SEM AD COM AD
SP1 Eu acho que a mãe dela
se troca e veste outra camisa por cima. (Mas
ela tava vestindo preto ali, não foi? Porque se- rá?) Aí depois, eu tam-
bém que depois ficou preto.
Porque ela trocou o vesti- do. (Mas ela usa preto
sempre?) Não, ela tava,
porque antes ela tava com um vestido cheio de flor- zinhas. (E quando ela tava
lá na casa, quando ela ti- rou Maria de Lurdes da janela, o que aconteceu lá na casa?) Ela tava vendo
da janela, a... (E depois,
quando ela virou, o que tinha lá no quarto?) Tinha
mãe da Maria José.
SP2 Porque ela gosta. É o
gosto da pessoa.
Porque é roupa de velório mesmo. (Quem morreu?) O pai da Maria de Lur- des. Do começo até o fim.
SP3 Ela tá luto. Da morte do
marido dela
É que ela tá luto. (Quem
foi que morreu?) O marido
dela. [Retorno a cena] É a mãe!!
SP4 Porque morreu o mari-
do dela.
Porque morreu os pais dela. (Quem está ali no
caixão são os pais dela?) A
mãe dela.
SP5 Porque ela é uma pessoa
amarga e não tem paci- ência. (Por isso que ela
está vestindo preto?) A-
cho que ela tá de luto.
(Quem será que morreu?)
Acho que o marido. Não lembro assim. [Retorno à cena] Não sei se é o ma- rido ou os filho.
SP6 Isso eu não sei. Ela ficou triste. Eu vi a
parte do fundo que a mãe morreu, que é o caixão. Eu vi o corpo da mãe.
SSA1 Porque ela tá no velório. Por causa do enterro da
mãe dela.
SSA2 Eu acho que é cinza. (E-
ra preto. Porque ela esta- va vestindo preto?) Que
cara feia. Ela tava ves- tindo preto. Ah, é o mesmo.
Ah, preto, a roupa. (Por-
que ela tá de preto?) Rou-
pa mesmo. (O que está a-
contecendo aí? Quem é que está lá trás?) Os filhos. (Estão fazendo o que ali?) Os netos. (Mas tem alguma
coisa ali atrás, alguém morreu, não foi?) Ah, foi,
morreu, caixão. (Quem foi
que morreu?) A mãe.
SSA3 Porque morreu gente lá
dentro. (Você sabe quem
Porque morreu uma pes- soa. (Quem foi que mor-
morreu?) Um senhor.
Tinha um bocado de gente sentado no banco.
(Você acha que esse se- nhor era quem?) O mari-
do dela.
reu?) Acho que foi o ma-
rido dela. (Você lembra
quem foi que a audiodes- crição disse que morreu?)
Não. [Retorno à cena.] O pai dela. (Ouviu de quem
foi o caixão?) Do pai dela.
SSA4 Porque o outro morreu.
(Quem morreu?) Acho
que é o outro filho dela.
Porque o velho morreu. Foi um velho que morreu. [Retorno à cena.] É a mãe neh?
SSA5 Porque ali não pode usar
preto. (E por que ela es-
tava?) Porque ela estava
indo pra o enterro. (En-
terro de quem? Você viu quem tinha morrido?) Eu
acho que foi o pai dela.
(Ela usa vestido preto por quê? Quem morreu?) A
mãe dela.
SSA6 O enterro. (De quem?)
Acho que da pessoa que morreu. (Você acha que
quem morreu?) O pai.
O enterro. (O enterro de
quem?) O pai. [Retorno à cena.] (Ela se aproximado caixão de quem?) Da mãe.
Fonte: o próprio autor
A pergunta 15 explora o nível de abstração que os alunos conseguem ter ao as- sociar o vestido preto que a personagem usa à morte. Maria José muda de vestido du- rante todo o filme, indicando seu desenvolvimento e passagem de tempo, contudo, quando Maria surge com um vestido preto já está com a idade avançada e após o diálo- go com sua filha Maria de Lurdes, percebemos que há um corpo sendo velado na sala. A questão não apenas explora a capacidade do participante de fazer a associação entre a roupa da personagem e seu sentimento de luto, mas também saber se a partir da AD, aqueles que não conseguiram sem o recurso, percebem esse dado, além de reconhece- rem a pessoa que faleceu.
A maioria dos participantes associou a vestimenta preta ao fato de que alguém da família de Maria José havia morrido sem a ajuda da audiodescrição. Porém, quem havia falecido só foi percebido com o auxilio da AD, em alguns casos. Na verdade, quem está no caixão é a mãe de Maria José. Sem o recurso da audiodescrição, os alunos que perceberam que havia um velório, no cômodo da casa, associaram ao marido, pai ou filho da personagem. Mesmo após a transmissão do filme, com a ferramenta de acessi- bilidade, metade dos participantes não conseguiu perceber que era a mãe de Maria que estava no caixão. SP1, SP4, SP6, SSA1, SSA2 e SSA5 apreenderam a informação.
Nesse caso, acredito que a imagem não chama atenção dos participantes fazendo com que eles não processem quem faleceu, há várias pessoas na sala e os alunos não
depreendem sua atenção a uma única coisa. Dessa forma, a AD deve ser clara e fornecer o dado mais relevante em primeira ordem.
A ordem da descrição:
Quadro 17 – Fragmento do roteiro de AD para o curta Vida Maria. 06:17:09
NA PEÇA ONDE ESTÁ MARIA, HÁ UM CORPO SENDO VELADO. ESTÃO PRESENTES TODOS OS FILHOS, O MARIDO E O PAI DE MARIA JOSÉ. ELA SE APROXIMA DO CAIXÃO DE SUA MÃE.
Fonte: o próprio autor
afetou a interpretação dos participantes, pois a AD primeiro descreve os presentes na sala e depois informa que a mãe está no caixão. Nessa cena, em particular, essa ordem da descrição não foi efetiva para a interpretação dos DIs, pois eles remeteram a última pessoa descrita antes de mencionar o caixão da mãe de Maria José, como os casos de SP2, SSA3 e SSA6. SP3 continua a dizer que foi o marido e SSA4 faz relação com ou- tra pessoa que não nomeia, diz que é um velho, mas não diz pai.
No quadro acima, é possível perceber a ordem em que as informações foram da- das. Seria interessante que a informação sobre a mãe viesse, em primeiro plano, pois é o dado mais importante desta cena, como por exemplo, “O corpo da mãe de Maria José está sendo velado. Lá estão seus filhos, o pai e seu marido. Maria José se aproxima do caixão da mãe”.
No que se refere à associação do vestido preto com a morte de sua mãe, a maio- ria dos alunos perceberam a informação, sem a ajuda da AD, computando um total de 66%. Já com o recurso da AD, esse montante se eleva, passando a ser 77%, uma vez que se refere ao reconhecimento do velório da mãe, 0% percebe esse dado e com o re- curso 45%.
Quadro 18 – Pergunta 16 do questionário de compreensão do filme Vida Maria
PERGUNTA 16
PARTICIPANTES PRA VOCÊ, QUEM SÃO AS OUTRAS MARIAS QUE