Segundo BAUMGARTNER (2012) o jundiá (Fig. 22) é uma espécie endêmica, facilmente encontrada e de porte grande tendo um comprimento médio de 195,0 mm.
Fonte: BAUMGARTNER, 2012
Possuindo as seguintes características.
Corpo e nadadeiras cinzas, mais claro na região ventral. Corpo alongado, arredondado próximo à cabeça, comprimido na região da base da nadadeira adiposa, cabeça deprimida, adiposa longa e boca terminal. […] Altura do corpo contida 4,1 a 5,4, do pedúnculo caudal 8,3 a 9,5, comprimento da cabeça 3,5 a 3,9, da base da nadadeira anal 6,8 a 8,8 e da base da nadadeira adiposa 2,5 a 3,0 vezes no CP. Comprimento do focinho contido 2,3 a 2,5, diâmetro orbital 4,9 a 7,0 e distância interorbital 2,6 a 3,5 vezes no CC. […] Nadadeira dorsal com 7 a 9 raios, peitoral com 9 ou 10, pélvica com 6 e anal com 9 ou 10 raios. […] Essa espécie é considerada piscívora na região do baixo rio Iguaçu, podendo utilizar outros itens, como crustáceos do gênero Aegla (HAHN; FUGI; ALMEIDA; RUSSO; LOUREIRO, 1997; UNIVERSIDADE ESTADUAL DO OESTE DO PARANÁ, 2006, 2008, 2009, 2010). A reprodução ocorre entre setembro e fevereiro, mais intensamente entre novembro e dezembro (SUZUKI; AGOSTINHO, 1997). Os menores indivíduos em atividade reprodutiva foram registrados com CP=170,0 mm nas fêmeas e CP=190,0 mm nos machos (UNIVERSIDADE ESTADUAL DO OESTE DO PARANÁ, 2008b, 2009a, 2009b). […] A distribuição geográfica dessa espécie é restrita à bacia hidrográfica do rio Iguaçu, tendo sido registrada em vários ambientes por Garavello, Pavanelli e Suzuki (1997), Universidade Estadual de Maringá (2002) e Baumgartner, Baumgartner, Pavanelli, Silva, Frana, Oliveira e Figura 22 - Visão lateral do jundiá (Rhamdia voulezi)
Michelon (2006). Essa espécie foi considerada como sinônima de Rhamdia quelen por Silfvergrip (1996), mas o autor não examinou material da bacia do rio Iguaçu. Considerando o endemismo da ictiofauna desta bacia e os estudos genéticos de Abucarma e Martins-Santos (2001), que apontaram diferenças cariotípicas entre as espécies desta bacia, R. voulezi é aqui considerada como válida (BAUMGARTNER
et al., 2012).
Os eventos reprodutivos do jundiá R. voulezi revelaram que essa espécie apresenta um grande potencial para ser cultivada em tanques-rede. Além de apresentarem rápido desenvolvimento no sistema de criação, os reprodutores apresentaram-se viáveis durante o período avaliado de 180 dias […] Como o jundiá tem a capacidade de se reproduzir até três vezes durante o ano ou durante sua estação reprodutiva (Reidel et al., 2007), constitui espécie de fácil manejo reprodutivo (Esquivel, 2005). Além de não necessitar de tratamento especial para que seja induzido artificialmente, apresenta-se como uma alternativa de grande potencial para ser cultivado em tanques-rede. […] Embora a sobrevivência de pós-larvas na larvicultura ainda seja um desafio a ser superado, necessitando de investigações que possibilitem melhorar o desempenho produtivo e, consequentemente, viabilizar sua criação nos diferentes sistemas de produção, a facilidade e a quantidade de ovos oriundos dos eventos reprodutivos destacam essa espécie como sendo de grande potencial para a piscicultura em tanques-rede. Além disso, o jundiá aceita muito bem dietas artificiais (Fracalossi et al., 2004), com um excelente desenvolvimento na fase de alevinagem (Signor et al., 2005) e apresenta potencial desempenho produtivo e de rendimento no processamento (Fracalossi et al., 2004). (SIGNOR et al., 2013).
6 CONCLUSÃO
O Iguaçu é um dos principais rios do estado do Paraná, as cataratas do Iguaçu, em conjunto com seu relevo, realizaram uma compartimentalização do seu curso, sendo que estes dois foram os principais fatores responsáveis pelo elevado grau endemismo da bacia do rio Iguaçu, pois das 133 espécies encontradas 67 são endêmicas, o equivalente a 50,38% das espécies presentes no rio.
Entretanto a fauna da bacia do rio Iguaçu está bastante ameaçada pois sofre com a poluição urbana (rejeitos domésticos e industriais) e por “run-off” agrícola (caracterizando um alto volume de agrotóxicos), assim podendo conter altos teores de matéria orgânica ou produtos químicos industriais em suas águas, causando uma baixa na concentração de oxigênio dissolvido, contribuindo para o aumento da DBO e alteração da transparência. Esses poluentes também podem causar o “bloom” de algas, que podem ser prejudicais a ictiofauna, além de bioacumulação de elementos químicos nos organismos aquaticos, que por muitas vezes podem ser consumidos pelo homem.
Outro fator que afeta biodiversidade é o elevado nível de represamento dos rios da Bacia, causado pela presença de hidrelétricas, ao qual altera o ambiente de lótico para lêntico, alterando assim notavelmente seus atributos físicos, químicos e biológicos, fazendo com que muitas espécies adaptadas aos ambientes lóticos e também as migradoras como o surubim do
Iguaçu (Steindachneridion melanodermatum), entre outras sejam prejudicadas, ficando com habitat reduzido. E, como consequência, causando a diminuição do número populacional dessas espécies, fator que é mais agravado com introdução de espécies exóticas (seja para a produção aquícola ou para pesca), como exemplo o dourado (Salminus brasiliensis Curvier, 1816), fator que faz com que ocorra um aumento da predação e da disputa por alimento no ambiente, e assim dificultando a reprodução das espécies nativas e endêmicas.
Ao mesmo tempo que o rio apresenta uma quantidade grande de reservas ambientais em sua Bacia, demostrando preocupação na preservação do ambiente e do rio, o mesmo não pode ser dito de sua ictiofauna pois a maioria das medidas mitigadoras aplicadas atualmente vem surtindo pouco efeito para sua preservação, colocando-a em risco de extinção. Também como descrito no decorrer do texto, a Bacia é carente de informações de rigor científico sobre sua ictiofauna principalmente nas regiões do médio e alto Iguaçu, fator esse que vem atraindo o interesse de vários pesquisadores para a realização de estudos da nessas áreas, o que vem demonstrando a importância de estudos com enfoque de conhecimento da ictiofauna do rio e a conservação de seus ambientes naturais, pois estes auxiliam diretamente a preservação das espécies de peixes, ao ponto de fazer com que espécies como o Surubim do Iguaçu possam sair do risco de extinção.
O Steindachneridion melanodermatum, conhecido também como surubim do iguaçu ou monjolo, o Pimelodus britskii, conhecido também como mandi-pintado ou pintadinho, e o
Rhamdia voulezi, conhecido também como bagre ou jundiá, consideradas espécies endêmicas
com potencial de cultivo, poderiam impulsionar a aquicultura na Bacia, principalmente em época de inverno, período em que as tilápias (Oreochromis niloticus) tem seu desenvolvimento prejudicado pela temperatura.
Concluindo, portanto, que a Bacia se encontra na seguinte situação, uma Bacia com elevado grau de endemismo, gerado pelo isolamento geográfico, mas ameaçada pela ação antrópica, e apresentando na fauna, espécies endêmicas com potencial para aquicultura, em resumo um hot spot ambiental.
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