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V. RESEARCH APPROACH AND METHOD

5.3. A POSTERIORI METHOD DISCUSSION

Em relação à cena teatral contemporânea, a pesquisa defende a importância de sua inserção nos processos de aprendizagem em âmbito escolar, considerando que a abordagem desta temática é imprescindível em nossos centros educacionais, uma vez que o professor necessita levar ao conhecimento dos alunos as tendências atuais, por meio de processos que abrangem a criação e a recepção teatral. Villar (2008, p. 202) adverte que:

A manutenção da defasagem crítica e teórica em relação a diferentes poéticas do teatro contemporâneo nubla negativamente o diálogo entre público, obra, academia, crítica, criador ou criadora e obra, com todas as perdas implícitas nessa incomunicabilidade esterilizante.

Dentre estas perdas, compete apontar que uma das consequências dessa defasagem é refletida na carência de práticas de ensino de teatro que contemplam o fazer e o apreciar o contemporâneo na sala de aula. Na investigação, ficou constatado que a maior parte dos docentes entrevistados não possui base teórica e metodológica consistente acerca do teatro pós-dramático.

Os professores relataram que se sentem inseguros para abordar com propriedade o teatro contemporâneo na escola, tanto na teoria quanto na prática. Alegam não possuir fundamentação teórica e metodológica consistente em relação a esse universo. Ao perguntar sobre as suas concepções acerca da temática em questão, observei claramente a grande dificuldade, por parte dos entrevistados, em expressar através da escrita ou mesmo da oralidade, o seu entendimento a respeito

do assunto. Observei, por meio dos relatos explanados a seguir, que realmente há uma resistência, por vezes uma visão distorcida ou reducionista sobre o tema, mas ao mesmo tempo alguns docentes demonstram certo interesse em adentrar neste universo.

Não tenho muita afinidade com teatro contemporâneo. Inclusive não aprecio. (Professor C).

Ainda estou tentando entender. Procuro fazer ligações com o teatro ritualístico que é minha pesquisa, mas tem coisa que ainda fico sem fala e confusa. Gosto muito das interatividades com o público e na educação com o teatro-fórum de Augusto Boal e das interações entre as linguagens artísticas. E no contexto social e intertextos (dramaturgia) e a relação com espaços alternativos. (Professor D).

Minha concepção é que o teatro contemporâneo trabalha o ver de forma mais tranquila, atenciosa. Não conheço muito teatro contemporâneo. (Professor E).

Não sei como posso falar sobre esse assunto. Acho que no teatro contemporâneo tudo é válido. (Professor O).

Uma forma de comunicação muito importante na atualidade, porém não tenho visto nenhuma peça dentro da nova concepção contemporânea. (Professor J).

Não tenho conhecimento nenhum. Eu acho que é um teatro onde os atores e autores são mais ousados. (Professor I).

O Teatro contemporâneo está relacionado muito com teatros de protesto e surgimento de grandes artistas, como Beckett. Quanto às novas tendências do teatro, atualmente está mais voltado para o entretenimento, para reconhecimento pessoal de alguns artistas e financeiros. (Professor L).

Outro fator que contribui para esta carência é o fato de que a maioria dos professores, segundo seus relatos, raramente tem apreciado montagens cênicas dentro de uma perspectiva contemporânea, e quando o fazem, pouco conseguem relacioná-las com suas práticas artístico-pedagógicas. Somente dois dos entrevistados mencionam a Performance como uma importante linguagem teatral, considerando-a como uma rica e interessante possibilidade para a abordagem do teatro contemporâneo na sala de aula. Além disso, como os conteúdos são organizados seguindo uma linha cronológica, dificilmente há tempo suficiente, no curso de um ano letivo, de se alcançar o conteúdo referente ao teatro produzido na atualidade. Em geral, verifica-se que há uma incomunicabilidade entre o ensino e a aprendizagem teatral nas escolas investigadas com as práticas teatrais contemporâneas. Dentre os motivos apresentados pelos docentes, vale observar o que dizem os professores:

[...] falta de fundamentação teórica, pois a falta de leitura prejudica o aprofundamento teórico, e o tempo para estudo fora da escola é muito curto. (Professor J, Professor S, Professor O).

[...] falta de experiência, afinal não é minha formação. Inclusive, não tenho dificuldades em abordar o contemporâneo relacionado à minha área (Artes Visuais), porém as demais linguagens que eu não tenho domínio sinto muita dificuldade. (Professor M)

[...] por não ter conhecimento e pela falta de tempo. (Professor F).

[...] porque não me afino muito com o contemporâneo. Além disso, falta cultura prévia dos alunos. O contemporâneo é mais conceito. Os alunos ainda estão presos ao Renascimento. (Professor C).

Como não é minha área, prefiro abordagens clássicas. Depois de anos sem trabalhar Artes Cênicas em palco, retornei este ano com Grécia em pauta e Shakespeare. Em 2012 esse tema será trabalhado com o 3º ano médio. (Professor N).

O medo que o sistema tem do novo. (Professor G). Preconceito, ignorância. (Professor H).

A falta de estrutura e o tempo disponível. (Professor L, Professor R).

Dificuldade para compreensão minha e dos alunos. Aqui em São Luiz não se tem uma produção contemporânea consistente. (Professor F).

O déficit enorme de conhecimento em Arte que os alunos trazem dos anos pregressos, tornando uma tarefa árdua sensibilizá-los para a arte contemporânea, visto que ela é fruto de um conjunto de transformações sócio-históricas e que para se perceber isso, torna-se necessário conhecer todos os processos anteriores, e um ano letivo é pouco para esse volume de informações. (Professor E).

Diante destas comprovações, urge a necessidade de implementação de programas de formação continuada que objetivem atender a estas demandas que, por sua vez, se afinam com as mais recentes proposições conceituais e metodológicas para o ensino de teatro, já discutidas no segundo capítulo deste trabalho.

Portanto, é salutar esclarecer que o posicionamento desta pesquisa em defender a importância de se explorar na teoria e na prática aspectos relacionados à cena teatral contemporânea não pretende enaltecer a estética que a caracteriza em detrimento de outras.

Nesse sentido, corroboro com o posicionamento de Ruggero (2002 apud MARTINS, 2006) quando destaca a necessidade de se aventurar num processo de aprendizagem teatral que promova um diálogo entre as concepções teatrais

tradicionais e as pesquisas que se propõem a investigar novas possibilidades de criação e recepção cênica.

Partindo do entendimento de que a arte é uma invenção humana situada em contextos socioculturais e históricos diversos, o professor precisa socializar com seus alunos os diferentes panoramas teatrais construídos no percurso da história. Assim, os educandos poderão adquirir um conhecimento de teatro que certamente servirá de referência para leituras e análises mais conscientes, críticas e autônomas em torno das propostas mais atuais.

O que se almeja é destacar que a abordagem do teatro contemporâneo não deve ser negligenciada nos espaços escolares que se constituem, como já dito, num espaço privilegiado de formação de um espectador que esteja favorável e que tenha, ao mesmo tempo, expectativas de desfrutar novas experiências estéticas que estejam em plena sintonia com as transformações socioculturais e artísticas do seu tempo.