indivíduos graduados em áreas STEM e Não-STEM e por ciclo de estudos (Licenciatura e Mestrado), procurando ainda calcular o prémio salarial individual associado à obtenção de Mestrado e ao efeito conjunto com as áreas de estudo analisadas. A categoria de referência utilizada sempre para o cálculo dos prémios salariais foram os indivíduos graduados na área das Artes e Humanidades.

Os resultados obtidos não permitem concluir, para o caso concreto dos alunos graduados pela Universidade de Aveiro, a existência de prémios salariais horários associados às áreas STEM. Os resultados obtidos para este ponto em concreto, revelaram-se estatisticamente não significativos. Ainda assim, os coeficientes apresentados e interpretados revelam prémios reduzidos comparativamente às áreas Não-STEM (cerca de 3%) e àquilo que era expectável pela literatura revista. Contudo, os prémios salariais associados aos indivíduos com Mestrado (efeito individual) e ao efeito conjunto do Mestrado em cada uma das áreas de estudo revelaram-se estatisticamente significativos e de uma dimensão bastante superior aos prémios associados às áreas STEM.

De uma forma mais resumida e objetiva, os resultados indicam-nos que, o facto das áreas de estudo ao nível do primeiro ciclo serem estatisticamente não significativas indicam que as áreas, independentemente do Mestrado, não têm capacidade para dar prémios. Em segundo lugar, os

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prémios salariais são bastante elevados para o Mestrado em todas as áreas. Contudo, este prémio é mais elevado para algumas áreas, tais como a Tecnologia do que em outras, como nos Negócios.

Estes resultados levam-nos a concluir que, de facto, para esta amostra em concreto, existem outros fatores que se revelam mais significativos e importantes no que respeita à definição dos prémios salariais verificados. Entre estes pontos, destaca-se, sendo inclusive um dos cálculos a que nos comprometemos inicialmente, o grau de relação entre a formação obtida e o desempenho de funções profissionais, assim como o nível de exigência nestes dois pontos, que pode levar a uma situação de subeducação, sobreducação ou uma situação de total desenquadramento do indivíduo no seu posto de trabalho.

Por fim, importa salientar que o presente trabalho possui algumas limitações. A principal limitação assenta no facto de, para controlar os eventuais efeitos de ability bias no modelo OLS, apenas termos acesso à variável média, faltando-nos, idealmente e de acordo com o que a literatura apresenta, um conjunto de outras informações relevantes (testes de capacidades cognitivas, resultados de exames de acesso ao Ensino Superior, testes psicotécnicos, entre outros).

Assim, sugerimos a realização de mais trabalhos nesta área em específico da Economia da Educação para Portugal, com foco na correção das falhas detetadas na literatura e também nas limitações que enfrentámos neste trabalho. Em concreto, deverão ser realizados estudos para a economia portuguesa em geral acerca dos prémios salariais por área de estudo, com o foco no conceito STEM, e utilizando os controlos adequados para corrigir os efeitos de enviesamento já sugeridos.

Devido ao constante crescimento no ingresso de estudantes no Ensino Superior, torna-se fundamental a realização de estudos que disponibilizem a informação mais correta acerca dos retornos e prémios salariais por área de estudo e também por ciclo de ensino que os indivíduos poderão enfrentar, posteriormente, no mercado de trabalho.

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