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Dans le document REGLEMENT D INTERVENTION (Page 8-12)

A pesquisa foi realizada no interior das indústrias de calçados de Franca-SP em consulta num campo que favorece a investigação visto tratar- se de um espaço institucional onde estão presentes a divisão estanque do trabalho e a luta de classes, possibilitando uma real avaliação das condições de trabalho e educação do trabalhador.

A partir do levantamento prévio de dados estatísticos nos órgãos competentes da comunidade, constatou-se que em abril/2001 Franca contava com aproximadamente 360 indústrias de calçados e 18.794 trabalhadores inscritos no mercado formal de trabalho. A preocupação inicial foi situar as empresas e trabalhadores no contexto da pesquisa. Para esse momento utilizou-se da lista completa das empresas associadas ao Sindicato de Indústria de Calçados de Franca, que registrava na ocasião 104 empresas cadastradas, classificadas conforme mostra o Gráfico 1.

Gráfico 1 Empresas cadastradas segundo o porte

Fonte: Sindicato da Indústria de Calçados de Franca – abril/2001 Empresas cadastradas segundo o porte

24

26 41

13 Porte grande (acima de 500

funcionários) Porte médio ( de 250 a 500 funcionários) Porte pequeno ( de 50 a 250 funcionários) Micro empresa ( de 1 a 50 funcionários)

Deste universo priorizou-se as empresa de médio e grande porte por consistirem no espaço de realização das atividades profissionais da pesquisadora na área de desenvolvimento humano. Em tais empresas foi registrada preocupação com a construção do saber dos trabalhadores nos seus aspectos sócio-profissionais.

Assim, selecionou-se uma amostra aleatória (através de sorteio) de 20% do total desse universo, ou seja, 8 (oito) empresas, sendo 3 (três) de porte grande e 5 (cinco) de porte médio. Dessas empresas calçadistas, 7 (sete) exportam seus produtos para os Estados Unidos e Mercosul, operando também com vendas no mercado interno e 1 (uma), de porte médio, atua apenas no mercado interno, com a venda de seus produtos (calçados masculinos e femininos) para todo território nacional. São empresas tradicionais na cidade, com aproximadamente 30 anos de existência e forte presença no mercado calçadista brasileiro. As empresas pesquisadas apresentavam 2.860 trabalhadores, sendo que 80% - 2.298 – concentravam- se na área produtiva conforme ilustra o Gráfico 2.

0 500 1000 1500 2000 1

Trabalhadores das empresas pesquisadas

Porte Grande - Geral Porte Grande - Área produtiva Porte Médio - Geral

Porte Médio - Área produtiva

Gráfico 2 Trabalhadores das empresas pesquisadas

É importante salientar que embora sejam consideradas empresas de médio porte pelos critérios do sindicato da indústria, observou-se uma oscilação grande no número de trabalhadores existentes nessas empresas quando da realização da pesquisa.

Questionaram-se as razões das reduções observadas nesse aspecto aos representantes das empresas com os quais manteve-se contato para a realização da pesquisa. Relataram que parte do trabalho de produção encontra-se terceirizado e a composição do quadro efetivo de trabalhadores da área produtiva oscila em demasia em função dos pedidos em carteira e do próprio mercado.

Ressalta-se que a escolha da pesquisadora pela área produtiva fundou-se na constatação em sua prática profissional de que os trabalhadores da classe operária, dentro das indústrias de calçados, são os que apresentam maior necessidade de adaptação à nova estrutura organizacional, às exigências de novos conhecimentos e às novas relações de trabalho e poder advindas do momento histórico determinado pela reestruturação produtiva.

Os trabalhadores foram selecionados de forma aleatória (por sorteio), compreendendo 10% do total pesquisado, ou seja, 224 trabalhadores da área produtiva, independente da função desempenhada ou o grau de escolaridade. Por precaução, foram selecionados vários setores visando garantir a representatividade de toda área produtiva, a saber: corte, preparação, chanfração, pesponto, montagem, moldação, acabamento e plancheamento.

Considerando que a educação para o trabalho ocorre no processo produtivo, mas não exclusivamente no interior da indústria,

investigou-se outras instituições presentes na vida profissional do trabalhador como o sindicato e a escola SENAI, escola profissionalizante com presença marcante na cidade na área calçadista.

Os instrumentos utilizados para a coleta de dados que permitissem a compreensão das situações apresentadas pelos sujeitos selecionados foram: as observações e percepções da pesquisadora em sua prática profissional, que possibilitaram a apreensão das dimensões contraditórias do processo educativo e de trabalho; entrevista e questionários (em anexo) aplicados a diretores, encarregados dos departamentos de gestão de pessoas e aos trabalhadores objetivando realizar um cruzamento de dados e apreender a realidade das duas categorias, trabalhadores e empresários, contexto onde se estabelece o conflito de classes sociais e das relações capital-trabalho.

Na elaboração dos questionários destinados aos trabalhadores, compostos de questões abertas e semiabertas, teve-se o cuidado de organizá-lo considerando o tipo de perguntas, a ordem de colocação, o agrupamento conforme o tema e sua formulação clara e objetiva, sendo estruturado em três momentos: caracterização do trabalhador, o trabalhador e sua profissão e o trabalhador e a empresa. Nesse último aspecto introduziu-se um espaço para registro livre da palavra objetivando captar outras impressões não previstas no questionário e enriquecer o conteúdo a ser interpretado.

Para os profissionais do departamento de gestão de pessoas elaborou-se um questionário com perguntas abertas, estruturado de forma a obter informações sobre a cultura organizacional e política de recursos

humanos, além de captar suas impressões sobre o mundo do trabalho e educação do trabalhador.

E, finalmente, o questionário para os empresários consistiu em perguntas abertas envolvendo a cultura organizacional, o mundo do trabalho e a educação dos trabalhadores.

Após a elaboração, os questionários foram testados, aplicando- os a uma pequena população escolhida (15 pessoas, trabalhadores, empresários e encarregado da área de gestão de pessoas), em uma empresa onde a pesquisadora realiza assessoria na área de desenvolvimento humano. Para a escolha dos trabalhadores, teve-se o cuidado de manter os critérios apontados anteriormente: que exerciam funções em vários setores da área produtiva e grau de escolaridade diferenciado.

Posteriormente realizou-se reunião com essas pessoas objetivando o levantamento de dificuldades e dúvidas, subsidiando as correções e reformulação dos questionários.

A aplicação definitiva dos questionários aos trabalhadores da área produtiva resultou nos dados e informações prestadas por 203 pessoas, sendo 61 de empresas de porte médio e 142 de empresas de porte grande. O material coletado foi analisado e interpretado, utilizando-se fichas, tabulações, gráficos, quadros, tabelas e outros visando instrumentalizar o material coletado e favorecer a apresentação do resultado da pesquisa.

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