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Les armes du combat

Dans le document AIMER DE TOUT SON ETRE (Page 71-77)

Qu’ils soient UN comme nous sommes UN

C. Les armes du combat

Dentre as múltiplas formas de violência, este sub-capítulo vai tratar de uma delas que vem chamando muita atenção e que é atualmente, um grave problema social. É a violência que ocorre no entorno da escola, intra e extramuros: a violência escolar.

O noticiário é pródigo em casos de alunos que agridem professores e estes, acuados, desencantam-se ainda mais com a já tão sofrida missão de tentar transformar esse mundo tão violento num lugar mais justo e humano, mediadores que são nesse difícil processo que ocorre em nossas salas de aula, nossos pátios, nossas quadras de esporte – a tarefa de educar.

Rixas entre os estudantes ou entre estudantes e professores, ou de professores com alunos; é dos revezes da educação atual, uma das questões que ocupa mais espaço na mídia atualmente. E desperta inúmeros questionamentos por parte de estudiosos do assunto educação, entre eles: Schilling (2009), Arendt (1973), Alvarez (2009): A violência entre os muros da escola está a sinalizar que a sociedade mudou (para pior ou para melhor?) e, por consequência, os alunos que ali procuram ensinamentos, também mudaram. Ou é o contrário: os alunos mudaram e a sociedade escolar acompanhou essa mudança? E a pergunta que surge, entre tantas, é esta: Qual escola a sociedade contemporânea almeja? A escola acompanhou a evolução dos tempos? Os profissionais da educação darão conta de acompanhar essa evolução? Essa violência que aí está, chama a atenção como um alerta e cobra um olhar mais pontual dos investigadores desse assunto.

Das diversas problemáticas que o universo educativo enfrenta atualmente, e aonde vamos nos ater neste estudo; é uma das mais preocupantes e que desarmam tanto o lado de “dentro” da escola - o corpo docente e alunos - como o lado de “fora”

– pais e comunidade – é a violência verbal/moral, instalada no dia-a-dia nas salas de aula, nos jogos, nos recreios, onde houver interação entre sujeitos diferentes.

A essa violência mais visível gerada por trotes universitários (atualmente sendo revistos em muitas universidades, muito criticado e combatido), indisciplina e falta de limites por parte dos alunos somam-se outras questões que convivem lado a lado com o ensino nas escolas, como: a fratura das ideologias (A quem seguir? Ou o quê seguir?), a falta de autoridade de muitos professores, o desencanto com a profissão tão desassistida que gera a síndrome de Bournout (exaustão emocional que afeta a auto-estima do professor e o impede de lecionar), a descontinuidade de planos governamentais lançados e não seguidos na área educacional, a invasão dos traficantes no entorno da escola, a proteção que o ECA ( Estatuto da Criança e do Adolescente) dá aos jovens até que completem 17 anos, a epidemia de crack que ronda a sociedade e o abandono de valores morais em detrimento dos valores econômicos, onde o “ser” é abandonado e o “ter” passa a ser mais valorizado.

A todos esses dissabores somam-se ainda um dos tipos de violência escolar mais comuns e menos combatidos e que anda suscitando várias pesquisas, já que aparece em diversos episódios diários na escola, e se esconde atrás de brincadeiras de mau gosto que afetam psicologicamente muitos alunos: o bullying na escola. Esse é o assédio moral que machuca e exclui da convivência dos pares aquele que é diferente, que destoa da maioria, aquele que acaba sendo agredido emocional/fisicamente com apelidos maliciosos que minam sua auto-estima.

E a escola dos tempos atuais tão ansiosa por resultados (vestibular, ENEM - Exame Nacional do Ensino Médio, provinha Brasil, SAEB - Sistema de Avaliação do Ensino Básico -, SAERS – Sistema de Avaliação de Ensino do Rio Grande do Sul etc...) nem sempre tem tempo de parar e refletir sobre a sua prática, seus problemas, seus enfrentamentos diários.

A escola atual sofre por falta de recursos físicos, por falta de material humano capacitado e carrega sobre si uma vigilância quanto ao seu rendimento devido à cobrança por parte dos dirigentes governamentais e pelos pais dos alunos, que cobram esses índices de aproveitamento da vida escolar de seus filhos e que são veiculados constantemente na mídia. É a busca por resultados, nem sempre garantidores de um futuro seguro, tanto pessoal como profissional.

A violência escolar que se instaura por vários motivos - entre os quais a soma desses episódios mal resolvidos - e, que à primeira vista muitas vezes, podem

parecer insignificantes, toma o lugar da alegria e da integração, e essa violência muitas vezes nem é percebida, quanto mais discutida e/ou combatida, já que acontece de forma verbal e às vezes nem deixa marcas físicas de agressão. São episódios diários de ameaças, de promessas de enfrentamento físico, de tentativa de amedrontar os mais frágeis ou de simplesmente excluir o Outro, ignorando-o.

A violência escolar acontece por discussões acerca de diferenças físicas, religiosas, políticas, ideológicas, étnicas, sociais, esportivas, sexuais, de raça, de cor, de cultura, de rendimento intelectual/esportivo. Essas formas de violência iniciadas às vezes por um simples apelido disfarçado de brincadeira, geram sofrimento e revolta, abandono da escola, depressão, desejo de vingança e queda na auto-estima e, em casos extremos, idéias suicidas. É uma sucessão de pequenos atritos que poderia ser contida e/ou combatida se houvesse maior preparação de quem faz parte do contexto escolar para lidar com esses episódios.

Beaudoin (2006), Fante (2005), Lopes Neto (2006), Monteiro (2008), Calhau (2008), Gaspar (2008), estudiosos do assunto bullying, mostram que muitos dos que são vítimas dessas violências hoje, poderão usar como linguagem comunicacional no futuro, atos de violência física, desespero e/ou rebeldia, reproduzindo aquilo que sofreram. Esses atos de rebeldia relatados com muito estardalhaço pela mídia, principalmente nos Estados Unidos e cada vez mais na Europa, enfocam numerosos casos de alunos ignorados socialmente durante anos de sua vida escolar, invisíveis como pertencentes a um grupo.

Desprezados por seus pares, invadem planejadamente esses espaços (conforme depoimentos e gravações que eles mesmos fazem questão de divulgar na internet) e exterminam com armas e muita determinação: colegas, funcionários e professores, em uma tentativa clara de “matar” a escola que os excluiu e, por tanto tempo, os ignorou. Alunos que estão insatisfeitos com sua invisibilidade social, com sua depreciação no ambiente grupal, se consideram invisíveis aos olhos dos outros, durante anos. E essa exclusão ocorre nas escolas, nos grupos de dança, nas salas de aula, nos times esportivos, nos clubes de bairros, nos grandes conglomerados empresariais, enfim, em quase todos os lugares onde haja pessoas interagindo. A tragédia de muitos, até então desconhecidos, ganha assim notoriedade através de atos violentos. E aqueles sujeitos anônimos, invisíveis socialmente, desterritorializados, marginalizados, ganham voz (e vez) de uma maneira trágica e violenta. A mídia é incansável em relatar casos do fenômeno bullying, quando esses

sujeitos excluídos da convivência com seus pares resolvem num ato impensado, ter seus quinze minutos (insanos) de fama.

Como ilustração desse fenômeno, convém examinar trecho de reportagem de uma importante revista semanal:

Em 20/04/1999, em Littleton,Colorado, E.U.A., dois adolescentes entraram na Columbine High School, onde estudavam e mataram a tiros 13 pessoas deixando feridas mais 25, atentado que deu origem ao filme “Tiros em Columbine”. “O perfil dos jovens assassinos era: sujeitos anti-sociais, sem amigos e rechaçados na escola” (escrito por Masson e Azevedo, na Revista ÉPOCA, edição de 23/04/2007, p.84, 85.).

Esses indivíduos, de maneira às avessas, usando a barbárie, conseguem chamar a atenção. Fazem-se protagonistas. Causam impacto. Voltam a atenção da comunidade para sua pessoa, mesmo que seja tarde demais, às vezes.

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