• Aucun résultat trouvé

Assistance

Dans le document MOTOROLA BLUETOOTH KEYBOARD (Page 68-84)

“Nós jamais podemos retornar à nossa fase infantil, porém a fase adulta da inteligência é semelhante a da infância em seu sentido de significado, brilho, interesse e envolvimento” (BOWELL, 2005, p. 5).

Atualmente, a educação infantil (creches, pré-escola e jardim de infância) tem possibilitado às crianças, desde a mais tenra idade, a sua inclusão no contexto escolar. É ali que ocorrem as primeiras socializações, aprendem a ler e a escrever e, queira ou não, o fato as cativa, originando a curiosidade de aprender. Essa curiosidade precisa ser preservada pelos adultos, pais e professores, os quais acompanham as crianças nesse começo da aprendizagem escolar. Marques (1993, p. 109) salienta que:

A escola, mais do que por sua estrutura institucionalizada, se determina, em seus aspectos criadores próprios, pelo entendimento compartilhado e atuação solidária de seus instituintes internos, sujeitos coletivos organizados: os educadores, os educandos e a comunidade humana concreta a que busca ela servir.

O autor complementa, afirmando que:

Toda a dinâmica da ação educativa escolar deriva do projeto ou proposta político- pedagógico que a anima e informa, impulsiona, organiza e conduz. E validam-se as perspectivas pedagógicas não pelo seu conteúdo intrínseco, mas pela forma consensual em que se constroem e expressam, como resultado de um processo de elucidação discursiva à base dos melhores argumentos e o mais próximo possível das condições ideais de fala (MARQUES, 1993, p. 109).

30

O atual desenvolvimento da sociedade permite compreender o quanto a criança é remetida ao saber. A aprendizagem inicia no meio cultural onde ela nasce, desenvolvendo-se de forma lenta e gradual. É maravilhosa a consciência que hoje se adquire sobre a importância da aprendizagem escolar, pois aos poucos ela intervém para que cada criança se socialize a partir do conhecimento. Após a família, as creches e pré-escolas são a marca fundamental na aprendizagem social e humana das crianças e, assim, sucessivamente nas séries que se seguem. A formação e a capacitação futura possuem sua base nesse período escolar, o que forma o ser humano socializado e apto a atuar em uma sociedade sonhada pela maioria: responsável, justa, comprometida, capaz, realizadora e saudável.

De acordo com Fensterseifer (2009, p. 17), “Cabe lembrar que a escola pública foi uma das maiores conquistas dos setores sociais que se opuseram ao exclusivismo da instrução no Antigo Regime”. O autor reconhece que

Seu caráter republicano, laico, universal e gratuito obviamente devia ser escamoteado sob pena de corroer as bases de sustentação das elites dirigentes. Releva saber que as chamadas “revoluções republicanas” são contemporâneas da chamada “revolução científica”, e, se bem aprendemos com Francis Bacon que “saber é poder”, os setores sociais que acendiam ao poder político (burguesia, operários e camponeses) deveriam garantir o acesso ao saber que passou a sustentar

desde então as sociedades humanas em suas diferentes dimensões

(FENSTERSEIFER, 2009, p. 17, grifo do autor).

O referido autor compreende que nas sociedades modernas, democráticas e republicanas, “O exercício do poder que denominamos cidadania, tornou-se inseparável, embora não suficiente, da instrução patrocinada pelos estabelecimentos de ensino, o que chamamos ‘educação escolar’” (FENSTERSEIFER, 2009, p. 17). Devido às características destas sociedades, fez-se necessária a implantação de educandários para todos, constituindo- se a escola num ganho, principalmente para a população menos favorecida. Soma-se a isso o fato de que, as mudanças ocorridas contemporaneamente na constituição familiar, têm deixado lacunas na educação e na formação humana, colocando novas demandas para a escola. A conquista da escola pública e das creches e pré-escolas tem dado sustentação à formação desses indivíduos, mesmo que seja por uma parte do dia. Trata-se de uma conquista do povo, uma vez que é na escola que as interações aumentam e, com isso, a aprendizagem se torna cada vez mais ampla. A esse respeito, valendo-se das ideias de Condorcet, se expressa Fensterseifer (2009, p. 3):

Segundo ele [Condorcet], a liberdade dos cidadãos associa-se ao conhecimento, dado que a ignorância e a desigualdade da instrução estão na base das tiranias. Para

31 este autor a educação patrocinada pelo estado não pode se confundir com propaganda política, pois isto significaria dar origem a uma nova submissão intelectual.

Fensterseifer (2009, p. 8) comenta ainda: “Penso que duas coisas deveriam nos incomodar no campo educacional: primeiro, a ausência de respeito humano; e, segundo, a não aprendizagem”. E relaciona: “As duas dizem respeito às complexidades do mundo humano em um sentido amplo, e em uma relação pedagógica passam pelo modo como lidamos com ambas”. Nesta perspectiva, a escola pública, juntamente com a educação familiar, deve proporcionar à sociedade um salto evolutivo. Concorda-se com Fensterseifer ao abordar a questão da falta de respeito humano e da não aprendizagem. Acredita-se, também, que tanto a família quanto o corpo docente estão desacreditados das crianças, deixando de cumprir a sua função, uns por não educar e outros por não ensinar. Fensterseifer (2009, p. 8-9) ressalta que,

Os alunos, revelam as pesquisas, sentem-se desrespeitados das mais variadas formas, seja nas repetidas faltas dos professores (alunos também fazem chamada), nos atrasos, no despreparo das aulas etc. eles leem isso como “indisciplina”. Nesse esforço de viabilizar a aprendizagem, cabe a nós, professores, conhecer o saber daqueles a quem procuramos ensinar, a partir da interação com os alunos e com a comunidade onde a escola se insere, para, com isso, superar o abismo entre aprender e viver.

Espera-se que os professores sejam os adultos em meio aos educandos e, queira ou não, são observados quase que diariamente em suas ações. Caso a família deixa de cumprir a função de educar, na escola o corpo docente precisa ser firme e, além de ensinar os conteúdos, exigir educação. A forma como se enfrenta esses desafios é que faz a diferença e complementa a ação de ensinar. Para Fensterseifer (2009, p. 8), “Assumir nossa responsabilidade com o mundo para o qual educamos é, segundo Arendt, a fonte da nossa autoridade de educadores, e não abandonar a criança em sua ‘ignorância’ é a tarefa dos professores”. Segundo o autor,

Inspirado no pensamento de Hannah Arendt (de não “arrancar” das mãos das novas gerações “a oportunidade de empreender alguma coisa nova e imprevista para nós”), penso que ao invés de falarmos em “formar cidadãos”, faríamos melhor uso da linguagem dizendo que nos preocupamos que as novas gerações tenham acesso aos conhecimentos (FENSTERSEIFER, 2009, p. 8).

Ainda se observam atitudes que dão pouca serventia à educação escolar. Muitas vezes, as pessoas entendem que a formação escolar das crianças é um passar de tempo. A falta de consciência do valor de educar é potencializada pelo consumismo inerente as sociedades capitalistas, as quais, valendo-se das propagandas, influenciam a criação de necessidade dos

32

bens materiais supérfluos, em detrimento do saber ou do conhecimento. Outro ponto a destacar, é o manuseio de certos brinquedos e aparelhos eletrônicos onde as crianças tem facilidades em logo fazê-los funcionar. Este pensamento é descrito e afirmado por Savater (2005, p. 43): “As crianças, por exemplo, são os melhores professores de outras crianças em coisas nada triviais, como o aprendizado de diversos jogos. As crianças ensinam-se entre si, os jovens atualmente adestram seus pais no uso de aparelhos sofisticados”. A facilidade de manusear qualquer aparelho eletrônico sem grandes dificuldades de entendimento faz com que muitos pensem que a criança ou o adolescente sabe tudo, eles sabem sim, mas coisas da sua idade e do seu universo. O aprendizado escolar, porém, que é o ensino de conteúdos com suas especificações científicas, só pode ser ensinado na escola, mediante curiosidade, interesse, disciplina e consciência. Nem tudo, portanto, pode ser aprendido em casa ou na rua.

O papel da educação escolar é conscientizar, valorar para que cada um se sinta gente, capaz de fazer parte de uma sociedade já constituída, mas que precisa cada vez mais de pessoas aptas, competentes e com conhecimentos para dar conta desse crescimento que ocorre de forma acelerada nas mãos do humano. A educação escolar proporciona, além dos conteúdos, a interação que favorece a socialização e o aprendizado maior. Savater (2005, p. 49, grifo do autor) aborda:

Que a convivência social bem sucedida exige algo mais do que saber qualquer coisa, é necessário valores morais e cívicos como também históricos; entender a cultura de um povo e saber as diferenças culturais que existem é mais necessário para a sobrevivência do que qualquer esperteza que possa alguém pensar que tenha. E ninguém se atreverá a afirmar seriamente que a autonomia cívica e ética de um cidadão possa se forjar na ignorância de tudo o que é necessário para ele se desempenhar profissionalmente; e o melhor preparo técnico, carente do desenvolvimento básico das capacidades morais ou de uma mínima disposição de independência política, nunca formará pessoas íntegras, mas simples robôs assalariados.

Para Savater (2005, p. 45), o fato de qualquer um ser capaz de ensinar alguma coisa não quer dizer que esse possa ensinar conhecimentos elaborados cientificamente, os quais são devidamente estudados e exigem tempo, esforço e compreensão de quem os obtém, no caso os professores. “A instituição educacional aparece quando o que é preciso ensinar é um saber científico, não meramente empírico e tradicional, como a Matemática Superior, a Astronomia ou a Gramática”. E, à medida que “As comunidades vão evoluindo culturalmente, os conhecimentos vão se tornando mais abstratos e complexos, sendo por isso difícil ou impossível que qualquer membro do grupo os possua de modo suficiente para ensiná-los”.

33

Democracia também se ensina, e as crianças percebem quando há pressão sobre seus professores, se são valorizados perante a sociedade, se estão trabalhando tranquilos em sua missão de ensinar e conviver ou não. É preciso estar atento ao meio educacional a fim de que as crianças realmente aprendam a construção humana, pois elas são experts em perceber a condição de dignidade ou não do seu professor. Nesse sentido Savater (2005, p. 32) salienta:

Creio que se pode afirmar que, ao que tudo indica, não foi tanto a sociedade que inventou a educação, mas o anseio de educar e levar professores e discípulos a conviver em harmonia durante o maior tempo possível foi que, finalmente criou a sociedade humana e reforçou seus vínculos afetivos para além do âmbito familiar restrito. E é importante sublinhar, portanto, que o amor possibilita e, sem dúvida, potencializa o aprendizado, mas não pode substituí-lo.

A aprendizagem escolar é uma necessidade humana recente, desenvolvida ao longo dos tempos, e não deixa de ser uma conquista. A escola também constitui-se, embora essa não seja sua razão de ser, num lugar onde as crianças convivem com os seus da mesma idade, o que não deixar de ser uma importante contribuição para a formação destas. Ali são assistidas por adultos qualificados para intervir de maneira sensata, tanto na aprendizagem da convivência como de conteúdos científicos. Fensterseifer (2009, p. 8) procura apoio em Arendt, que expressa: “A educação é o ponto em que decidimos se amamos o mundo o bastante para assumirmos a responsabilidade por ele e, com tal gesto, salvá-lo da ruína que seria inevitável não fosse a renovação e a vinda dos novos e dos jovens”.

A própria educação escolar demonstra o quanto se deve saber para poder entender o seu significado. Nesse sentido, a história humana deixa um legado de argumentos sobre a necessidade da educação escolar, reforçando a importância de estudar, pesquisar e documentar para se ter em mãos o motivo maior da educação. Essa conquista do humano, da consciência “do que sou e posso ser e fazer” valoriza ainda mais a educação como ferramenta primordial para a evolução. A reflexão quase imperceptível, mas necessária para a ocorrência da consciência, fez o homem perceber as coisas ao seu redor. Savater (2005, p. 36, grifo do autor) propõe que,

[...] a verdadeira educação consiste não só em ensinar a pensar como também em aprender a pensar sobre o que se pensa, e esse momento de reflexão – o qual mais nitidamente marca nosso salto evolutivo com respeito a outras espécies – exige que se constate nossa pertença a uma comunidade de criaturas pensantes. Onde tudo pode ser privado e inefável – sensações, pulsões, desejos – menos aquilo que nos torna partícipes de um universo simbólico, o que chamamos de humanidade.

34

O homem, por ser histórico, aprende continuamente sobre a evolução de si próprio e de suas conquistas. Assim, ele pode se tornar humano, compreender o quanto depende de seus semelhantes e adquirir a consciência de ser humano que aprende – é nisso que o professor precisa acreditar e desenvolver em seus educandos. Em outras palavras, precisa acreditar neles, independente do seu meio cultural, sem diminuir o que qualquer um venha a ser ou saber. Afinal, a escola é o local onde se adquire conhecimentos e se complementa o ser humano para viver e conviver em sociedade.

Desde pequenas, as crianças devem adquirir certa autonomia perante a vida, o que favorece a sua evolução. Ao aprender ou entender algo novo, percebe-se a necessidade de o educando dividir esse conhecimento com alguém, no caso o colega ou o seu professor. O ser humano é o outro, e a felicidade de estar ali em seu grupo aprendendo é perceptível. Em meio aos educandos pode-se perceber nitidamente a necessidade do colega, e mesmo em momentos de conflitos é interessante a convivência e a aprovação ou não do outro. Conforme Rousseau (1991, p. 16), “A educação deve ser progressiva de tal forma que cada estágio do processo pedagógico seja adaptado às necessidades individuais do desenvolvimento”. E reconhece:

A primeira etapa deve ser dedicada ao aperfeiçoamento dos órgãos dos sentidos, pois as necessidades iniciais da criança são principalmente físicas. Incapaz de abstrações, o educando deve ser orientado no sentido do conhecimento do mundo através do contato com as próprias coisas (ROUSSEAU, 1991, p. 16).

Nas pré-escolas e nos primeiros anos existem mais materiais didáticos do que a leitura em si, dado a importância das brincadeiras com significações e a própria interação que ajuda no desenvolvimento do processo humano. A educação escolar tem a capacidade de formar pessoas com conhecimentos antes nunca imaginados, em que cada série é um degrau que o ser humano vai conquistando, e tudo isso só tem sentido e significado quando é compartilhado com outros de sua geração. É imprescindível, portanto, ao educador e ao educando, que aquele que já viveu o conhecimento possa transmiti-lo ao outro e ensinar-lhe os conteúdos e, ao mesmo tempo, humanizá-los. O educador precisa ter consciência de seu papel formador, pois na escola também se aprende a conviver, cujo entendimento é necessário para a convivência do futuro profissional com seus colegas de trabalho. Nesse sentido Savater (2005, p. 54, grifo do autor) enfoca:

A humanização é um processo no qual os participantes dão uns aos outros aquilo que ainda não têm para, por sua vez, recebê-lo dos outros, o reconhecimento do humano pelo humano é um imperativo na via do amadurecimento pessoal de cada um dos indivíduos. A criança precisa ser reconhecida pelos outros em sua qualidade

35 irrepetível, para confirmar a si mesma, sem angústia nem desequilíbrio, no exercício intersubjetivo da humanidade.

A educação escolar deveria também ensinar a valorar o ser humano na sua dignidade, assumindo este compromisso com responsabilidade e competência. Que sociedade se pretende quando elas crescerem e assumirem o mesmo compromisso de educar as novas gerações? Como bem afirma Ferreira (2010, p. 57), “Falar baixo é uma das lições ensinadas nas aulas de gentileza que os alunos da quinta série de uma escola da Alemanha são obrigados a assistir”. A escola fica em Bremen e a disciplina Trato, Modos e Conduta foi implantada depois que a direção tentou que os alunos aprendessem a conviver com mais respeito – entre eles mesmos e com os professores. O autor sublinha que:

Na sala de aula eles são apresentados às regras básicas de comportamento, e treinam o uso de expressões como “com licença” e “obrigado”. E quando a matéria foi incluída no currículo escolar e virou assunto da imprensa, o então presidente da Confederação dos Empresários da Alemanha disse numa entrevista que as empresas vinham se confrontando, havia muito tempo, com jovens recém-saídos das escolas que desconheciam as regras mais elementares de convívio social chegavam com excelente capacitação técnica, mas não conseguiam agir de forma civilizada (FERREIRA, 2010, p. 57).

Quando bem intencionadas, as regras e normas são fundamentais para criar uma convivência saudável e, ao mesmo tempo, já ir desenvolvendo o respeito mútuo que todo ser humano precisa aprender para viver bem e com liberdade. Essa liberdade se conquista por meio da disciplina individual diante das exigências da sociedade em que se vive.

Espera-se da educação escolar, além dos conteúdos, o olhar humano docente tão necessário aos discentes que vêm inseguros, com medo e muitas vezes desacreditados. A instituição escolar é um lugar de estudo, de compreensão de conteúdos, de interações, de convívio no dia a dia, são pormenores que ocorrem e que podem fazer uma grande diferença na autoestima das crianças. Igualmente, é necessário atentar ao dia a dia, no sentido de interpretar o que as crianças da escola pública podem aprender com seus mestres e da interação pessoal que ali ocorre. Conforme Arroyo (2000, p. 241), “O movimento histórico de humanização e desumanização acompanha os seres humanos desde a infância”. Nessa perspectiva, o autor observa que:

A história da infância e a realidade concreta das crianças que frequentam a escola pública estão aí mostrando-nos esse movimento de humanização e desumanização. A história da pedagogia está aí para mostrar que ela não pode ficar alheia a esse duplo movimento. Faz parte de nosso oficio entender os processos históricos de desenvolvimento e formação humana, os processos civilizatórios e culturais, o progresso do conhecimento acumulado, mas também faz parte de nosso oficio

36 entender que esse movimento não é linear, acumulativo, é um processo truncado pelos brutais mecanismos de desumanização (ARROYO, 2000, p. 241).

A instituição escolar é um lugar de muitas interações humanas, todas necessárias às crianças e, quando somadas aos conteúdos, constituem-se suportes grandiosos na vida dessas pessoas. Paulo Freire era um educador que sempre falava bem da escola, mesmo quando criticava o modelo conservador e burocrático. Ele a concebia como um espaço de relações sociais e humanas. Uma de suas contribuições originais refere-se à importância da informalidade na aprendizagem:

[...] se estivesse claro para nós que foi aprendendo que aprendemos ser possível ensinar, teríamos entendido com facilidade a importância das experiências informais nas ruas, nas praças, no trabalho, nas salas de aula, nas escolas, nos pátios dos recreios, em que variados gestos de alunos, de pessoal administrativo, de pessoal docente se cruzam cheios de significação (GADOTTI, 2010, p. 154).

Ademais, além do conteúdo a convivência humana também é um grande aprendizado, em que as relações humanas ocorrem antes mesmo do conteúdo. Essa interação entre educadores e educandos, além das pessoas que estão envolvidas com o dia a dia escolar, é de suma importância na formação dos elementos que ali estudam.

As máquinas (computadores, retroprojetor, data-show, televisores e outras ferramentas) usadas como meio pedagógico de ensinar um conteúdo jamais irão substituir o ser humano em si. As máquinas necessitam de pessoas que as manuseiem com o objetivo de transmitir conhecimentos, dando significado ao que se está querendo ensinar. Os discentes precisam de pessoas com conhecimentos, que pensam, estudam, refletem, sonham, ensinam, interagem e que conhecem a missão da escola. A educação escolar carece de pessoas, uma vez que os indivíduos se formam por meio de interações com outros iguais. Os conhecimentos são compreendidos e absorvidos ao serem apresentados por alguém que os tenha estudado, ou seja, que tenham conhecimento de seus significados. Marques (1993, p. 103) propõe que,

Reconstruir a educação exigida pelos tempos mudados é o desafio maior que se impõe ao coletivo dos educadores profissionalmente empenhados no compromisso que solidariamente assumem com seus concidadãos. Seria vã a busca da universalidade da educação com o acesso a ela facilitado a todas as crianças, adolescentes, jovens e adultos, se, ao mesmo tempo e, antes de mais nada, não se buscasse a adequação dela às aprendizagens exigidas pelas novas formas de vida cultural, da cidadania e do trabalho.

Em meio à instituição escolar é necessário atentar para as mudanças que vêm ocorrendo com as formas de vida, para o amalgamado de culturas, crenças e valores que

37

chegam a cada dia à escola. Da mesma forma é preciso considerar o modo de vida e de trabalho das pessoas, bem como o papel da educação escolar nesse meio, e como a educação escolar pode ajudar na socialização e na construção da cidadania desses novos tempos.

Com a evolução tecnológica contemporânea a informação vem substituindo os valores, normas e regras, ou seja, a educação em si. Urge, contudo, um investimento maior na qualificação e na educação do ser. Ao construir os saberes de crianças e adolescentes em formação compreende-se que não se trata tão somente de conteúdos, mas de ensinamentos

Dans le document MOTOROLA BLUETOOTH KEYBOARD (Page 68-84)

Documents relatifs